Desafios para formação multidisciplinar do Engenheiro de Produção

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Fernando de Oliveira Lemos
Professor da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
fernando.lemos@pucrs.br

Os profissionais de Engenharia de Produção, egressos de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas, enfrentam desafios constantes, estabelecidos pelas mudanças mercadológicas e pelos padrões de qualidade e produtividade vigentes no ambiente empresarial. Uma das consequências das demandas atuais do mercado de trabalho é a mudança na lógica de formação dos futuros engenheiros de produção nas IES.


O mercado de trabalho para o engenheiro de produção tem-se mostrado diversificado, com organizações dos mais diversos setores (Financeiro, Atuarial, de Tecnologia de Informação, de Marketing, de Logística, entre outros) interessadas na contratação deste profissional. O interesse de empresas do setor de serviços pelo profissional de engenharia é uma tendência mundial; desta forma, deve haver uma preocupação das IES em preparar os profissionais de engenharia para a demanda futura do mercado de trabalho.


Os profissionais de Engenharia de Produção devem ser capazes de promover a integração entre mercado, produto e processo. O foco, assim, volta-se para uma formação acadêmica não exclusivamente técnica, mas diversificada, apoiada em critérios de multidisciplinaridade do conhecimento e multifuncionalidade de competências, fluência na comunicação, sensibilidade humanística e criatividade.


O mercado atual demanda um profissional de Engenharia de Produção com as seguintes características, além do conhecimento profissionalizante: visão sistêmica, conhecimento de técnicas de processamento de informações, formação em tecnologias básicas, capacitação para negociar com clientes e/ou fornecedores, habilidades para trabalhar em grupo, liderança, atitudes criativas e inovadoras, facilidade de adaptação a mudanças, iniciativa para resolver problemas, capacidade de administrar conflitos, perfil empreendedor, bom relacionamento interpessoal, habilidades de comunicação escrita e oral, noções de política e cultura geral, capacidade de aprendizagem contínua, domínio de informática, postura ética e  fluência em inglês técnico e comercial.

Algumas destas habilidades independem dos conteúdos curriculares do curso de graduação e, em geral, correspondem a habilidades pessoais do engenheiro de produção.


A formação de um profissional está intimamente relacionada ao projeto pedagógico proposto pelas IES. Um projeto pedagógico deve demonstrar claramente como o conjunto das atividades previstas durante o curso de graduação garantirá o perfil desejado de seu egresso e o desenvolvimento das competências e habilidades demandadas pelo mercado de trabalho.


As IES devem planejar um currículo dinâmico, definindo o que se deve aprender em função do perfil desejado do egresso, das diretrizes curriculares do curso e da leitura da realidade na qual o curso e os estudantes estão inseridos. Uma aproximação entre as IES e as empresas de manufatura e serviços é fundamental para a construção de currículos atuais e dinâmicos, que potencializem a empregabilidade dos egressos. Esta é mais uma oportunidade para uma aproximação efetiva entre a Academia e o meio empresarial.

 

REFERÊNCIAS
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BIDANDA, B.; ARISOY, O. & SHUMAN, L. J. Offshoring manufacturing: Implications for engineering jobs and education: A survey and case study. Robotics and Computer-Integrated Manufacturing, Vol. 22, p. 576-587, 2006.
SANTOS, L. C. & DUTRA, A. R. A. Projeto pedagógico e tendências de mercado: desafios para a formação profissional do engenheiro de produção. XXV Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Porto Alegre, RS, 2005.
TREVELIN, A. T. C. & COLENCI JR, A. Uma contribuição aos tratamentos sistêmicos e metodológicos dos cursos superiores de graduação em tecnologia: a busca por uma adequada metodologia de ensino-aprendizagem. XXIV Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Florianópolis, SC, 2004.
WEI, J. Engineering education for a post-industrial world. Technology in Society, Vol. 27, p. 123–132, 2005.

 

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