Consultor da FAO debate o uso de resíduos da aquicultura nas indústrias

BIOMATERIAIS – O CREA-SC recebeu a visita do engenheiro e doutor em Aquicultura Fabrício Nunes, consultor técnico FAO Brasil – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, que esteve em missão oficial em Santa Catarina para tratar sobre o potencial dos resíduos do beneficiamento de moluscos e camarões cultivados. As matérias-primas como conchas e carapaças têm aplicação em diferentes áreas como: construção civil, tratamento de efluentes, correção de solos, recuperação de águas ácidas (minas), indústria pecuária, de alimentos, polímeros, entre outras.

Buscando o fortalecimento da discussão sobre o uso de passivos industriais, especificamente da aquicultura, o engenheiro visitou o CREA-SC, onde discutiu a aplicabilidade dos resíduos já beneficiados nas indústrias onde atuam os profissionais registrados no Sistema Confea/Crea e Mútua. Participaram da reunião, a coordenadora do Programa de Sustentabilidade do CREA-SC, Eng. Civil Nadiesda dos Santos, o chefe de gabinete, Eng. Nelton Baú e o assessor de apoio às entidades de classe, Eng. Mec. Wilson Floriani.

“A participação do CREA-SC como um dos atores no Plano de Articulação Institucional de Biomateriais de Resíduos da Maricultura é importante na divulgação do tema junto aos profissionais e no fortalecimento do debate sobre sustentabilidade nas indústrias,” destaca Nunes. Segundo o engenheiro, o uso de passivos na indústria civil, por exemplo, já é realidade. “A economia circular está cada vez mais auxiliando a minimização do impacto do desenvolvimento e tem total relação com a indústria aquícola.”

Com reuniões desde Penha até Capivari de Baixo, o consultor realizou encontros com conselhos, associações, cooperativas, prefeituras, universidades e representantes das indústrias. O objetivo final da consultoria prestada para a organização internacional é a construção de um Plano de Articulação Institucional com diferentes atores envolvidos.

Para a Eng. Civil Nadiesda dos Santos é indispensável a movimentação dos entes envolvidos dentro do próprio estado no sentido de achar soluções para  o passivo gerado, uma vez que Santa Catarina é reponsável por quase a totalidade da produção brasileira de moluscos de conchas. “O CREA-SC vai atuar buscando divulgar as informações e promover a integração das partes, principalmente do meio tecnológico, no sentido de auxiliar na evolução deste processo.”

Pesquisas acadêmicas e usos em escala industrial já demonstram a aplicabilidade das conchas de moluscos na indústria civil, melhorando principalmente algumas propriedades mecânicas como porosidade, compressão e impermeabilidade. Já as conchas de mexilhões podem ser usadas em aterros por permitirem uma compactação suficiente para cargas, mantendo uma boa drenagem da área.

Nunes destacou ainda que esta matéria-prima já existe e, nacionalmente, está dentro do estado de Santa Catarina, responsável por mais de 95% de toda a produção brasileira de moluscos bivalves (moluscos de duas conchas, como ostras, mexilhões e vieiras). “O potencial existe, o passivo é uma realidade e podemos buscar um destino correto antes que se torne um problema maior. Santa Catarina é o maior produtor de bivalves do Brasil e o resíduo está aqui.” Para o consultor, o leque de indústrias-cliente para esses biomateriais é enorme. “Temos mais um produto catarinense surgindo”.

 

Panorama da Aquicultura no Brasil e no mundo

A aquicultura cresce a cada ano no mundo todo e em 2014, pela primeira vez, superou a pesca no suprimento de pescado em nível mundial. Apesar do grande volume produzido ser proveniente do cultivo de peixes de água doce, a produção de moluscos e camarões é considerável. Com uma extensa costa recortada e imenso potencial aquícola, o Brasil aparece como 14° maior produtor aquícola mundial na lista da FAO (2017), colaborando com menos de 1% da produção global.

Quanto aos resíduos, para se ter uma ideia do volume, a última produção catarinense divulgada (dados da maricultura de 2016), registrou um total de 15,4 mil toneladas. Deste total, 81,5% são mexilhões, 14,8% são ostras e colaboração tímida de vieiras (0,2%). O resíduo estimado estaria perto de 10 mil toneladas.

Depois uma semana de articulação no estado, o Eng. Nunes parte para São Paulo buscando fortalecer a articulação institucional com entidades representativas de diferentes indústrias-cliente e instituições de PD&I. As missões se completam em abril, com viagens ao nordeste, região responsável pela produção de praticamente todo o camarão cultivado no Brasil.

O assunto Resíduos da Carcinicultura e Maricultura tem levantamento nacional, incluindo levantamento tecnológico, análise de mercado, plano de negócios e de articulação institucional.

Informações e contato: fabricio.floresnunes@fao.org, 48 999135488