X CBDMA – Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente de 2011
O Eng. Agrim. e Seg. Trab. Paulo Fernando Squizzato participou do X CBDMA – Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente de 2011, realizado de 26 a 28 de Outubro de 2011 pelo Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. O conselheiro representou a Comissão Permanente de Meio ambiente do CREA- SC.
Ele destacou a alta qualidade do evento, especialmente pela qualificação dos palestrantes e profundo conhecimento dos temas abordados. “Neste tipo de evento devemos filtrar algumas colocações pontuais especialmente aquelas extremistas. Do ponto de vista da Engenharia em geral não se aceita nada sem justificativa e principalmente sem a devida comprovação científica.”
Para o Conselheiro a participação foi positiva e faz um alerta à sociedade. “Precisamos repensar e agir de maneira mais adequada em relação ao meio ambiente, pois está provado que muitas das tragédias ambientais estão relacionadas, direta ou indiretamente, à ação do homem bem como à qualidade de vida e do ambiente que pode sim ser melhorada.”
Ele disse ainda que os exemplos poderiam ser diversificados sendo que a maioria das situações apresentadas estava relacionada ao Rio de Janeiro. “Como se trata de um Congresso é brasileiro entendo que deveria ser ampliado o horizonte das explanações e discussões.”
"Estamos extinguindo a vida na velocidade de um apocalipse"
Esse foi o alerta do economista e ambientalista Sérgio Besserman Vianna durante a palestra magna que abriu oficialmente, na manhã do dia 26 de outubro, o primeiro dia do Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente de 2011. Em pouco mais de uma hora, Besserman, que é presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável e de Governança Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro, ilustrou o passado – ao falar da forma com que, ao longo da história, a natureza e a vida no planeta passam por cataclismos naturais, se renovam e sobrevivem -, alertou para um futuro já irremediavelmente comprometido pela ação do homem e destacou, principalmente, um presente que exige uma decisão imediata e uma verdadeira revolução.
Segundo Besserman, a humanidade se comporta como "um dependente químico que não se trata", ciente do problema, mas sem nenhuma reação concreta que aponte para mudança. "Tínhamos um nível de segurança de elevação da temperatura global de, no máximo dois graus. As últimas pesquisas já determinaram que, independente do que façamos agora, teremos uma elevação de três graus nos próximos anos. Alguns cenários apontam para uma elevação de até sete graus", alertou. Segundo ele, para não passarmos do aumento de três graus de aquecimento, é preciso um completo abandono da nossa civilização e a construção de uma nova economia. "A humanidade está no momento em que deverá decidir se passa ou não da infância para a idade adulta. Vivemos sem muita preocupação, mas a conta chegou. E precisa ser paga imediatamente", definiu Besserman.
O padre Antônio Canuto, secretário executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) falou logo em seguida, destacando as violentas relações de poder no campo, refletidas nas muitas mortes daqueles que lutam pela terra e pela preservação das florestas contra o poderio financeiro e político de madeireiras e grandes latifundiários. Segundo Canuto, por trás das mortes e da violência, há um modelo de desenvolvimento com firmes bases na predação dos recursos, na expoliação dos bens dos mais fracos e na concentração do poder sobre a terra. "Não por acaso, no exato dia em que assassinaram o casal José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, no Pará, o Congresso votava o famigerado código florestal. Quando a morte deles foi anunciada, a bancada ruralista vaiou a notícia. É um retrato fiel do poder no Brasil", declarou.
Participaram dos debates do dia, ainda, Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia; Marilene Ramos, presidente do INEA; o ex-senador Saturnino Braga; Manoel Lapa, vice-presidente do Clube; Clayton Guimarães, presidente em exercício do CREA-RJ; Moacyr Duarte de Souza, coordenador técnico do Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental da UFRJ; Ricardo Valcarcel, chefe do laboratório de Bacias Hidrográficas da UFRRJ e Dieter Carl Muehe, da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais.
Batalha moderna contra inimigos invisíveis no ar e na água
Em destaque no segundo dia da décima edição do Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente debates relacionados à saúde e aos impactos decorrentes do descarte inadequado dos resíduos gerados pelas cidades. A falta de saneamento básico, apontado pelo presidente da Cãmara Técnica de Desenvolvimento e Governança Metropolitana da Cidade do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman, no dia 26, como um dos maiores gargalos do país, foi colocado em perspectiva nas palestras da parte da manhã, que evidenciaram os perigos relacionados à contaminação do ar e das águas, invisível aos olhos, mas potencialmente perigosa para o homem.
O professor José Luiz Magalhães Rios, coordenador do curso de pós-graduação em Alergia e Imunologia da Faculdade de Medicina de Petrópolis e médico da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, falou sobre a qualidade do ar das cidades e de sua enorme concentração de dióxido de enxofre, óxidos de azoto, monóxido de carbono, ácido sulfúrico e outros gases e partículas inaláveis que, diariamente, nos expõem a grandes riscos. Em contraponto com a atmosfera externa, Rios falou sobre a atmosfera interna, criada pelo homem nas últimas décadas dentro dos prédios selados de escritórios, hotéis e shoppings. Embora diversos indícios apontem para prejuízos à saúde relacionados a tais construções, as pesquisas são inconclusivas. "Ainda há controvérsias nessa área. Os indicadores estudados precisam ser avaliados e novas pesquisas precisam ser feitas. Infelizmente, é difícil conseguir autorização para isso. As empresas costumam temer que o resultado das pesquisas cause processos trabalhistas", explica Rios.
