Mobilidade em Santa Catarina é apresentada na abertura do Colégio de Presidentes
O tema mobilidade, que preocupa e que se tornou um gargalo em muitas cidades brasileiras, foi o foco das discussões da primeira palestra da reunião do Colégio de Presidentes, que acontece de 16 a 18.05, em Florianópolis. Com o tema "Política de Desenvolvimento de Transporte Logístico do Estado de Santa Catarina", o presidente do Departamento de Infraestrutura e Transporte de Santa Catarina (Deinfra-SC), Paulo Roberto Meller, falou sobre os principais gargalos no estado, em especial na Região Metropolitana de Florianópolis.
Mesmo ocupando somente 3% do território nacional, Santa Catarina figura hoje como o estado com o maior índice de acidentes em rodovias do Brasil. Não bastasse o elevado número de acidentes, na grande Florianópolis, 72% dessas ocorrências envolvem motocicletas. “Essa é uma questão de saúde pública”, disse Meller.
Nas estradas, para o atendimento de uma população de 6 milhões de habitantes, com uma frota de 3 milhões de veículos, e mais 800 mil motocicletas, o estado possui 6.300 quilômetros de rodovias estaduais, das quais 75% são pavimentadas, com somente sete dos seus 293 municípios sem pelo menos uma ligação de asfalto.
Por sua particularidade geográfica, Florianópolis – que é uma ilha ligada ao continente por apenas duas pontes –, sente com o fluxo dos 482 mil veículos integrantes da frota da sua Região Metropolitana, formada por mais três municípios. A ligação entre o continente e a ilha expõe e evidencia as dificuldades causadas pelo gargalo da mobilidade no estado. “Para agravar a situação, 78% dos veículos trafegam com somente um passageiro”, afirmou Paulo Meller.
“A solução para nosso gargalo, existente em outras cidades brasileiras, passa pelo transporte de massa. Se esse não for eficiente, continuará sobrecarregando as vias públicas”, advertiu o palestrante.
Ainda na grande Florianópolis, a BR-101 é o terceiro pior ponto em índice de congestionamento do país. “Hoje estamos completamente preocupados com essa questão, pois ainda temos outros gargalos nas BRs-470 e 280, já que as duas pontes que nos ligam ao continente foram projetadas para um fluxo, cada uma delas, de 40 mil veículos/dia. Por elas passam atualmente 178 mil veículos/dia. Sem dúvida uma equação difícil de solucionar”, afirmou Meller.
Soluções – Segundo o palestrante, Santa Catarina está duplicando alguns acessos, a exemplo da SC-401 e do acesso ao aeroporto – importante via de ligação com as praias do litoral sul do estado, que atraem um grande volume de turistas. “Para se ter uma ideia das dificuldades que temos, no ano de 2009 limitamos a entrada de turistas, permitindo três mil voos charters, em função das questões de logística do aeroporto e também da nossa logística interna”, disse o palestrante.
Na restauração da Ponte Hercílio Luz, que tem 85 anos de vida e desde 1982 está interditada, o estado precisa investir R$170 milhões para devolver a ponte à população e permitir o fluxo de veículos. Desde que foi interditada, foram investidos R$ 65 milhões em manutenção. “Essa ponte vai permitir que desafogue o fluxo nas duas outras pontes existentes”, afirmou Meller.
De acordo com Paulo Meller, hoje há no estado R$ 1,3 bilhão de contratos em andamento, sendo R$ 400 milhões para fazer a revitalização das estradas que necessitam. “Esses investimentos vão permitir mais segurança. Temos três pontos críticos no estado. Estamos preocupados, ainda mais por sermos recordistas em acidentes. Não tenho dúvida de que a BR 101 é uma das responsáveis pelo elevado número de acidentes”, afirmou, ao revelar que Santa Catarina tem 139 pontos críticos, com 76% dos acidentes nesses pontos críticos.
Fonte: Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea







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