Entrevista com o Eng. Giovane Rosa, Diretor da Vertical Energia da ACATE

Giovane Rosa, Diretor da Vertical Energia da ACATE; “A energia hoje está diretamente conectada à mobilidade, à transformação digital, à infraestrutura e aos desafios da transição energética. “
Em entrevista à Assessoria de Imprensa e Comunicação do CREA-SC, o diretor da Vertical Energia da ACATE, Eng. Giovane Rosa, destacou os principais debates do Energy Show 2026, as tendências que devem transformar o setor energético nos próximos anos e o protagonismo de Santa Catarina no desenvolvimento de soluções inovadoras para o mercado de energia.
O CREA-SC é um dos patrocinadores do Energy Show 2026. Como você avalia essa aproximação entre o Conselho e o ecossistema de tecnologia?
Eu quero começar agradecendo ao CREA-SC pelo apoio ao evento. Essa aproximação entre CREA, ACATE e o setor de energia tem gerado resultados positivos. Santa Catarina possui mais de 23 mil empresas ligadas ao CREA e um número semelhante de empresas de tecnologia. Essa conexão abre espaço para iniciativas conjuntas, especialmente na área de energia, onde inovação e conhecimento técnico caminham muito próximos.
Quais discussões estiveram no centro dos debates do Energy Show?
A proposta do evento foi ampliar o olhar sobre o setor energético, entendendo que energia hoje está diretamente conectada à mobilidade, à transformação digital, à infraestrutura e aos desafios da transição energética. Ao longo da programação, os debates abordaram temas como descarbonização, gases de baixa emissão, transmissão de energia, digitalização de processos e modernização das companhias do setor elétrico. Também estiveram em pauta as mudanças provocadas pela abertura do mercado livre de energia, além das discussões sobre eletrificação, mobilidade elétrica e armazenamento energético.
O que explica esse aumento do interesse pelos debates sobre energia e inovação?
O movimento cresce a cada ano. Nesta edição tivemos mais de 320 participantes presenciais, alcance superior a 500 pessoas no formato online e mais de 60 especialistas participando dos painéis e debates ao longo da programação. Isso demonstra o interesse crescente do mercado pelas discussões sobre inovação, tecnologia, transição energética e transformação do setor. O evento também se consolida como um espaço importante para networking, geração de negócios e conexão entre empresas, startups, especialistas e representantes do ecossistema de energia.
Que tipo de soluções foram apresentadas nesta edição da feira tecnológica?
A Vertical Energia reúne mais de 70 empresas associadas e a feira contou com a participação de 11 startups apresentando soluções conectadas às demandas do setor. Tivemos empresas voltadas ao aproveitamento energético de resíduos por meio do biogás, monitoramento satelital, monitoramento de faixas de domínio e estruturas físicas, além de desenvolvedores de hardware voltados à segurança operacional e monitoramento de sinistros. Também nas áreas de manutenção, softwares especializados e soluções que utilizam inteligência artificial para análise e tratamento de dados.
Como Santa Catarina se posiciona nesse cenário?
Santa Catarina tem um ecossistema muito forte de startups e desenvolvimento tecnológico. O que faz diferença é justamente a conexão entre startups, grandes empresas e corporações multinacionais que também estão presentes no evento. Essa integração fortalece o ambiente de inovação e amplia a capacidade de desenvolver soluções que impactam na vida das pessoas por meio da energia.
Quais tendências devem provocar mudanças estruturais no setor de energia nos próximos anos?
Hoje existem três grandes frentes que devem impactar diretamente o futuro do setor energético. A primeira envolve a adaptação do sistema elétrico ao crescimento das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, que dependem de fatores climáticos e apresentam variações de geração. Esse cenário amplia a necessidade de soluções de armazenamento de energia e de mecanismos capazes de garantir maior estabilidade e equilíbrio operacional ao sistema.
Outra tendência é a descarbonização. A preocupação global com emissões, mudanças climáticas e compromissos ESG vem acelerando discussões sobre mobilidade, redução do uso de combustíveis fósseis e captura de carbono, temas que devem ganhar cada vez mais protagonismo nos próximos anos.
A terceira frente está relacionada à eficiência energética. O crescimento da inteligência artificial, dos data centers e do processamento massivo de dados elevou significativamente a demanda mundial por energia. O desafio do setor passa a ser desenvolver soluções mais eficientes, sustentáveis e capazes de atender esse novo perfil de consumo energético.
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