Valorização Profissional: A engenharia a serviço do desenvolvimento

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Eng. Civil e Seg. Trab. Carlos Alberto Kita Xavier – Presidente do CREA-SC

Deve ser complicado para o cidadão entender e aceitar o que leva uma obra de tamanha prioridade para o desenvolvimento do Estado, como é o caso do Anel Viário da Região Metropolitana de Florianópolis, ainda não ter saído do papel. O sentimento é o mesmo com relação à conclusão do trecho Sul da BR-101, obra de fundamental importância para a economia e para a mobilidade urbana do estado e do país.

Para nós, profissionais da engenharia, que vislumbramos em nossas profissões o meio para se atingir a meta, a questão se torna ainda mais complexa.  Ao longo das últimas décadas, a engenharia tem despontado ainda mais no cenário mundial como profissão essencial para as soluções dos grandes problemas sociais decorrentes do próprio crescimento e desenvolvimento, situação característica nos grandes centros urbanos.

A pergunta é: Qual o valor de uma ferramenta não utilizada? De que vale um projeto não executado? Quanto vale uma idéia criativa, um insight, uma proposta de melhoria não colocada em prática?

Trata-se de algo muito subjetivo para uma profissão norteada pela objetividade. Temos as soluções, temos os projetos, temos as alternativas, temos as ferramentas, mas não podemos colocá-las em prática em prol da sociedade, em benefício da segurança e da qualidade de vida da população, porque esbarramos na burocracia e na inércia do sistema.

Os dados são reais, os prejuízos já conhecidos, alguns imensuráveis, no caso dos acidentes e vidas perdidas. Diversos estudos já foram realizados pelas entidades e profissionais da área, incluindo o CREA-SC, a FIESC e outras, alertando para tal situação.

Santa Catarina ocupa 3% do território nacional, mas é o estado com o maior índice de acidentes em rodovias do Brasil, segundo o Dnit. Na Grande Florianópolis, 72% dessas ocorrências envolvem motocicletas, o que agrava ainda mais a questão como um problema de saúde pública. São 6 milhões de habitantes, com uma frota de 3 milhões de veículos e mais 800 mil motocicletas.

O fluxo na região é de 482 mil veículos sendo que 78% trafegam somente com um passageiro. Nesse trecho, a BR-101 já é o terceiro pior ponto em índice de congestionamento e o segundo em atropelamentos e acidentes com motos do país. Nossas duas pontes foram projetadas para um fluxo de 40 mil veículos/dia, mas recebem atualmente 180 mil veículos/dia.

Entre prazos não cumpridos, indefinições de traçado, processos licitatórios e licenciamentos ambientais são quase dez anos de atraso, podendo se estender até 2017.

Não há dúvidas que o Anel Viário da Grande Florianópolis será uma solução importante para a mobilidade urbana na região, evitando o conflito dos veículos que transitam entre os municípios e dos turistas que trafegam pelo litoral, com os caminhões que cruzam o trecho para seguir viagem. Sabemos que o fluxo pode diminuir cerca de 20% com a obra.

No entanto não podemos crer que o anel viário irá solucionar todos os problemas da mobilidade urbana. Nesse universo de necessidades estão outras obras fundamentais como: a quarta ligação ilha-continente, a reativação da Ponte Hercílio Luz, a duplicação das rodovias, novos acessos e elevados, investimento massivo nos meios de transporte públicos e criação de novas modalidades, sobretudo o transporte marítimo e ferroviário e, logicamente, conclusão da BR 101 Sul.

A que se mudar a perspectiva de análise para percebermos os aspectos de caráter prático, concentrando o discurso e as ações da mídia, das entidades, dos profissionais e da sociedade nos benefícios que serão conquistados em breve. A mobilização instigada pelo Conselho Metropolitano para o Desenvolvimento da Grande Florianópolis (COMDES), da qual o CREA-SC faz parte, pode ser um exemplo de união, mas os projetos necessitam ser implementados.

Precisamos colocar a engenharia a serviço do desenvolvimento do estado, assegurando dignidade e respeito aos profissionais da área. Precisamos incentivá-los, valorizando-os, dando suporte para que possam exercer e cumprir sua missão de agentes transformadores da sociedade, colocando em prática o conhecimento técnico científico a serviço das futuras gerações.

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