Modelo energético sustentável para a Amazônia

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Os biomas amazônicos brasileiros, bem como o cerrado, o Pantanal e a Mata Atlântica foram e são perdidos da forma mais bárbara e burra de que se tem notícia. Os destruidores impunes das florestas brasileiras estão contabilizando trilhões de dólares de débitos globais, ao serem estas queimadas causando assoreamento de rios; a perda da água doce; gigantescas emissões de CO² e a perda totalmente inconcebível da rica e última biodiversidade do planeta.

 

 

Os efeitos desta ufanista destruição coletiva são os danos catastróficos à humanidade, com muito sofrimento, mortes e miséria imposta à bilhões de famintos do Planeta Terra. Essa destruição se torna cada vez mais  inconseqüente, quando os bens naturais coletivos transformam-se em lucros privados de extremas minorias.

 

 

Esse quadro dantesco pode ser revertido por um modelo sustentável e com a adoção de políticas públicas compatíveis. O modelo prevê o uso parcimonioso e planejado dos recursos naturais em beneficio da humanidade e principalmente, embenefício do povo brasileiro. Existe um cenário mundial favorável para tais mudanças. 

 

 

A simplicidade de uso dos recursos naturais das florestas tropicais que estão sendo queimadas diariamente é o facilitador de sua adoção, beneficiando o proprietário rural, as madeireiras e os municípios da fronteira e região de queimadas.

 

 

A proposta é alterar a matriz energética da Amazônia. Passa-se de uma matriz energética suicida para a sustentabilidade energética. A biomassa perdida pelo fogo se transformará no combustível que produzirá a energia elétrica. Assim, milhões de metros cúbicos de resíduos de madeira das serrarias e  os milhões de metros cúbicos de resíduos resultantes da explotação florestal deixariam de ser simplesmente queimados, não poluindo mais a atmosfera, evitando o aumento dos gravíssimos problemas de saúde pública.

 

 

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No modelo, o óleo BPF e o óleo Diesel – queimados em motores que suprem de energia o sistema produtivo, são substituídos por resíduos de madeira e  sobras das toras e árvores perdidas pela explotação florestal.  A energia sustentável virá desse reaproveitamento da biomassa, queimada em caldeiras, produzindo vapor d’água, acionando turbinas e gerando energia elétrica. Toda a energia elétrica produzida e não utilizada pela madeireira poderá ser vendida para a distribuidora e injetada na rede, proporcionando um faturamento limpo até então desperdiçado.

 

 

Há chances da produção de energia elétrica pelo uso da biomassa superar os 30% do faturamento total da organização. Graças à substituição da matriz energética e se considerarmos as amplas possibilidades do MDL, os créditos de carbono vendidos representarão outra impressionante fonte de renda permanente. Esses créditos são gerados pela substituição do BPF e Diesel por serragem, cepilho, costaneiras, pontas de toras, toras ocas, restos de galhadas da colheita de árvores, entre outros transformados em energia alternativa limpa. O protocolo de Quioto, que está em regime de aperfeiçoamento, permite tais rendas a nível internacional.

 

 

Além da alteração da matriz energética, recomendo outras alternativas de renda que podem ser implementadas com tecnologia disponível no Brasil. Um exemplo é a peletização dos resíduos da biomassa. Outro é a utilização dos resíduos da biomassa para a produção limpa e licenciada de carvão vegetal, com recuperação do alcatrão e dos ácidos pirolenhosos, matéria prima da indústria química.
Os clientes potenciais do modelo proposto são as serrarias, madeireiras, o próprio MST e  INCRA nos projetos de reforma agrária; consórcios de serrarias e de proprietários rurais; cooperativas de agricultores e de pecuaristas, que atuam na fronteira agrícola em desmatamento pelo fogo, quando da abertura de propriedades visando tão somente a soja, cana-de-açúcar ou criação de gado.

 

 

 Eng°. Agrº. Gert Roland Fischer
(CREA-SC 001288-4)
gfischer.joi@terra.com.br

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