Universidade Corporativa é meta do engenheiro Carlos Alberto Kita Xavier à frente do Crea-SC

 

 

Brasília (DF), 10 de dezembro de 2020.

Carlos Alberto Kita Xavier participa da política classista desde a universidade e pela terceira vez sentará na cadeira de presidente do Crea-SC, cumprindo o mandato que começa em 1º de janeiro de 2021 e se encerra em 31 de dezembro de 2023.

Para ele, “a atuação classista não é um dever, mas uma escolha individual e profissional. Um exercício de procurar manter-se sempre à frente das grandes questões da sociedade que dependem do nosso trabalho, elevando a engenharia a um patamar ímpar de credibilidade”.

Kita afirma que “estimular os profissionais a se associarem às entidades de classe em suas regiões é fundamental para o fortalecimento das nossas demandas e o surgimento de novos líderes”.

Radicado em Florianópolis (SC) desde os tempos da faculdade, Kita – como é mais conhecido – é natural de Erechim (RS), tem 53 anos, – é engenheiro civil e de Segurança do Trabalho, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Há 12 anos é casado com Sílvia Santos, professora e doutora em Engenheira Civil, conselheira do Crea-SC, e com quem tem dois filhos.

Nesta entrevista ao site do Confea ele fala como pretende projetar sua atuação como presidente do regional.

Site do Confea: Dentro do Sistema Confea/Crea, qual foi sua trajetória até chegar na presidência do Crea?

Carlos Alberto Kita Xavier: Iniciei no Sistema em 2002, como conselheiro no Crea-SC pela Associação Catarinense de Engenharia de Segurança do Trabalho (ACEST). Em seguida, presidi a associação, e fui vice-presidente da associação nacional, a Anest. Também participei da Mútua, caixa de assistência dos Profissionais dos Creas, sendo diretor-geral da Mútua/SC. Em paralelo, – assumi a Diretoria Técnica da Associação Catarinense de Engenheiros (ACE), onde sou membro do Conselho Diretor desde 2011. Já presidi o Crea-SC na gestão 2012/2014 e reeleito para 2015/2017. Nesse período, de 2015 a 2016 presidi a Associação dos Conselhos Profissionais de Santa Catarina (Ascop).

 

Site do Confea: Neste triênio à frente do Crea, quais os principais desafios já mapeados que demandam esforço e atuação? Eles constam da agenda de prioridades de seu mandato? Como serão colocados em prática e quais resultados positivos podem gerar?

 

Carlos Alberto Kita Xavier: Um dos compromissos é garantir a segurança por meio da fiscalização do exercício ilegal da profissão, para que obras e serviços não sejam executados por leigos e sim por profissionais que possuem formação adequada para tal. Queremos buscar convênios com prefeituras e órgãos públicos para uma fiscalização em conjunto, no intuito de reduzir consideravelmente o risco de tragédias e consequentemente a emissão de multas e abre-se novas frentes de trabalho aos profissionais catarinenses, que atuarão na regularização dessas obras e serviços. Vamos focar novamente em uma gestão pioneira e inovadora, com apoio dos colaboradores, conselheiros, inspetores e dos profissionais. Como dizia nosso slogan de campanha: “juntos podemos mais”.

 

Sobre as prioridades, precisamos resgatar a credibilidade do Crea, a disputa por atribuições entre a área civil e a elétrica chegou à esfera judicial, gerando conflitos que prejudicaram a imagem do Conselho. Pretendemos conceder apoio jurídico aos profissionais quando ações externas tiverem impacto sobre alguma modalidade.

 

Informatizar os processos e serviços e implementar a assinatura digital para os profissionais também é nosso compromisso. Outra medida será atuar junto ao Confea para a reformulação de algumas resoluções, por exemplo a que trata de Pessoa Jurídica para reduzir a anuidade e valorizar o profissional do quadro técnico da empresa; a do Acervo Técnico, com objetivo de eliminar o laudo técnico e aprovar a acreditação do profissional; a que trata da ART Nacional para fomentar sua implantação e, principalmente, cobrar o cumprimento da Resolução 1114/2019 que prevê as eleições do sistema via internet.

 

Queremos criar a Universidade Corporativa do Crea-SC, em parceria com as instituições de ensino e as entidades de classe, para realização de cursos de capacitação e qualificação do nosso público interno e dos profissionais registrados. Apoiaremos também cursos e eventos promovidos por entidades de classe e por empresas públicas e privadas através da política de patrocínio, possibilitando a atualização e o aperfeiçoamento dos profissionais.

