Cabotagem no Brasil e sua relação com os navios grandes

Adm. Clara Rejane Scholles
Consultora e diretora da Pratical One Ltda.
rejane.scholles@praticalone.com
 
 
A cabotagem no Brasil, o transporte marítimo entre portos brasileiros, é o modal que mais rapidamente consegue modificar a matriz de transportes brasileira e servir como complemento de cobertura portuária para aqueles portos em que os maiores navios não conseguem atracar. 
 
A estrada está pronta: são 10 mil quilômetros de costa navegável, incluindo o rio Amazonas. Contando com três operadores, a cabotagem de produtos em contêineres vem crescendo ao redor de 8% ao ano e tem recebido investimentos importantes em navios novos. Enquanto Mercosul, Line e Aliança importaram navios novos, a Log-In vem investindo na sua construção no Brasil. 
 
O modal traz contribuições econômicas, ambientais e sociais à matriz de transportes brasileira. A economia pode ser observada em vários aspectos: nos valores de fretes, no reduzido índice de avarias e roubo de cargas, no menor consumo de combustível. Na medida em que os navios usados na cabotagem se tornarem maiores, os efeitos positivos serão ainda maiores.
 
O meio ambiente se beneficia pela redução de emissões de poluentes e uso de vias naturais com baixo impacto de implantação. A contribuição social está na oportunidade de redução de acidentes e mortes nas estradas brasileiras e dos custos relacionados com eles.
 
Traçando um paralelo com a navegação de longo curso, o emprego de navios cada vez maiores, que transportam mais contêineres por viagem, muda as condições de competitividade. Hoje, há navios de 335 metros de comprimento de até 9.600 teus e, muito em breve, haverá navios de 366 metros e 12.000 teus escalando os portos brasileiros. 
 
O navio maior traz uma série de desafios. Seja no preparo do terminal, com área física mais extensa, equipamentos com mais alcance e quantidade, necessidade maior de calado e capacidade de receber e entregar mais contêineres. Como a ferrovia é quase inexistente, o caminhão precisa dar conta disso, gerando consequências graves para a mobilidade nos acessos portuários. 
 
Mas não é somente isso. Nem todos os terminais vão seguir recebendo esses navios. Ou porque não têm volume de carga que justifique a escala, ou porque sua condição operacional impede esse navio de operar. Para aqueles portos que não poderão receber os navios maiores, a cabotagem é a solução e pode fazer o chamado “feeder”, a alimentação e distribuição das cargas do navio grande na exportação e importação. 
 
Vemos que a cabotagem é solução hoje e continuará sendo a alternativa sustentável de longo prazo para o transporte nacional de longas distâncias, além de ampliar a cobertura do transporte marítimo internacional, melhorando a competitividade dos produtos brasileiros. É um ganha/ganha para operador, embarcador, importador, transportador rodoviário, poder público, meio-ambiente e população em geral. 
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