XVII Cobreap: Palestra sobre nova legislação atrai participantes
Perícias em Arbitragem foi o tema da palestra que Francisco Maia Neto desenvolveu na manhã da quinta-feira, (17/10), para uma plateia bastante atenta formada em sua maioria por engenheiros, arquitetos e agrônomos e também por geógrafos e geólogos, que participam do XVII Cobreap, promovido pelo Instituto Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias e realizado em Florianópolis até esta sexta-feira, dia 18.10.
O interesse por parte dos profissionais do Sistema Confea/Crea e Mútua se justifica uma vez que, semana que vem, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado realiza duas audiências públicas para analisar dois projetos de lei que tratam dos temas. Um cria a Mediação Judicial e outro apresenta reformas na Lei 9.317, de 1996, a lei da arbitragem. Ambos de autoria do senador Vital do Rego (PMDB-PB), que também preside a CCJ.
Em entrevista ao site do Confea, o engenheiro civil e advogado contou que, para chegar à redação final dos PLs, o Senado instituiu este ano uma comissão de juristas para criar uma lei de mediação e reformar a atual lei de arbitragem.
“Fui um desses juristas. Trabalhamos entre abril e setembro e entregamos os PLs ao presidente do Senado, no último dia 2 de outubro, informa Maia Neto, para quem “o momento representa um avanço. Houve um aprimoramento do instituto da arbitragem e, caso aprovada, o Brasil passará a ter uma lei de mediação, fato que esperamos desde 98, quando da primeira iniciativa parlamentar nesse sentido”, relata.
Para o cidadão comum, Maia Neto explica que mediação e arbitragem são métodos de solução de conflitos que permitem chegar a uma solução sem recorrer ao judiciário.
“No caso do judiciário, as partes em conflito elegem um terceiro para facilitar o diálogo e encontrar uma solução que agrade aos dois lados. Se houver sucesso, farão um documento selando o acordo que o facilitador, imparcial, neutro, de confiança de ambos, ajudou a construir. Na arbitragem, você também tem um terceiro, só que ele vai decidir. As duas partes delegam a ele a decisão, como se fosse um juiz”.
COBREAP CONSIDERA PERÍCIA UM MERCADO EM EXPANSÃO(LEIA ENTREVISTA COM MAURO SCHACHETI)
“Arbitragem é uma realidade no Brasil”
Para Maia Neto, se transformados em lei, os projetos ajudarão a solucionar com maior rapidez conflitos de natureza comercial, empresarial, questões de condomínio, agrárias “e, principalmente, vão atender à demanda existente na área de imóveis: engenharia e construção representam hoje 2/3 dos litígios trabalhados nas Câmaras de Arbitragem”, informa.
Na defesa dos PLs 405 e 406, Maia Neto lembra que esta semana os jornais brasileiros “estamparam a situação do nosso judiciário com mais de 90 milhões de processos a serem julgados, com índices de congestionamento de 70%. Além disso, temos quatro níveis na justiça, só no primeiro grau, um processo levar oito anos em média. Rui Barbosa já dizia que justiça tardia não é sequer justa e as pessoas que não podem esperar buscam a solução extra-judicial, principalmente empresas, o que gera dinamismo na solução da questão”.
“Consolidada nos grandes centros, a arbitragem já é uma realidade no Brasil”, diz o também conselheiro da OAB e ex-presidente do Crea-MG.
Além de consolidar uma prática cada vez mais comum, a lei também consolida práticas e decisões que o judiciário já vinha adotando e havia tomado, como por exemplo, a arbitragem na administração pública, expressa na nova lei e que pode ajudar a agilizar a solução de questões envolvendo qualquer órgão da administração pública direta e indireta.
“Na verdade, a jurisprudência já havia colhido isso, faltava consolidar para pacificar. Minas Gerais se adiantou e já criou uma lei estadual para disciplinar a arbitragem na área pública".
Segundo Maia Neto, o mercado de trabalho vem dando sinais de aquecimento da demanda, principalmente para engenheiros: “defendo que em toda arbitragem que envolva engenharia, construção e exija perícia técnica – seja a que os árbitros nomeiam ou a que as partes contratem – o perito possa atuar como árbitro”.
O palestrante não vê possibilidade de choque entre engenheiros e advogados: ”ele vai compor um painel com três árbitros. Isso facilita. O engenheiro traz a visão técnica, o advogado vê o lado jurídico. A interdisciplinaridade é necessária. Casos de patologia de construção, que levam anos de discussão na justiça, podem ser facilmente identificados por um engenheiro”.
Maria Helena de Carvalho
Equipe de Comunicação do Confea





Deixe uma resposta
Quer entrar na discussão?Sinta-se livre para contribuir!