Por um país com menos corrupção – Marcos Túlio de Melo, Presidente do Confea
Na data em que o mundo comemora o Dia Internacional contra a Corrupção, 9 de dezembro, o Confea, a Controladoria Geral da União (CGU) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social deram um passo importante na luta para diminuir os atuais índices de corrupção no nosso país. Assinamos um acordo de cooperação em que as três instituições se comprometem a desenvolver mecanismos, instrumentos e técnicas que contribuam para a prevenção e o combate à corrupção no âmbito das licitações, contratações e execuções de obras públicas e a promoção da ética e da transparência pública junto aos agentes e profissionais desse segmento.
A simbologia da data em que assinamos o convênio, 09 de dezembro, demonstra o quanto o amadurecimento democrático das instituições brasileiras está elevando o nosso país a um patamar mundial diferenciado nessa luta pela ética nas relações público-privadas.
Recente pesquisa divulgada pela ONG Transparência Internacional, com levantamento feito pela Global Corruption Barometer ("Barômetro da Corrupção Global", em inglês), apontou que o percentual de brasileiros que veem um aumento da corrupção fica abaixo de países como Estados Unidos (72%), Alemanha (70%), Grã-Bretanha (67%) e França (66%). Para 27% dos brasileiros a corrupção se manteve estável nos três últimos anos, enquanto 9% acreditam que ela diminuiu neste período. Uma mudança de paradigma importante, tendo em vista que num passado recente o país admitia a utilização do “jeitinho” brasileiro para alcançar benesses ou vantagens individuais.
A pesquisa, realizada em 86 países, aponta que, em termos globais, 56% dos entrevistados acham que a corrupção aumentou nos últimos três anos. Para 30%, ela permaneceu igual, e para 14%, ela diminuiu. Entre os mil brasileiros entrevistados, a maior parte acredita que os partidos políticos e o Poder Legislativo são as instituições mais propensas a ter corrupção.
Essa avaliação nos mostra que ainda temos muito que avançar e construir, mas isso, sem dúvida, depende de uma mudança de postura coletiva, inclusive, com uma melhor avaliação dos brasileiros no momento de escolha dos nossos representantes. Sobre esse tema, muito ainda temos que discutir, como o financiamento público de campanha, por exemplo.
No nosso Sistema Confea/Crea lançamos, em parceria com organizações profissionais e empresariais, o Movimento Anticorrupção da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, que nasceu da nossa convicção de que as práticas de corrupção existentes no campo de atuação das nossas profissões devem ser combatidas de forma coletiva e articulada.
Num esforço e na mesma linha de combate à corrupção, o Instituto Ethos lançou o Programa Jogos Limpos para a Copa e Olimpíadas. Uma ação que o Confea aplaude e reconhece como importante para mantermos a transparência e o controle público dos processos de contratação.

Marcos Túlio de Melo
Presidente do Confea






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