Profissional defende análise de riscos sobre eventos naturais em projetos

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Qualquer obra – urbana, rural ou grandes empreendimentos de infraestrutura – deveria ter em seu projeto uma análise de riscos sobre eventos naturais. É o que defende o engenheiro geotécnico, consultor na área de projetos de ocupação de áreas de risco, Luiz Fernando Salles. “O engenheiro é o profissional técnico que é, ou deveria ser, o responsável pelos projetos de ocupação”, diz. Salles será debatedor no painel “Inovação no Enfrentamento de Desastres Naturais e Socioambientais” da Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, oportunidade em que abordará as técnicas utilizadas no mundo e sua experiência com o deslizamento que ocorreu em Santa Catarina, em 2008.

Salles defende que o profissional da área tecnológica deve estar ciente da importância de seu papel nesse sentido, para preservação de danos humanos cada vez que ocorrerem eventos naturais. “Por isso a importância da Semana. O profissional tem que saber as práticas que estão sendo adotadas no país e no mundo para balizar sua atuação. Ele deve encarar a discussão dos desastres naturais”. Salles explica que os eventos naturais são inevitáveis, mas que os impactos causados pelo homem podem ser reduzidos. “A falta de planejamento urbano, a falta de manejo na área rural (agricultura e pecuária) só potencializam os riscos. O homem não vai restringir chuvas, furacões, etc, mas, sim, as consequências desses eventos”, completa. Salles – que também ministra as disciplinas “Taludes e contenções” e “Sistemas de drenagem”, na Universidade do Vale do Itajaí, – pretende abordar as práticas a respeito de monitoramento e prevenção adotados no mundo e compará-los com o Brasil. “A prevenção que o Brasil faz é no âmbito meteorológico. Não há prevenção para eventos naturais”, aponta.

Salles trabalhou, pela Secretaria de Defesa Civil de Santa Catarina, nas ações que sucederam o desastre que ocorreu naquele estado em 2008. “Após uma tragédia dessas, a primeira etapa consiste na identificação dos riscos, averiguação de quais áreas devem ser isoladas, retirada das pessoas próximas, etc”, disse. De acordo com o professor, quando o acidente natural faz vítimas, a segunda etapa é o resgate de corpos, ação coordenada pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar. “Esse processo envolve os engenheiros e técnicos, porque os bombeiros e policiais precisam de segurança técnica. Eles só entram em certos locais após o profissional da Engenharia dizer que o risco está controlado. É a Engenharia que garante a segurança da equipe de resgate”, explicou. O passo seguinte ao resgate das vítimas, segundo ele, é a análise de retorno, ou seja, a avaliação da possibilidade de as famílias voltarem para suas casas. Salles afirmou que também abordará a experiência do deslizamento de 2008 durante os debates da Soeaa.

Em sua 68ª edição, neste ano, a Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia também debaterá assuntos como a conferência Rio+20 e Ciência, Tecnologia e Inovação. O evento ocorrerá em Florianópolis, de 27 a 30 de setembro.

Assessoria de Comunicação do Confea

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