Artigo: Eficiência na construção civil

Eng. Civil Késia Alves da Silva

 

Ganhar tempo e dinheiro antecipando a entrega de obras e reduzindo as margens de erro e desperdício é uma boa maneira de estimular a construção civil, um dos setores que mais geram empregos no Brasil. Essa meta, que é de toda a cadeia do segmento, não é uma utopia. Ela está ao alcance de profissionais e empresários por meio da metodologia BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção), que permite criar modelos virtuais precisos para uma construção e fiscalizar a obra em todas as etapas, inclusive antes que ela comece a ser executada.

 

Santa Catarina está na vanguarda na aplicação dessa metodologia, situação que pode ser confirmada por dois exemplos: o novo aeroporto de Florianópolis (Floripa Airport) e uma grande escola municipal na Tapera são projetos gestados e executados com o suporte do BIM. O primeiro foi entregue dentro do prazo e com uma excelência que chamou a atenção do país, e a escola será inaugurada dentro de poucas semanas, quase um ano antes do previsto. Assim, já a partir do próximo período letivo as crianças e adolescentes do bairro poderão estudar perto de casa.

 

As inconsistências que costumam atrasar as obras, especialmente aquelas financiadas pelo poder público, são diminuídas quando se utiliza a metodologia BIM. Os softwares reduzem o risco de imprevistos que provoquem paralisações, novos estudos e os aditivos que são comuns em projetos do governo, depondo contra a transparência na aplicação dos recursos.

 

Por lei, a partir de 2021, as obras executadas com recursos federais terão de usar essa tecnologia, que integra todos os dados em um único local e facilita o compartilhamento do projeto entre diferentes profissionais durante o processo de construção. Na semana passada, Florianópolis sediou o 1º Congresso BIM Crea-SC, um evento nacional que discutiu o uso da metodologia e sua disseminação como forma de gerar ganhos para empresas, profissionais e toda a sociedade. Palestrantes renomados, inclusive de fora do país, foram unânimes: o uso dessa ferramenta pode ser útil para a construção civil e para a economia brasileira.