Summit 2026: Engenharia e agronomia no centro da transformação digital e construtiva

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Inovação em processos, industrialização da construção e segurança cibernética desafiam atuação técnica

Por João Salgado
Fotos Rodrigo Cury

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O Painel Tech 2 do CREA Summit 2026 evidenciou que a transformação digital já impacta diretamente a prática profissional na engenharia e na agronomia, exigindo revisão de processos, adoção de tecnologias e mudança de mentalidade.

 

Na discussão sobre segurança do trabalho, o avanço tecnológico foi descrito como inevitável e acelerado. “Errar é o caminho para o acerto. A gente vê que não tem como não errar. Será que realmente conseguimos inovar a todo tempo?”, afirmou Éderson Pedro, CEO da Gautica. Para os especialistas, a diferença entre automatizar e transformar está na capacidade de redesenhar processos técnicos. “É preciso mudar a mentalidade, desapegar de processos que temos o costume de fazer daquele jeito”, destacou Rodrigo Holl, sócio fundador da DotSE. Denis Valente, CEO da Atile Digital também participou do painel e reforçou: “A transformação é repensar o processo e como muitas coisas podem ser feitas de maneira diferente.”

 

 

 

 

 

 

No campo da construção, o método CREE foi apresentado como exemplo de inovação aplicada à engenharia. O engenheiro Diamantino Santos trouxe a experiência do grupo Casais e apontou a escassez de mão de obra como desafio estrutural. Baseado em um sistema híbrido industrializado de madeira e concreto, com componentes pré-fabricados e montagem off-site, ou seja, fora do local da obra, o modelo amplia produtividade, reduz desperdícios e incorpora princípios de economia circular. A abordagem “design for change” propõe projetos com adaptabilidade ao longo do ciclo de vida. “O futuro da construção não depende só de novos materiais, depende de engenheiros capazes de pensar em sistemas, processos e ciclo de vida”, afirmou.

 

O painel também trouxe um alerta técnico sobre os riscos associados à digitalização de sistemas e infraestruturas. Em projetos de engenharia — de edificações inteligentes a sistemas produtivos no campo — a segurança da informação passa a ser variável crítica. “Os prédios hoje são cada vez mais inteligentes, mas e do ponto de vista da segurança? Quais são as vulnerabilidades, existe resiliência para saber lidar com eventuais problemas? A preocupação vai além da questão regulatória”, destacou Ramicés dos Santos, analista da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.

 

 

A orientação dos especialistas é incorporar a segurança cibernética desde a concepção dos projetos, considerando que “todos os sistemas são críticos”. Medidas como prevenção a phishing, proteção de redes e capacitação de usuários tornam-se parte do escopo técnico. “Educar o público é a forma mais simples e barata para evitar um incidente de segurança”, ressaltou Ramicés.

 

Ao final, o painel consolidou a percepção de que a atuação profissional, tanto na engenharia quanto na agronomia, passa por uma transição estrutural: da execução para o pensamento sistêmico, integrando inovação, sustentabilidade, eficiência operacional e segurança digital.