Marcia Dezotti, professora do programa de engenharia química da COPPE/UFRJ, fez um alerta ainda mais urgente: desreguladores endócrinos (hormônios), fármacos e poluentes resistentes em baixa concentração na água que bebemos causam doenças como câncer de próstata e mama, além de acelerar a puberdade em crianças e diminuir a produção de esperma nos homens. Essas substâncias naturais ou sintéticas são retiradas em parte no processo de tratamento de água, mas não são plenamente eliminadas e seguem causando danos. "Boa parte dos antibióticos que nós tomamos é eliminado na urina. Após o tratamento da água, parte suficiente do remédio permanece na água para que as bactérias criem resistência a ele", alerta a professora que defende um tratamento diferenciado para as substâncias mais perigosas. "Os hábitos da sociedade mudaram. Não há como pensar o saneamento como na década de 40. Cabe a nós da academia identificar os problemas e encontrar as soluções para a matriz água".
Participaram dos debates de quinta-feira, ainda, Virgínia Salerno, diretora de atividades técnicas do Clube de Engenharia e coordenadora do X CBDMA; Ernani de Souza Costa, diretor da ABES-RJ e da Conen; José Henrique Penido, assistente da chefe da Diretoria Técnica e Industrial da COMLURB; o especialista Dan Moche Schneider; e Rodrigo Codevila Palma, coordenador de arquitetura e de projeto para edificações e sistema de teleférico do Complexo do Alemão.
Planejando a cidade sustentável: Transporte coletivo e combustível verde
As mais novas tecnologias no tratamento do esgoto e das águas pluviais foram apresentadas por Thierry Jacquet, no último dia do X Congresso Brasileiro de Defesa do Meio Ambiente, 28 de outubro. Plantas da flora do próprio ambiente instaladas como jardins funcionam como estações de tratamento: a natureza usada como ferramenta contra a poluição. O sistema, desenvolvido pela Phytorestore, foi responsável pela limpeza de parte do Rio Sena, em Paris, e em outros empreendimentos ecológicos em todo o mundo. Embora essa solução natural para o controle da poluição, capaz de diminuir em cerca de 50% o esgoto lançado por uma família, já seja algo notável, Jacquet destacou a relevância do sistema para a Europa e outras áreas do mundo onde a água é um bem caro. "Na Europa, a água chega a custar três mil euros por ano. Em algumas áreas, é possível chegar a cinco mil euros. Trata-se de um problema real", explica.
Mobilidade urbana, os desafios do transporte público de qualidade e os combustíveis renováveis também foram temas de destaque do dia 27 de outubro. Rômulo Dante Orrico Filho, professor da COPPE/UFRJ e ex-subsecretário de transportes da cidade do Rio de Janeiro apresentou alguns dos principais pontos que norteiam a área de transportes hoje, tais como a necessidade de se colocar o transporte na agenda política da cidade; reconhecer as mudanças urbanas e a necessidade de se reorganizar os esforços para reestruturar, inclusive financeiramente, a mobilidade em grandes centros urbanos; e o redirecionamento do uso do automóvel pessoal, entre outros.
Segundo Dante, as novas dinâmicas do mundo têm reflexos diretos nas cidades, que hoje se apresentam como policêntricas. "Se antes todos os caminhos levavam ao centro, hoje, já não é bem assim. No Rio, por exemplo, apenas 25% das pessoas utilizam o transporte público em direção ao centro. Há, ainda, uma maior distribuição das pessoas, que passam a ocupar espaços distantes do centro. Nos últimos trinta anos, Copacabana perdeu um terço de seus moradores. A Tijuca perdeu 10%. Por outro lado, Campo Grande cresceu, nesse mesmo período, 140% e Santa Cruz, 230%", destacou.
O esforço dos últimos cinco anos da Petrobras para a geração de um combustível ecológico e a colocação do Brasil no grupo dos países que buscam alternativas para os combustíveis fósseis foi apresentado por João Augusto Araújo, gerente geral de Produção da Petrobras Biocombustível. Segundo Araújo, os quase 60 anos da Petrobras dedicados ao estudo e extração do petróleo não ajudaram muito no segmento do biodiesel. "O avanço da companhia foi relativamente lenta porque queríamos fazer direito, aos poucos, escutando especialistas e planejando com todo o cuidado", explica. Presente em todas as regiões do país, a Petrobras Biocombustível tem como um de seus principais focos a distribuição social do lucro através de um trabalho direto com fornecedores locais e pequenos produtores. "O biodiesel no Brasil, além de ter papel óbvio de combustível nacional no planejamento estratégico do governo, é também vetor de desenvolvimento. A idéia é trazer para a industria os pequenos agricultores, viabilizando a vida dessas pessoas".
A exibição do documentário "O veneno está na mesa", de Silvio Tendler, sobre o uso abusivo de agrotóxicos no Brasil, fechou o terceiro e último dia de congresso.







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