Mapeamento do Fluxo de Valor: Uma análise que esclarece

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Flavio Alberto Haussen
haussen@portoweb.com.br

Em uma ocasião ao longo de minha vida profissional me deparei com uma situação curiosa. Eu era gerente de uma multinacional e fomos obrigados a definir um prazo muito longo para entregar um produto.  Pouco mais tarde, o presidente da empresa perguntou como era possível que algo que levava apenas algumas horas para ser produzido necessitasse de tanto tempo para ser entregue. 

Expliquei, então, que estávamos com um volume muito grande de pedidos, sendo que alguns já atrasados, a fábrica estava operando no seu limite com vários turnos e que, portanto, não era possível antecipar o prazo sob pena de desestabilizar ainda mais todo o sistema.  A empresa fabricava produtos de alta precisão e em pequenas quantidades. Ele compreendeu as dificuldades e apoiou a decisão. Jamais esqueci este diálogo porque à medida que justificava a situação uma dúvida se formava.  Havia algo que não fechava. 


Naquela época as fábricas estavam sempre sobrecarregadas de materiais, ordens de trabalho fragmentadas e, paradoxalmente, uma quantidade imensa de produtos incompletos.  Tentava-se controlar tudo, mas a lógica operacional vigente nos conduzia sempre para a vizinhança do caos.  E não era por falta de esforço – trabalhava-se muito.


Tempos depois, ao fazer palestra a respeito do “Sistema Toyota”, fui prejudicado pelo apresentador que me antecedeu que ultrapassou em muito o tempo previsto.  Fui obrigado a improvisar. Resumi minha apresentação a uma linha vertical e expliquei que para melhorar o desempenho de uma empresa tínhamos que analisar todos os desperdícios que prejudicavam o processo, desde a entrada do pedido até sua entrega.

Por coincidência estava na plateia o diretor da fábrica que mencionou uma palestra que havia assistido nos Estados Unidos a respeito de um processo que se encerrava com o encurtamento da linha de tempo entre o pedido e a entrega, similar ao que eu havia apresentado.  Ele me cedeu o material apresentado no seminário e conheci então o “Mapeamento Fluxo de Valor”.  Ali estava o elo perdido.  Desde então inclui o treinamento e a aplicação deste instrumento em meus cursos. Com frequência, ao concluir um trabalho prático de mapeamento as pessoas envolvidas se surpreendem com os resultados. 


Mas afinal o que é o mapeamento?  Trata-se de um processo que permite visualizar simultaneamente o caminho dos materiais e o das informações que determinam a fabricação de um produto. Em geral desenhado em uma folha A3, encontramos na metade inferior o fluxo dos materiais e na metade superior o fluxo das informações.  O conjunto proporciona uma mudança de uma visão vertical para uma visão horizontal, olhando através das estruturas verticais dos departamentos e das funções para conectar horizontalmente os fluxos e as atividades.
 

A partir desta análise inicial, e utilizando os princípios do Sistema Enxuto, torna-se possível projetar uma nova situação onde são eliminados os obstáculos ao fluxo e, sistematicamente, os desperdícios.  Definimos desta forma um novo mapa que resultará em uma situação futura mais eficiente.


Apesar de se tratar de instrumento poderoso, não podemos esquecer de que se trata apenas de um instrumento.  As mudanças reais somente ocorrem através da implementação efetiva do que foi proposto. É a hora de agir, de implantar o que foi definido.  Novamente o mapeamento nos ajuda, possibilitando implantar as mudanças em etapas.  Mas atenção: um projeto poucas vezes é perfeito – a prática sempre nos surpreende.

Por isso é importante nos assegurar, ao iniciar, que possuímos as condições necessárias para o acompanhamento e ajustes posteriores.  Isto exige persistência e um conhecimento maduro do produto e do processo de fabricação. Hábitos antigos serão alterados e a tendência de retornar ao que era antes é intensa.  Tomando estes cuidados, siga em frente e, à medida que as alterações forem se consolidando, você se surpreenderá. Novas oportunidades se descortinarão, possibilitando um ciclo estruturado de melhorias contínuas. Esta é a parte mais estimulante do processo.

 


 

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