Livro reúne homenagens ao engenheiro agrônomo Glauco Olinger pelos seus 104 anos

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Publicação reúne cartas de instituições que reconhecem a trajetória do profissional, pioneiro da extensão rural em Santa Catarina e cofundador da Embrapa

 

O engenheiro agrônomo Glauco Olinger completa 104 anos nesta quinta-feira (17.09), data que será marcada pelo lançamento do livro Cartas a um Engenheiro Centenário: do Campo e da Cidade. A publicação reúne cartas de órgãos e instituições que prestam homenagem ao profissional, reconhecendo sua contribuição para a agricultura, a educação, a extensão rural e o desenvolvimento de Santa Catarina e do Brasil. O livro tem a gestão e organização de Adriana Tomazi Alves e Aline Cardozo Pereira, e projeto gráfico e diagramação de Cátia Klöhn e Renan Lunardello. Acesse aqui a publicação.

 

 

Nascido em Lages, em 17 de setembro de 1922, Glauco Olinger construiu uma trajetória de mais de sete décadas dedicada ao conhecimento, à gestão pública e à transformação da realidade no campo. Sua atuação inclui a criação de estruturas de extensão rural, a participação na fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a contribuição para a formação de profissionais da área agronômica.

 

 

A publicação reúne manifestações de reconhecimento de instituições que fizeram parte dessa caminhada e que destacam a permanência de seu legado entre diferentes gerações.

 

Eng Glauco Olinger

 

Crea-SC celebra trajetória dedicada à agricultura e ao campo brasileiro

 

Entre as homenagens presentes no livro está a carta do Crea-SC, que destaca a dedicação de Glauco Olinger ao conhecimento, à agricultura e à extensão rural.

 

 

“O Crea-SC celebra os seus 104 anos e, sobretudo, uma vida marcada pela dedicação, pelo conhecimento e pelo compromisso com a agricultura e o campo brasileiro.”

 

 

A mensagem ressalta que a trajetória do engenheiro ultrapassa a passagem do tempo e se transforma em legado, reconhecendo sua participação na construção de caminhos, na abertura de oportunidades e na transformação de realidades em Santa Catarina e no Brasil.

 

 

O Crea-SC também destaca a importância de sua atuação na aproximação entre o conhecimento e as pessoas que vivem e produzem no campo, contribuindo para consolidar uma cultura de transformação que permanece inspirando novos profissionais.

 

 

Para o presidente eng. Kita Xavier, a homenagem representa o reconhecimento de uma trajetória que se confunde com parte importante da história da agricultura catarinense.

 

 

“Homenagear o engenheiro agrônomo Glauco Olinger é reconhecer uma trajetória que se confunde com parte importante da história da agricultura, da agronomia e do desenvolvimento de Santa Catarina. Sua dedicação ao conhecimento, à educação e à extensão rural ajudou a transformar a vida no campo e deixou um legado que ultrapassa gerações. Para o Crea-SC, participar desta publicação é uma forma de expressar nossa admiração, respeito e gratidão por tudo o que o professor Glauco construiu e continua representando para os profissionais e para a sociedade.”

 

 

O engenheiro também foi homenageado com a Medalha do Mérito Catarinense e a Medalha do Mérito Nacional do Sistema Confea/Crea, reconhecimentos que integram sua trajetória de contribuições à agronomia e ao desenvolvimento da agricultura.

 

Recebendo a Medalha do Mérito do Sistema /Confea/Crea e Mútua em 2023

Da extensão rural à criação da Embrapa

 

Formado engenheiro agrônomo pela Universidade Rural de Viçosa, em 1946, e economista rural pelo Instituto Superior de Economia Rural e Organização, Glauco Olinger também se especializou em Engenharia Rural, em 1948, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e em Extensão Rural, em 1956, pelo Centro de Treinamento de Ipanema.

