Painel na SOEA debate ética e a reengenharia do país na atual conjuntura

 
A reengenharia do Brasil na atual conjuntura esteve sob a visão de profissionais atuantes e lideranças políticas e classistas,  que na manhã da sexta-feira (24), participaram do painel que tratou do tema e atraiu boa parte dos que participam da 75ª Soea. Lotando o auditório do Centro de Convenções Ruth Cardoso, todos tinham interesse em saber que rumos tomará o Sistema Confea/Crea na valorização das profissões e profissionais que reúne e como pretende atuar para o país retomar o crescimento.
 
Ao abrir os trabalhos, Fernando Dacal, presidente do Crea-AL, citou palestra apresentada no dia anterior sobre a Quarta Revolução Industrial e a Transformação Digital, que revelou o quanto o Brasil está atrasado no desenvolvimento tecnológico. Ele lamentou os baixos salários pagos aos engenheiros. “Em Alagoas, há ofertas entre 1.200 e 2.500 reais”, disse indignado, defendendo “a visão do coletivo” na solução dos encaminhamentos para o país voltar a crescer.
 
Marcelo Morais
 
Marcelo Morais, diretor da Mútua, falou de como motivar o setor da engenharia na atual conjuntura de dificuldades, dirigindo-se especialmente à juventude, representada por Tainá Prando, coordenadora nacional do Crea-JR, que participou do painel.
 
“Tainá, você é o futuro, temos que ter metas com monitoramento e indicadores, sem isso ficará cada vez mais difícil trabalhar”. Para ele, a área tecnológica, por meio das associações e sindicatos têm que se manifestar junto a vereadores,  deputados estaduais e federais, senadores e governadores nos estados para que ganhe corpo e força a representação  dos engenheiros na elaboração e definição de uma agenda de desenvolvimento do país.
 
Confessando-se confuso por “estamos no presidencialismo com uma constituição parlamentarista, não somos socialistas, comunistas ou capitalistas , mas essa confusão vejo como ponto de reflexão. Acredito neste país. Brasil é inovador e nós temos capacidade.  Nós engenheiros sabemos trabalhar e transformar sonhos em realidade. O Brasil vai continuar rumo ao desenvolvimento. Tainá, você é o nosso sonho, o nosso presente o nosso futuro”.
 
 
Integrando o dispositivo de honra, Jovanilson Freitas, representante das Câmaras Especializadas do Sistema Confea/Crea, disse que “o Brasil tem energia para sair dessa crise”. Para ele,  “não adianta pensar num país se a engenharia e a agronomia não estiverem presentes. Infelizmente não sabemos nos posicionar. Como engenheiros, queremos sempre compartilhar, resolver, mas precisamos ter representação e representatividade”.
 
 
Jovanilson lembrou do descrédito da engenharia, estampado nas palavras, segundo ele, “injustas”, do então secretário da Aviação Civil,  Moreira Franco. “Para justificar o atraso das obras para a Copa do Mundo, em 2014, ele jogou a culpa nos engenheiros. Particularmente,  me senti imensamente ofendido como se o poder de decisão fosse nosso.”
 
Defendendo que não deve haver diferenças nem disputa entre os engenheiros, independente da modalidade, Jovanilson quer “uma categoria forte”.
 
“Em função do sombreamento, brigamos entre nós. Vamos brigar dentro de casa mas quando falarem mal da nossa casa não quero saber se sou agrônomo ou eletricista, vou defender a minha casa. Tenho prazer em falar que sou engenheiro, mas se não criarmos uma identidade de valores vamos ver nosso salário diminuir cada vez mais.”
 
Para ele, a crise energética foi mais que anunciada pela falta de investimentos e uma gestão sofrível.
 
“Muitos dizem para olharmos para a China, mas é a China que nos olha e compra nossas empresas . Ou seja, vamos mesmo olhar para a China, mas com o olhar do subjugado”, disse preocupado.
 
Ao finalizar, convocou primeiro a defesa do “nosso Sistema que tem falhas gritantes, mas é a nossa casa da profissão”.
 
Wilson Lang, coordenador do Colégio de Entidades Nacionais, foi perguntado se o sentimento descrito por Jovanilson seria o vetor para transformar e soerguer a engenharia.
 
Ele defendeu o Método do Discurso, de René Descartes: “Como professor, tenho vontade de chamar meus alunos de volta para ensinar esse método. O engenheiro hoje é capaz de fazer grandes cálculos, mas não sabe defender um projeto junto a autoridades ou  possíveis patrocinadores”.
 
Como os palestrantes anteriores, Lang – ex-presidente do Confea -, lamentou a atual realidade brasileira e questionou por que o país, apesar de pioneiro, por exemplo, com a criação da Real Academia de Fortificação e Desenho, em 1798, antes mesmo dos Estados Unidos, não alcançou o mesmo desempenho que a nação norte-americana.
 
“O que fizemos de 1798 até hoje e o que eles fizeram para nos dar esse baile?”
 
Para ele, “temos que ter capacidade de entender essas coisas e entender a situação social que ai está, alguém aqui está preparado para enfrentar isso? Alguém aqui entende o que é responsabilidade social? Ao falar sobre ética, disse que as escolas deveriam ensinar a matéria”.
 
O país esqueceu a infraestrutura, e precisamos reconstruir com ética. Não posso aceitar como definitiva a solução de ir trabalhar em outro país para ser um engenheiro bem  sucedido, reconhecido”.
 
Lang arrancou aplausos do público quando afirmou: “Temos que ter vergonha na cara e não aceitar que nossos governantes sejam. Penso que o Brasil tem que voltar a se indignar”.
 
Sobre o Cden – órgão consultivo do Confea –, Lang disse que a entidade defende o encaminhamento de um compromisso do Sistema Confea/Crea  em elaborar uma ação de planejamento estratégico consistente. “Temos que ensinar a pensar e planejar”.
 
“A sociedade funciona através de suas organizações sociais forte é a entidade que representa e defende os interesses dos profissionais. Se cada Crea acessar deputados estaduais, federais, senadores de seus estados, a conversa muda. O Cden defende um vigoroso projeto de ética. As entidades nacionais vão estimular o Confea  a tratar de temas fundamentais. Temos que nos apresentar a sociedade. Penso que nossos desafios passam por essas questões votadas ao indivíduo.”
 
 
 
Tainá falou por último e defendeu a ética na engenharia. Para ela, a “reengenharia nada mais é que mostrar nossas força e soberania”.
 
A coordenadora do Crea-JR nacional, acredita que os engenheiros e agrônomos “têm potencial para participar das decisões políticas do país. Reengenharia é estarmos reunidos aqui em prol de uma causa que é a importância e necessidade de reconstruir o Brasil. Não temos os mesmos pensamentos mas temos que caminhar em prol de um mesmo objetivo. Os estudantes precisam saber do Sistema, sua importância e atuação para aumentar sua participação. Acredito que precisamos ocupar nossos espaços, expandir horizontes e  sermos resilientes”.
 
Reportagem: Maria Helena de Carvalho (Confea)
 
Edição: Julianna Curado (Confea)
 
Revisão: Lidiane Barbosa (Confea)
 
Equipe de Comunicação da 75ª Soea
 
Fotos: Art Imagem Fotografias
 
O CREA-SC participa da 75 SOEA com o apoio da Mutua – Caixa de Assistência dos Profissionais
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