Registros de ART demonstram resiliência da área tecnológica brasileira

Entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2020, o Sistema Confea/Crea e Mútua emitiu pouco mais de 2 milhões de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) em todo o país. O número (2.047.136) é apenas 11,7% menor do que o de registros do mesmo período no ano passado. O estado que mais assinou contratos com ART foi São Paulo (532.589), seguido por Minas Gerais (263.720) e Paraná (199.342).  Em relação às ARTs específicas de engenharia civil, a redução foi de 12,3% em relação ao primeiro semestre de 2019.

 

O presidente em exercício do Confea, eng. civ. Osmar Barros Júnior, comentou os números e o que significam dentro do contexto atual: “Os prognósticos eram os piores possíveis uma vez que a construção civil se ressente quase que imediatamente da recessão. Entretanto, as ARTs demonstram que por ser uma das atividades que está à frente no combate ao covid-19, seja com a construção de hospitais de campanha, manutenção dos existentes, a queda em comparação com ano passado ficou em torno de 12%”, analisou Osmar.

 

Durante a pandemia do covid-19 profissionais de diversas áreas foram obrigados a deixar seus locais de trabalho, por conta das determinações legais de isolamento social. Mas, a exemplo de médicos, enfermeiros, cientistas, profissionais de transporte e da alimentação, entre outros, os engenheiros civis, eletricistas, agrônomos, profissionais das geociências e tantos outros seguiram em campo. Para a vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP, a eng.  civ. Lenita Secco Brandão, esse é um dos fatores que explica os números de ARTs registradas no primeiro semestre de 2020. “A engenharia não parou. Se esperava uma queda, em comparação ao mesmo período de 2019, mas isso não aconteceu”.

Além disso, segundo Lenita, o Crea-SP manteve suas operações de fiscalização, seguindo sempre as orientações de procedimentos dos órgãos de saúde e continuou a receber denúncias online. “Isso também serve de incentivo para que as ARTs continuem sendo emitidas pelos profissionais habilitados. Nosso trabalho sempre tem como foco manter a segurança da sociedade”.

 

Números da construção 

 

Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, a construção civil já vinha em uma tendência de crescimento forte. “No primeiro trimestre de 2020 registramos um aumento de 26,7% nas vendas de imóveis no comparativo com o mesmo período do ano passado. Houve uma paralisação em função da pandemia, mas a reação tem sido melhor do que a gente imaginava. Mesmo com as incertezas, o mercado imobiliário ficou mais aquecido em junho. Podemos dizer que antecipamos uma queda da atividade muito mais intensa do que vem sendo observada. Nosso último levantamento sobre os impactos da covid-19 no setor mostrou que 75% das empresas consultadas fecharam vendas em junho. Sendo que 84% dessas vendas tiveram negociação iniciada após a pandemia.”, informou Martins.

Essa retomada também aparece na venda de cimento no país, que no mês de junho teve um aumento de 24,2% sobre o mesmo mês do ano passado. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Comércio (SNIC), o aumento do tempo de permanência das pessoas nos lares reforçou a necessidade de pequenas melhorias nas casas, que deixaram de ser apenas um lar para se transformar num local de trabalho e lazer, e as reformas e manutenções em estabelecimentos comerciais foram executadas, aproveitando a paralisação forçada. “A covid-19 provocou uma série de mudanças nas nossas vidas, nos nossos hábitos e nas nossas prioridades. Para a indústria do cimento, a crise mostrou que o cuidado com a casa e o uso de reservas pessoais e investimentos para pequenas reformas, tão populares na década de 80, voltaram a fazer parte do orçamento familiar.”, constatou o presidente da SNIC, Paulo Camillo Penna.

Para o executivo, ainda existem muitos entraves a serem superados, e medidas como a incorporação dos custos de Impostos de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e documentação no financiamento imobiliário, anunciadas recentemente pela Caixa Econômica Federal, se somam a um conjunto de ações que contribuem para a sustentabilidade do setor, tais como novas modalidades de financiamento e redução de taxa de juros, entre outras.

Beatriz Leal e Fernanda Pimentel
Equipe de Comunicação do Confea com informações das Assessorias da CBIC e SNIC