Confea atua para incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Reunião do Conade, com participação do representante do Confea, eng. civ. Faganello
Em um país com mais de 17 milhões de pessoas com deficiência e somente 28,3% delas em idade de trabalhar (14 anos ou mais de idade) estão no mercado de trabalho, a contribuição técnica dos profissionais da Engenharia é determinante para reduzir obstáculos e melhorar a rotina dessa parcela da população.
Atento à essa demanda, o Confea tem acompanhado e avaliado de perto o desenvolvimento da política nacional sobre o tema. Essa contribuição é direta no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), com a representação do eng. civ. e seg. trab. Daniel Faganello, tendo como suplente o eng. civ. Denis Assis da Silva, conforme Decisão Plenária PL-0251/2022. “Enquanto engenheiros civis procuramos encontrar meios possíveis para usar edificações, criando acessibilidade para incluir deficientes físicos, auditivos e mentais, obesos, idosos e tantas outras pessoas com mobilidade reduzida”, afirma Faganello, citando estudos que apontam que mais de 75% das pessoas vão precisar utilizar ferramenta de acessibilidade em algum momento da vida.

Campanha em Santa Catarina adverte população sobre questões de acessibilidade e respeito
Um grande desafio a ser superado, na avaliação de Faganello, é viabilizar adequação de prédios antigos com foco na inclusão, sem comprometer a estrutura do imóvel. “As edificações comerciais da década de 1970, por exemplo, tinham corredores de até 90 centímetros; hoje a regra diz que devem ter 1,50 metro, no mínimo”, pontua o especialista, que vem batalhando pela atualização das normas, a fim de garantir a segurança necessária para o engenheiro viabilizar a acessibilidade possível, de acordo com a realidade, e emitir laudo técnico do imóvel. “A ideia é não inviabilizar o uso do patrimônio e incluir todos os perfis de pessoas com deficiência”, salienta.
Outro segmento conhecido por Faganello que requer atenção é o de estacionamento de veículos. O engenheiro, que é secretário na Prefeitura de Concórdia desde 2017, tendo atuado no setor de Urbanismo e agora na área de Planejamento, acompanhou uma iniciativa de sensibilização voltada para motoristas locais.
Pessoas ilustradas em totens e painéis de tamanho real alertam sobre o uso das vagas de estacionamento reservadas por lei para grupos específicos, como idosos e deficientes. “A ação foi bem efetiva e motivou o Crea-SC a estender a iniciativa de conscientização para outros municípios, por meio de termo de adesão com as prefeituras”, conta. Florianópolis, Brusque, Chapecó e Criciúma já assinaram o termo de cooperação pelo qual declaram conhecimento e aprovam o material de divulgação a ser disponibilizado pelo Conselho Regional. Também se responsabilizam pela definição dos locais, instalação, manutenção e eventual substituição.
Defensor há anos da acessibilidade e inclusão, Faganello aposta na sensibilização das pessoas como forma de promover cidadania e diminuir a desigualdade social. Nessa linha, o engenheiro trabalhou na atualização da Cartilha de Orientação sobre Acessibilidade do Crea-SC, quando ocupou o cargo de conselheiro regional por dois mandatos entre 2015 e 2020. Em 2021, o assunto foi coordenado pelo eng. civ. Denis da Silva, substituto de Faganello no Conade, e finalizado pela eng. civ. Carolina de Lucca, neste ano.

Eng. civ. Faganello (foto) integra o Conade em 2022, tendo o eng. civ. Denis Assis como suplente. O Confea integra o Conade desde 2004
“A cartilha objetiva facilitar o entendimento dos conceitos, das regras e prazos estabelecidos no Decreto nº 5.296/04, direcionado às atividades de planejamento e construção das cidades e das edificações, bem como a todos profissionais de Engenharia. Mais importante do que aplicar à risca os instrumentos legais vigentes é compreender as mudanças necessárias nos procedimentos, atitudes, comportamento e na produção dos espaços das cidades”, registra a apresentação da publicação, que continua: “Tornar o espaço público e as edificações acessíveis, dentro do conceito do Desenho Universal, é pensar a cidade futura, onde todos têm acesso à educação, esporte, lazer, trabalho e transporte.”
Essa rica experiência dos engenheiros Faganello e Silva tem sido levada às reuniões do Conade, onde eles integram a Comissão de Acompanhamento e Monitoramento da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (CMC), com foco nas leis e normas sobre o tema.
Na última reunião plenária do Conade, realizada nos dias 5 e 6 de julho e da qual Faganello participou, foram debatidos o plano de ação 2022-2025, a indicação de responsáveis para identificar artigos da Lei Brasileira de Inclusão que necessitem regulamentar e que estão em análise no Congresso e a discriminação da pessoa com deficiência nas redes sociais. Também estiveram na pauta questões como mercado de trabalho para pessoa com deficiência; procedimentos de atendimento na Agência Nacional de Aviação Civil em voos; acessibilidade em transporte interestadual e municipal; e demora na concessão de serviços previdenciários.
Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea, com informações do Crea-SC





