Fórum de Educação no CREA Summit 2026 debate inovação e estratégias para o ensino da Engenharia em SC

Evento reuniu lideranças acadêmicas e do setor tecnológico para discutir o combate à evasão e o fortalecimento da formação profissional no estado
Por Juliana Galliano
Fotos Paulo França
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O segundo dia do CREA Summit 2026 iniciou com um debate estratégico sobre o futuro das profissões tecnológicas. O Fórum de Educação, realizado nesta sexta-feira como um dos principais pré-eventos da programação, reuniu reitores, especialistas e profissionais para discutir o “apagão” de mão de obra qualificada e as transformações necessárias no ensino superior para atender às demandas da nova economia baseada no conhecimento. O Crea Summit tem o apoio da Mútua e Confea.

A abertura foi conduzida pelo presidente do CREA-SC, Eng. Kita Xavier, que destacou os desafios estruturais enfrentados pelo setor. Em sua fala, Kita enfatizou a urgência de combater a evasão acadêmica e elevar o padrão de qualidade dos egressos para suprir a demanda do mercado. “Temos grandes desafios porque a engenharia vive hoje um apagão de mão de obra e problemas de permanência dos alunos. Queremos discutir com vocês a valorização das instituições de ensino de qualidade. Hoje viramos a página em Santa Catarina ao criar o Selo de Conformidade para sermos parceiros — CREA, instituições e mercado. Vamos escrever juntos essa história para transformar a sociedade”, afirmou.

A primeira palestra, ministrada pelo Prof. Dr. Eng. Modesto Hurtado Ferrer, da UFSC Joinville, abordou a transição para uma economia fundamentada no capital humano e na ciência. Ferrer apresentou os cinco pilares da competitividade — que incluem o uso de tecnologia e o impulso empreendedor — e alertou que muitas instituições ainda oferecem currículos estagnados há 15 anos. Segundo o professor, o desafio atual é formar profissionais capazes de identificar problemas complexos e construir soluções que gerem impacto real, citando como exemplo os 28 projetos de startups desenvolvidos na UFSC como prova de que o modelo de ensino tornou-se mais interativo.

Na sequência, o Prof. Dr. Eng. Claudio Alcides Jacoski, Reitor da Unochapecó, explorou o modelo das universidades comunitárias como motores de desenvolvimento regional. Diferente das instituições estatais ou privadas com fins lucrativos, as comunitárias focam no reinvestimento total de seus recursos na própria comunidade, o que auxilia na retenção de talentos e na resolutividade de problemas locais. Jacoski reforçou que a inovação é uma necessidade de sobrevivência para qualquer setor que busque progredir no cenário atual.

O paradoxo entre o avanço da indústria catarinense e o decréscimo de interesse pela engenharia foi o tema central da Prof.ª Mestra Eng.ª Márcia Sardá Espíndola, Reitora da FURB e presidente da ACAFE. Ela defendeu a necessidade de integrar a inovação diretamente ao ensino, mostrando aos futuros engenheiros que eles podem e devem inovar na resolução dos problemas da sociedade. Reforçando que a educação é o motor que gera desenvolvimento, Márcia destacou o papel da Fapesc como uma grande parceira das universidades nessa jornada.
Segundo a reitora, o foco deve ser fortalecer a base acadêmica e conectá-la permanentemente ao mercado e aos centros de inovação, especialmente nas áreas mais procuradas atualmente, como energias renováveis, cidades inteligentes, mobilidade elétrica e inteligência artificial. Para a reitora, o diferencial de Santa Catarina está justamente na força do sistema comunitário para interiorizar o ensino e manter essa conexão viva.

O fórum encerrou-se com uma mesa-redonda entre os palestrantes, seguida pela apresentação oficial do Selo de Conformidade do CREA-SC. O programa visa reconhecer cursos de graduação e pós-graduação pelo relacionamento institucional e alinhamento com as exigências éticas e legais do Conselho. A iniciativa encerra o evento como um passo concreto para garantir que a engenharia catarinense continue sendo referência em excelência e impacto social.