 

Visando nossa relação com a sociedade, nossa comunicação será desenvolvida no sentido de esclarecer e conscientizar a sociedade sobre a necessidade e a importância de se contratar profissionais registrados para a realização dos serviços. Numa era em que o desenvolvimento sustentável é cobrado todo o tempo, precisamos valorizar a atuação de nossos profissionais envolvidos nesta missão da “sustentabilidade ambiental” em cada serviço ou projeto realizado. Teremos muito trabalho mas estamos preparados para enfrentar as adversidades e contamos com os profissionais nessa caminhada.

 

Site do Confea: O senhor acha necessário uma readequação do Sistema Confea/Crea e Mútua no que se refere a seus procedimentos em relação a normatização e fiscalização dos profissionais? Se sim, por que? Qual tipo de reestruturação é necessária, e como a sua gestão irá atuar neste sentido?

 

Carlos Alberto Kita Xavier: É importante lembrar que Crea não fiscaliza o “profissional” e sim as áreas de atuação das nossas profissões. Vamos manter a fiscalização orientativa que realizamos em Santa Catarina e que é referência nacional. Precisamos de uma reformulação geral das nossas resoluções, visando uma nova realidade. Precisamos de um sistema ágil e que apresente respostas rápidas para os profissionais e sociedade.

 

Site do Confea: O senhor acredita que a integração dos Creas dentro da região geográfica e de forma nacional é importante? Se sim, quais caminhos possíveis, dos pontos de vista institucional e político? Quais vantagens esse movimento pode gerar para o Sistema e para os profissionais nele registrados? Se não, por que?

 

Carlos Alberto Kita Xavier: Sim acredito ser essencial essa integração dos Creas para o debate sobre questões em comum relacionadas à padronização da fiscalização, atribuições, educação, entre outras. O desenvolvimento conjunto de novos produtos e serviços a nível regional e nacional, podem resultar num atendimento cada vez mais eficiente aos nossos profissionais. O Crea-SC tem colaborado com os outros regionais. Tivemos essa integração com os Creas do Sul durante minhas gestões anteriores. Neste período, o Confea nos considerou eficiente e eficaz pela excelência na prestação de serviços, no atendimento de qualidade e na transparência dos processos. Outro caminho importante é a efetiva participação de todos os Creas no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), gerando a modernização dos processos administrativos e economia de recursos humanos em todo o Sistema, proporcionando agilidade nas tomadas de decisão.

 

Site do Confea: Muito se fala na responsabilidade e habilidades dos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea como contribuições diretas para o desenvolvimento do Brasil e para a implantação de políticas públicas que levem à retomada do crescimento nacional. Qual sua opinião sobre essa viabilidade?

 

Carlos Alberto Kita Xavier: De acordo com a Lei 5194/1966, as profissões de engenheiro, engenheiro-agrônomo e das geociências são caracterizadas, entre outras coisas, pelas realizações de interesse social e humano que importem no aproveitamento e utilização de recursos naturais; meios de locomoção e comunicações; edificações, serviços, equipamentos urbanos e rurais; desenvolvimento industrial e agropecuário. Portanto, essas áreas têm papel fundamental para assegurar o desenvolvimento e qualidade de vida da população. Santa Catarina é um dos estados que mais se expande na economia brasileira com o 6º PIB mais alto do país; somos o 2º no ranking nacional no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o 3º em taxa de alfabetização. Já tivemos uma assessoria parlamentar que atuou junto ao Confea na alteração de resoluções e na proposição de projetos de lei que interferem na área tecnológica e afetam diretamente os profissionais do estado. Quero agora fortalecer essa representação para garantir, por exemplo, a lei de manutenção predial, criando a cultura do “prevenir é melhor que remediar”.

 

Possibilitar a implantação efetiva da Engenharia Pública com o objetivo de orientar sobre a aplicabilidade da Lei nº 11.888/2008, que assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social, é outra das metas.

 

Site do Confea: Nas eleições de 2020, seis mulheres foram eleitas para os Creas do Acre, Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Antes, somavam quatro os Regionais presididos por engenheiras. Qual a sua análise sobre esse crescimento da representação feminina e qual a importância de se fomentar a pauta equidade de gênero no Sistema?

 

Carlos Alberto Kita Xavier: Esses resultados são muito estimulantes para continuarmos incentivando a participação feminina na área tecnológica por meio de políticas e programas, e colaborar para a construção de um sistema cada vez mais justo, igualitário e democrático. Tivemos no Conselho em 2019 um número de 1537 registros de profissionais mulheres e em 2020, 1280, até outubro. Hoje são 21.169 registros ativos, 35,28%, num universo de 60 mil profissionais. Temos atuando no Crea-SC 18 conselheiras, 7 titulares e 11 suplentes.

 

Maria Helena de Carvalho
Equipe de Comunicação do Confea