Os profissionais e a política
Por Claude Pasteur Faria
Eng. Eletricista e Advogado – claude@crea-sc.org.br
Ao palestrar sobre ética e responsabilidades profissionais para estudantes e graduados, com frequência menciono a posição aristotélica sobre o papel do homem na pólis. Para Aristóteles, homem virtuoso é aquele que mergulha no desenvolvimento integral de suas faculdades, que age e que não fica inerte perante os problemas sociais. É o homem ativo, que desempenha um papel de relevância junto à sua comunidade: em suma, é o homem político.
Como membros de um importante segmento social, o dos profissionais registrados no Crea, não podemos perder de vista que o nosso conhecimento tem de ser colocado sempre a serviço da sociedade, acima das paixões políticas, cuja transitoriedade não se coaduna com a perenidade das estruturas que aprendemos a projetar e construir.
Contudo, é uma realidade inarredável o fato de que as decisões técnicas são precedidas das políticas. Isso é um truísmo ainda não totalmente compreendido e assimilado pelos profissionais da engenharia, da agronomia e das demais profissões registradas no Crea. É necessário mudar essa realidade.
Muitos de nós reclamamos dos políticos e da política, quase sempre com razão. O nível de degradação moral das nossas instituições não tem precedente. A falta de estadistas e de paradigmas morais atingiu o paroxismo, levando à devassidão e à corrosão intestina dos poderes da República. O que fazer?
A única solução é que os bons não se deixem mais conduzir pelos maus. Que nós, profissionais das áreas tecnológicas, que, às duras penas, aprendemos a lidar com equações, cálculos e vetores, aprendamos também a lidar com os temas políticos e a participar ativamente da vida das nossas pólis, como os antigos gregos faziam.
A democracia ocidental, da forma concebida, depende de que homens virtuosos e preparados a pratiquem. O saber tecnológico, direcionado à realização da felicidade humana, é uma ferramenta que não pode ficar apenas nos computadores e nas pranchas: deve estar presente na política como forma de renová-la e reconstruí-la.





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