 

 

Sua escolha pela Agronomia esteve relacionada à infância vivida em meio à atividade rural, ao contato com a criação de animais e à influência de um amigo que havia ingressado no curso um ano antes. Após a formação em Minas Gerais, retornou ao Sul do país e se tornou um dos principais articuladores da criação do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

 

Entre os feitos que mais destaca está a fundação da extensão rural em Santa Catarina. Olinger participou da criação de entidades estaduais e nacionais de assistência técnica e extensão rural, incluindo a estrutura que deu origem à atual Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

 

 

“Fui fundador da extensão rural em Santa Catarina”, afirma o engenheiro, ao relembrar uma das realizações mais importantes de sua carreira.

 

 

Sua concepção sobre o papel da extensão rural também é marcada pela integração entre pesquisa, ensino e assistência técnica.

 

 

“Pesquisadores dedicam-se à descoberta de novas plantas e animais cada vez mais produtivos, sem danos ao meio ambiente. Agentes de extensão rural popularizam os bons resultados alcançados pelos pesquisadores. O contato permanente entre pesquisadores e extensionistas é imprescindível e indissociável.”

 

 

A experiência profissional de Olinger ultrapassou as fronteiras brasileiras. Ele implantou conceitos e métodos de extensão rural em Angola, atuou como avaliador da reforma agrária na Alemanha e representou o Brasil em encontros da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), voltados à extensão rural e ao crédito rural.

 

 

Gestão pública e contribuições para a agricultura catarinense

 

A trajetória de Glauco Olinger inclui ainda a atuação como secretário estadual da Agricultura durante dois governos, entre as décadas de 1960 e 1970, período em que também ocupou a Secretaria Estadual de Educação. Foi cofundador da Embrapa, em 1973, e presidente da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), entre 1980 e 1985.

 

 

Uma das histórias que recorda com orgulho é a contribuição para a expansão da produção de maçãs em Santa Catarina. Segundo seu relato, sua capacidade de negociação com autoridades públicas ajudou a viabilizar uma linha de financiamento para o cultivo da fruta no estado, em uma articulação que envolveu o então ministro da Fazenda, Delfim Netto.

 

 

A longevidade não representa, para ele, um encerramento da busca por novos projetos. Aos cem anos, quando questionado sobre a realização de seus propósitos profissionais, respondeu:

 

 

“Quem achar que realizou todos os seus propósitos e se presta ao ócio está morto e não sabe.”

 

 

A declaração foi acompanhada pela lembrança de que já havia escrito 17 livros, estava imprimindo o 18º e já tinha uma ideia para o 19º, dedicado às tratativas que deram origem à Embrapa, da qual é cofundador.

 

 

O livro Cartas a um Engenheiro Centenário: do Campo e da Cidade se soma a esse legado de produção intelectual e reconhecimento institucional, reunindo homenagens que celebram uma vida dedicada à agricultura, à Engenharia Agronômica e ao desenvolvimento de Santa Catarina.

 

Ficha Técnica:

Título do livro: Cartas a um Engenheiro Centenário: do Campo e da Cidade

Projeto gráfico e diagramação: Cátia Klöhn e Renan Lunardello

Ilustração da capa: Renan Lunardello

Revisão e editoração: Juliana Fachin

Foto: Adriana Tomazi Alves

Imprensa: Isabela Schwengber

Gestão e organização: Adriana Tomazi Alves e Aline Cardozo Pereira

 

Currículo

 

Engenheiro agrônomo pela Universidade Rural de Viçosa, economista rural e especialista em Engenharia Rural e Extensão Rural, Glauco Olinger atuou como administrador da Colônia Agrícola General Osório, fundador do Serviço de Extensão Rural em Santa Catarina e cofundador da cidade paranaense de Francisco Beltrão, em 1952.

 

Foi secretário estadual da Agricultura e da Educação, presidente da Embrater, fundador e diretor do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, onde também exerceu a função de pró-reitor de Planejamento.

 

Participou da fundação da Embrapa, integrou conselhos estaduais e nacionais ligados à agricultura, à educação e à extensão rural e atuou como consultor da FAO, da Epagri e de programas de desenvolvimento agrícola. Sua trajetória inclui ainda a docência, a gestão universitária e a participação em iniciativas de assistência técnica, pesquisa e planejamento público.