A força feminina na área tecnológica

Mulheres que trabalham, encorajam, lideram e demonstram toda a sua força e dedicação, compartilham suas vivências na segunda entrevista, da série “Mulheres Inspiradoras na área tecnológica”
No Dia Internacional das Mulheres na Engenharia comemorado em junho, homenageamos as mulheres que escolheram essa área, tão dominada por homens, para seguir profissionalmente e onde as discussões acerca de equidade de cargos e salários tomam força.
Porém, esse debate deve ir muito além do mês em que a data é celebrada. Por isso, o CREA-SC decidiu abordar a temática até o fim do ano, com a série de entrevistas “Mulheres Inspiradoras na área tecnológica”.
Assim como no 1º Ciclo de Entrevistas, conversamos com quem faz parte dos 19% de profissionais registradas no CREA-SC ativas. Mulheres, engenheiras, profissionais extremamente competentes e dedicadas, que servem de inspiração para as novas gerações que estão por vir. São elas: Giziane de Brito, Maria da Paz, Fernanda Meybom, Ivone Cancellier, Deodete Packer Vieira, Isabelle Nami Regis e Ingrid Luiza Reinehr.
Acompanhe agora, um pouco mais sobre elas, seus desafios e conquistas!

Engenheira Civil e de Segurança do Trabalho Maria da Paz – Assessoria Técnica CREA-SC
“Com certeza há um longo caminho até alcançarmos um equilíbrio profissional. Mas vejo que a causa não está ligada apenas à profissão. Os paradigmas precisam ser trabalhados desde muito cedo, na formação infantil. Não existe profissão para masculino ou profissão para feminino, o que deve prevalecer é a competência.
Sou otimista, vejo um cenário bem diferente do que quando iniciei, com engenheiras atuando em todas as áreas, campanhas e programas dentro do Sistema Confea/Crea, direcionados às profissionais.
Por isso precisamos da participação efetiva das mulheres no Sistema, como Conselheiras, Coordenadoras e Presidentes, para derrubar preconceitos, se posicionar profissionalmente e provar que competência não está relacionada a gênero.”

Engenheira Civil Giziane de Brito – Conselheira do CREA-SC
“Engenharia é, para mim, encontrar a solução para qualquer problema. Eu gosto de trabalhar com projetos, desde criança eu fazia projetos e nem sabia.
Na nossa área, vejo que muitas pessoas pensam que nós, mulheres, sabemos menos que os homens, que somos menos inteligentes que eles e por isso, há um preconceito com engenheiras em obras. Mas, de qualquer forma, venho percebendo que, cada vez mais, as mulheres estão sendo incluídas na profissão.
Mulheres estimulam mulheres, então precisamos trabalhar no meio dos homens, para poder encorajar outras engenheiras. Por isso, a minha mensagem para quem está ingressando no mercado de trabalho é: vista a capa de mulher maravilha e seja magnífica. Não pense “e se?”, só vá e execute da melhor maneira possível.”
Engenheira Agrônoma Isabelle Nami Regis – Coordenadora Técnica da Superintendência
“Deve existir, de fato, uma igualdade salarial para homens e mulheres, sem distinção, e devemos também estimular que as mulheres possam crescer em seus cargos e funções. Quando percebemos que somos valorizadas naturalmente nos dispomos a novos desafios. Talvez seja necessário um trabalho mais profundo (questões culturais mesmo) em demonstrar que nossas habilidades são ilimitadas e que podemos e devemos alçar voos mais altos. E claro, que as mulheres sejam respeitadas em seus conhecimentos e competências.
Me sinto privilegiada por fazer parte de uma empresa que efetivamente valoriza seu corpo funcional por sua competência, sem distinção de gênero. O que faz com que muitas mulheres competentes se destaquem em suas áreas de atuação e cheguem a cargos importantes. Esses exemplos positivos são uma forma muito eficaz de mudar comportamentos e em consequência, a cultura. E principalmente é uma forma de estimular outras mulheres a seguirem esses exemplos.
Mulheres podem e devem ser o que quiserem e ser Engenheira, Engenheira Agrônoma ou Geocientista é apaixonante. São profissões que mudam vidas, constroem caminhos, e alimentam almas. Se arrisquem, se desafiem, se mostrem e acima de tudo acreditem em vocês. O impossível só demora um pouco mais!”

