Fissuração do Concreto devido às Tensões de Origem Térmica: Como evitá-la?
Com o advento da verticalização cada vez mais significativa das edificações surgem também grandes desafios para as estruturas de concreto, com destaque para as fundações. Em edifícios amplos é muito comum se deparar com fundações continuamente mais robustas, onde enormes blocos de coroamento, radiers e sapatas com dimensões avantajadas exigem cuidados especiais tanto do projetista, como do responsável técnico da obra. A elevada inércia desses blocos é decorrente dos seus significativos volumes lançados de concreto, demandando especial atenção antes, durante e depois da concretagem.
Já é conhecido no meio técnico que elevados volumes de concreto quando lançados em curto intervalo de tempo podem aumentar significativamente a temperatura da fundação, em decorrência do calor emanado da hidratação do cimento e ainda da reação advinda de outras adições. Esse calor tende a se acumular significativamente no maciço a ponto das tensões oriundas desta elevação de temperatura ultrapassarem a resistência mecânica do concreto
O que se percebe nos dias atuais é que, em grande parte dessas fundações com volumes avantajados, as concretagens ainda estão sendo executadas de forma equivocada, adotando-se as mesmas técnicas dedicadas a uma fundação convencional, o que é um grande erro. O efeito das tensões geradas pelo calor exalado durante e após a concretagem pode provocar preocupantes fissuras capazes de seccionar uma sapata.
Desta forma, torna-se imprescindível planejar adequadamente por meio de um especialista o processo da concretagem, incluindo: ajuste do traço do concreto, definição das formas de lançamento (período do dia, execução em camadas, cura diferenciada, etc.), podendo chegar a estabelecer a pré ou pós-concretagem (mistura de água resfriada ou gelo em escamas no concreto fresco; e circulação de água em serpentinas internas ao concreto depois de lançado, respectivamente). Estes processos de resfriamento possuem a função de extrair o excesso de calor gerado nas primeiras idades do concreto a fim de reduzir as tensões térmicas e, conseqüentemente, o risco de fissuração.
É lógico que esses processos de resfriamento forçado são soluções mais sofisticadas e requerem maior investimento, muito embora o custo/benefício tem demonstrado ser cada vez mais interessante quando as fundações envolvem vultuosos volumes de concreto em uma mesma peça estrutural (acima de 100m3), além do limitado tempo de execução da concretagem.
Por outro lado, em muitos casos as soluções podem apresentar menor custo, contanto que haja o auxílio de um especialista para estudar a alternativa de melhor viabilidade técnica e econômica que o caso requer.
Algumas ações são elencadas a seguir:
- Selecionar os materiais que compõem o concreto: substituição parcial do cimento por adições minerais, uso de agregado com menor módulo de elasticidade, de aditivos superplastificantes para aumento da eficiência do concreto reduzindo o consumo de cimento, etc;
- Dimensionar a concretagem em camadas (espessura, intervalo e temperatura de lançamento);
- Definir o horário do dia para início e fim das concretagens;
- Definir fôrmas com propriedades isolantes;
- Definir tipo de cura que dificulte a perda de calor após a hidratação do cimento; etc.






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