Simpósio discute viabilidade e potencial de usinas reversíveis no Brasil
Evento do Comitê Brasileiro de Barragens sediado em Florianópolis discute projetos inovadores para a geração de energia no campo da hidroeletricidade
Nesta quinta-feira (28), segundo dia da décima edição do Simpósio sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas e Usinas Hidrelétricas Reversíveis Estado da Arte e Perspectivas no Setor Elétrico Brasileiro, no Hotel Majestic Palace, a construção de usinas hidrelétricas reversíveis no Brasil dominou a discussão entre autoridades e agentes do setor.
O engenheiro mecânico e gerente Executivo da Eletronorte, Carmo Gonçalves, abriu os debates abordando que as usinas hidrelétricas reversíveis passaram a ser importantes para o Brasil com a expansão de outros tipos de geração como eólica e solar e hidrelétrica a fio d’água, que exigem complementariedade. Ele explicou que uma das vantagens da usina reversível é que funciona como uma grande bateria ecológica. “Na falta do vento, do sol ou da água, elas normalmente bombeiam a água à noite para guardar e garantir energia no horário de maior consumo ou mesmo devido a uma seca”.
Na sequência, um dado alarmante foi apresentado pelo representante de Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Tiago Vasconcellos Barral, que participou da Mesa Redonda com o tema Usinas Reversíveis e Perspectivas no Setor Elétrico Brasileiro. Segundo ele, a partir de 2022, poderemos ter um déficit de potência acima de 5% no sistema energético brasileiro. “Neste período, haverá a necessidade de usinas que atendam à demanda instantânea. São usinas para operar por períodos curtos, porém importantes para suprir uma possível falta de energia no país”, destacou Barral.
Outra possibilidade seria a entrada em operação das termoelétricas, diante do risco de déficit, segundo Gonçalves. “A questão é que o custo de geração das térmicas a diesel é muito elevado, além de serem poluidoras. E quem vai pagar será a população, empresários, indústrias. Para evitar que isso aconteça, é melhor que tenhamos os estudos e investimentos nesta área. Neste contexto, a energia das usinas reversíveis seria competitiva e contínua a longo prazo, equilibrando a oferta ao mercado.
Para viabilizar estas usinas no Brasil, é necessário estabelecer marcos regulatórios, segundo Gonçalves e Barral. “Hoje temos que unir forças. Tanto a comunidade como as instituições precisam estabelecer procedimentos comerciais para que a energia seja remunerada de acordo com os benefícios que trará ao setor elétrico. Em resumo, “as instituições devem definir as regras de operação. Investimento, construção e remuneração das usinas hidrelétricas reversíveis, como também de qualquer modalidade de armazenamento de energia elétrica que venha contribuir e evitar falta de potência a partir de 2022”, apontou o diretor executivo da Eletronorte.
Estudos em andamento
Conforme Barral, estudos do EPE apontaram a necessidade de contratação de usinas para atendimento à demanda para os próximos dez anos. A EPE está fazendo um estudo preliminar neste sentido.
Já em relação à localização geográfica destes empreendimentos, as Regiões Sudeste e Sul teriam mais vocação para sua instalação em razão das características de topografia. “Serra do mar, Serra da Mantiqueira e Serra Geral, por exemplo, favorecem a implantação das reversíveis.” Isso porque, quanto maior o desnível, menor deve ser a vasão de água necessária para armazenamento, podendo ter uma grande potência instalada.
Reversíveis sazonais
Também integrando a mesa redonda, o pesquisador da COPPE/UFRJ, Julian David Hunt, apresentou o resultado de sua tese de pós-doutorado sobre usinas hidrelétricas reversíveis sazonais. A pesquisa aponta a vulnerabilidade do setor energético brasileiro. Segundo ele, a potencialidade energética do Brasil está focada na cabeceira dos rios Tocantins, Paranaíba, e São Francisco. “É uma área relativamente pequenae ficamos vulneráveis diante da quantidade de chuvas naquela região. “Se não chove durante um ou dois anos na região da cabeira desses rios, a geração hidrelétrica no brasil fica comprometida”, opinou.
As usinas hidrelétricas reversíveis sazonais poderiam resolver esse questão, reforça Hunt. “Caso seja desenvolvido um projeto em outras regiões com potencial hidráulico e se consiga, dessa forma, descentralizar o armazenamento de energia brasileiro.” As áreas com mais vocação para instalação dessas usinas são os rios Iguaçu, Uruguai, Tibagi e Ivaí, das Antas. “Essas usinas, nesses rios, têm grande capacidade de descentralização. E outra vantagem é que a disponibilidade hídrica não é sazonal nessas regiões”, resumiu.
Por fim, o coordenador do evento, Fabio De Gennaro Castro, afirmou que é hora de o Brasil investir em empreendimentos do gênero, a exemplo dos países desenvolvidos. “Um primeiro passo importante será a regulamentação dos empreendimentos pelo Governo Federal e saber utilizar aproveitamento de usos múltiplos”, finaliza.
O evento encerra hoje com cerca de 200 participantes, entre autoridades e agentes do setor. Mais informações no site:http://www.cbdb.org.br/xspmch.
Assessoria de Imprensa
M.bertelli Comunicação





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