Engenheira Química Fernanda Meybom – Assessoria Técnica CREA-SC
“Quando me formei e entrei no mercado de trabalho, o maior desafio foi perceber que essa área ainda é completamente machista. Em 19 anos de profissão eu percebo que muito pouco mudou e que ainda é muito difícil exercê-la por questões relacionadas à cultura machista que vivemos.
Trabalhar com engenharia ou tecnologia é tentar fazer, diariamente, com que as pessoas reflitam e entendam que, não somos nós quem devemos nos acostumar ao preconceito, ligado a mulheres nestas profissões, mas sim as posturas preconceituosas que devem ser mudadas e excluídas.
Então, faça parte de grupos de mulheres engenheiras, converse, escute, não fique sozinha. A ciência e a tecnologia são para mulheres sim! Essa rede de apoio às mulheres é fundamental para que possamos nos dar suporte e tornar nossa vivência nesse meio algo possível.”

Engenheira Civil Ivone Cancellier – Profissional registrada ao CREA-SC
“Todo início profissional é incerto, mas deve-se levar em conta que para a mulher as situações a enfrentar são mais difíceis. A perseverança é muito importante nesse momento, pois quando você domina seus conhecimentos, não há nada a temer.
Para fortalecer e estimular a expansão de mulheres neste espaço, o Comitê da Mulher, criado pelo CREA-SC, é muito importante, pois promove encontros, cursos e a troca de ideias, para dar segurança às profissionais de Engenharia.
A mensagem que eu deixo para você, engenheira, que está ingressando no mercado de trabalho e no universo corporativo, é: não deixe que seus medos ou incertezas te façam desistir. Siga firme, você consegue!”

Engenheira Mecânica Deodete – Registrada há mais de 50 anos no CREA-SC
“Eu fiz Engenharia Mecânica, uma profissão que era vendida como “da graxa” e, por isso, profissão de homem. Mas desde pequena eu vivia neste ambiente, em uma empresa transportadora, com a minha família. Aos 7 anos de idade já entendia de caminhões, como poucas crianças.
Fui fazer faculdade em Florianópolis e era a única aluna mulher da turma, além de ser a segunda mulher, desde o início do curso. Foram 11 anos entre a primeira mulher a cursar Engenharia Mecânica e eu. Quando eu estava no 5º ano da faculdade, ela voltou do exterior, após concluir seu doutorado. Isso, de certa forma, serviu de inspiração para mim.
O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é ótimo para fazermos uma reflexão e para que possamos cumprimentar umas às outras, pelo progresso que fizemos e estamos fazendo. Além de compartilharmos nossas experiências, desafios e vitórias, pois eventualmente podemos sanar a dor de alguém nesse momento.”

Estudante de Engenharia Química Ingrid Luiza Reinehr – Coordenadora Estadual do CreaJr
Minha maior conquista na área, até o momento, é sem dúvidas, assumir a coordenação do CREAjr-SC, um programa que me auxiliou muito como pessoa, acadêmica e tenho certeza de que me auxiliará muito como profissional.
Acho que apesar de todas as ações, falas sobre a questão de equidade de gênero, esse estigma ainda é muito sólido em inúmeros casos, e as mulheres tendem a ser diminuídas por questões pequenas.
Dentro do programa CREAjr as mulheres são maioria, mas ainda somos questionadas em relação a nossa capacidade de liderar. O que mudou, de alguns anos para cá, foi o fato da nossa voz ser ouvida por mais pessoas e termos, apesar de tudo, mais apoio do que no passado e assim, mais credibilidade.
Cargos importantes com a presença feminina chamam a atenção de jovens lideranças, fomentando o interesse para estar lá. Além de que, essas iniciativas trazem forças para continuarmos nessa jornada. Nós mulheres podemos e devemos ser referências no sistema, na engenharia e na vida. Nosso lugar é onde a gente quiser e fazendo o que a gente quiser fazer.
Mulheres como as nossas entrevistadas servem como exemplo e inspiração e por isso devem ser valorizadas e homenageadas. Em breve nova reportagem da série de entrevistas “Mulheres Inspiradoras na Área Tecnológica”!





