Patologia na Construção Civil: A permanência de velhos erros em novos contextos
Patologia na Construção Civil: A permanência de velhos erros em novos contextos
Prof. Eng. Gil Carlos Pegoraro Brisolara
brisolara@ifsc.edu.br
Nos processos patológicos podem ser observadas características novas e, a princípio, surpreendentes. Com a evolução da tecnologia e do conhecimento mais aprofundado da teoria das estruturas, passou-se a calcular com valores cada vez mais próximos do limite da resistência dos materiais, tornando as estruturas mais vulneráveis aos agentes agressivos.
Se prestarmos bem atenção, a maioria das falhas vem se repetindo ao longo dos anos sem que sejam tomadas providências no sentido de eliminá-las ou, pelo menos amenizar seus efeitos. A tecnologia avança, a oferta de materiais cada vez mais sofisticados aumenta, porém a evolução das técnicas construtivas parece não conseguir acompanhar o processo evolutivo.
Ao ouvirmos falar em falhas construtivas em obras de engenharia, logo nos lembramos dos grandes acidentes, como desabamento de grandes edifícios, pontes, rompimento de barragens ou grandes deslizamentos de terra, que provocam, mortes e vultuosos prejuízos financeiros. Certamente que isso precisa ser evitado, porém existem outros pequenos erros que são cometidos cotidianamente que muitas vezes não são levados muito em conta, mas que no seu conjunto causam enormes prejuízos às empresas e a toda a sociedade e que, por esta razão, necessitam de nossa atenção.
Das patologias mais comumente encontradas nas construções, raras são decorrentes da fase de projeto e a grande maioria são geradas por descuidos na execução da obra, tais como: fissuras em peças de concreto ou em reboco causadas pela falta de cuidado no processo de cura; infiltração de umidade por incorreção na aplicação dos materiais, por absorção ou capilaridade; vazamentos acidentais de água nas redes de água potável ou de drenagem pluvial; surgimento de eflorescências causadas por formação de depósitos salinos na superfície das alvenarias em função de sua exposição a intempéries; desenvolvimento de mofo ou fungo provocado pela condensação de umidade resultante da insuficiência de ventilação e insolação.
Pode-se citar também: Descolamento de revestimentos diversos provocados pela inadequada dosagem das argamassas de fixação; fissuras em peças de concreto armado geradas pela desforma antecipada; corrosão de armaduras de peças estruturais de concreto armado provocadas pela insuficiência de cobrimento, incompatibilidade dos materiais ou, ainda, utilização de materiais de má qualidade; trincas ou fissuras causadas por recalque diferencial das fundações; entre outros.
Em diversos trabalhos recentes de pesquisa, foram constatados que em geral as falhas construtivas têm como origem a má qualificação da mão de obra, porém também ficou claro que são raras as empresas que investem no treinamento de seus operários. Outra constatação preocupante é que a maioria dos projetos sofrem alterações significativas, antes, durante ou até depois da execução.
Nem sempre nos damos conta que o custo maior não está no retrabalho em si, mas na perda de credibilidade da construtora e, em conseqüência, de seu corpo técnico.
A superação deste tipo de dificuldade só será possível com um grande empenho de empresários e da equipe técnica, com o objetivo de planejar, organizar, dirigir e executar cada etapa do processo construtivo com extremo rigor profissional, evitando a repetição de um ciclo vicioso de erros (seja na escolha dos profissionais ou na construção em si) que afeta não só a satisfação do público consumidor, bem como as nossas planilhas orçamentárias, gerando maiores despesas para ambos os lados.




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