Marina Silva lança mão do princípio da precaução para previr aquecimento global

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Em Florianópolis, participando da 68ª Soeaa, a ambientalista diz que a sociedade sofre crise de valores éticos

Precedida pelo meteorologista Luiz Carlos Molion, defensor do CO2, e  crítico da economia de baixo carbono que segundo ele é "uma falácia" , a ambientalista Marina Silva lançou mão do princípio da precaução para dizer que "se 95% acreditam nos malefícios do aquecimento global e 5% não acreditam, está claro que não temos certeza dos reflexos disso no planeta, então é melhor prevenir", concluiu.

Ao participar como palestrante da 68ª Soeaa, falando sobre Pesquisa e Inovação na Solução dos Desafios Ambientais, a ex-senadora citou Hannah Arendt para lembrar que a humanidade tem "enorme dificuldade em lidar e reagir diante do irreversível e do imprevisível".

Ela explicou que o irreversível pode ser perdoado, e que o irreversível só pode ser evitado com o compromisso, a promessa. Para Marina, "não podemos pagar para ver o planeta aquecer dois graus Celsius como prevêem alguns cientistas".

Marina atribui a crise econômica iniciada nos Estados Unidos em 2008 e que provocou milhares de desempregos mundo afora, a uma "crise de valores éticos". E propôs que as pessoas "não façam diferente, mas sejam diferentes".

Ao falar para uma platéia atenta, a ex-senadora arrancou aplausos durante a palestra, exerceu seu carisma nato e provocou o publico com questões que  mesmo sem respostas imediatas, provocam reflexões sobre como cada um pode agir, mudar de atitude, para evitar que o planeta sofra as conseqüências do imprevisível.

Arrogância – Do painel, além de Molion e Marina, fez parte o professor Saulo Rodrigues Pereira Filho, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Visivelmente orgulhoso do trabalho do CDS, criado há 15 anos e que já formou 500 mestres e doutores em desenvolvimento sustentável, Saulo defendeu a "interdisciplinariedade" para enfrentar as questões que afetam o meio ambiente.

Geólogo formado há 25 anos, ele lembrou que há 25 anos, o curso de Impactos Ambientais foi considerado coisa da moda e que iria passar. "Não passou,  nem vai passar", disse Salulo, para quem "nossa relação com a natureza precisa ser menos arrogante".

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