Inovação e estratégia dominam os debates na plenária do Crea Summit 2026

Engenharia catarinense discute tendências globais, produtividade e o novo ecossistema de empreendedorismo do Conselho
Por Juliana Galliano
Fotos Paulo França
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Neste sábado, dia 28 de março, a plenária do Crea Summit 2026 consolidou-se como o centro das discussões sobre o futuro da infraestrutura e da tecnologia no país. O evento reuniu especialistas de renome para um mergulho profundo em cases de alta complexidade, gestão pública e as transformações econômicas que impactam diretamente o setor.
A jornada técnica teve início com o painel “Do Modelo ao Canteiro: 4D Aplicado na Construção do Maior Residencial do Mundo”. Sob a mediação de Leonardo Kock (Cartesian Engenharia), os painelistas detalharam os bastidores do Senna Tower. João Vitor Penido (FG Empreendimentos) impressionou a plateia ao revelar que a eficiência foi dobrada com o planejamento antecipado: “Uma estaca do Senna equivale a três ou quatro tradicionais. À medida que o projeto evolui e trazemos o time para atuar, as incertezas diminuem”, afirmou. Josué da Silva Junior (Talls Solutions) reforçou que o sucesso em projetos monumentais depende de parcerias pautadas pelo compartilhamento de conhecimento: “Optamos por fornecedores que estão dispostos a compartilhar o saber”. Ao encerrar o talk, Kock pontuou que um projeto bem modelado gera resultados reais e mensuráveis no dia a dia da obra.



A manhã seguiu com o painel focado em mercado: “Como vender para entes públicos: do planejamento estratégico a efetivação de contratos na prática”. Nele, Ziegler (Matricial Consultoria), Jaúna Argenta (RBR Capacitações) e Rodrigo Buenavides (RBR Capacitações) desmistificaram o universo das licitações. Enquanto Ziegler comparou a agilidade dos regulamentos internos à Lei das Estatais, Jaúna trouxe dez regras de ouro para precificação, alertando para a necessidade de compliance estruturado. Buenavides, com sua bagagem de pregoeiro, foi enfático ao afirmar que a vitória em um contrato público é um jogo de estratégia que começa muito antes da sessão oficial.


O fator humano foi explorado por Pati Gomes (Athens Gestão e Pessoas) no painel “Gente no centro, negócio no topo: as verdades sobre liderança”. Com uma dinâmica que ativou a ocitocina do público, ela alertou para o desencaixe na cultura corporativa mundial; “Quando as pessoas estão felizes, elas fazem mais. Se quer mudar o resultado, mude a percepção”, destacou. Logo após, a visão internacional foi apresentada por Sofia Miranda (Grupo Casais), no painel “Brasil e Portugal: Engenharia, Cultura Organizacional e Oportunidades Globais”. Representando o Grupo Casais, eleita por sete vezes a melhor construtora de Portugal, Sofia detalhou como o grupo alcançou 1 bilhão de euros em volume de negócios operando em 18 países. A empresa baseia sua gestão em cinco dimensões: clientes, sustentabilidade, inovação, pessoas e resultados. “Desenvolvemos eixos ESG e investimos fortemente em gestão de carreiras e reconhecimento”, pontuou a executiva.

Na retomada da tarde, o painel “Do interior para o mundo, como ser referência em inovação” trouxe o relato de Roberto Zagonel (Zagonel), que relembrou como a tecnologia e o apoio da Finep foram cruciais para superar crises e conquistar o Prêmio Nacional de Inovação. O tema evoluiu para a escala urbana em “Como a tecnologia pode transformar as cidades inteligentes”, onde Renan Antonioli (Smart Industry & Business) explicou o uso de “Gêmeos Digitais” para simulação urbana, e o prefeito de Mafra, Emerson Maas (CIGA), apresentou o case Smart Mafra. Maas apontou a interoperabilidade como o caminho para serviços ágeis: “Criamos uma plataforma baseada no framework Fiware para integrar os serviços do município com o estado e a União”.


O encerramento dos debates abordou o cenário macroeconômico no painel “Reforma Tributária”. Henrique Franceschetto (Franceschetto Advocacia Tributária), acompanhado de Daniel Rocha de Lima (Menezes Niebuhr) e Everton Lourenço (Monetizando Negócios), alertou que o sistema atual ainda não simplifica a realidade econômica brasileira e que, com o fim do PIS/Cofins, os prestadores de serviços intelectuais podem enfrentar perdas significativas.

A plenária foi concluída com o painel “Engenheiros como Construtores do Futuro: Lições dos bastidores das Big Techs que estão redesenhando o mundo — nos EUA e na China”. Leandro Piazza (49 Educação) encerrou o evento com uma convocação urgente sobre a revolução tecnológica: “Não é modismo; é uma realidade transformadora. Não tem como um engenheiro projetar o futuro sem entender de IA”, sentenciou. Piazza apresentou o conceito do “CREA do Futuro”, um ecossistema focado em transformar profissionais em empreendedores através de quatro pilares: desenvolvimento de talentos, mentoria especializada em IA, conexão com o mercado via Open Innovation e fomento para investimentos inovadores.







