Santa Catarina é o terceiro estado mais atingido por desastres naturais

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O fato do Brasil não sofrer com terremotos e furacões não significa que o país está fora do mapa de grandes desastres naturais. Um estudo publicado pelo Banco Mundial em novembro de 2012 prova justamente o contrário: Segundo as pesquisas feitas com base nas tragédias de Santa Catarina em 2008, Alagoas e Pernambuco em 2010 e Rio de Janeiro em 2011, os prejuízos foram de aproximadamente 15 bilhões de reais. Segundo o Ministério da Integração Nacional, o Brasil sofreu mais de 30 mil desastres naturais nos últimos 22 anos, o que dá uma média de 1.363 catástrofes por ano, quase 115 ao mês.

 

Santa Catarina está entre os estados brasileiros mais atingidos pelos desastres nos últimos anos. O estado registrou 12,2% de todas as catástrofes ocorridas no Brasil entre 1991 e 2010, apesar de representar 1,2% do território brasileiro.  Os principais desastres que atingem os catarinenses são estiagens ou secas, com 32% das ocorrências, e enxurradas e enchentes, também com 32%. Um dos maiores e mais recentes desastres registrados no estado foram as enchentes de 2008, que afetaram cerca de 60 cidades e mais de 1.5 milhões de pessoas de todo o estado.

O impacto mais forte é sentido pela população de baixa renda que vive nessas áreas de risco. Quando os desastres acontecem, o governo financia a reconstrução das casas, o que gera um gasto inesperado para os cofres públicos. No Rio de Janeiro, por exemplo, as reconstruções das estradas destruídas em 2010 custaram cerca de R$620 milhões.

 

Mas, afinal, o que se enquadra na categoria de desastre natural? A engenheira sanitarista e ambiental Fabiane Tasca, membra da Associação Catarinense dos Engenheiros Sanitaristas e Ambientais (ACESA), define como a interação entre a sociedade e a natureza. . “ Essa interação pode ser harmônica ou desarmônica. Quanto mais negativa for, maior a chance de ocorrerem desastres. Essa desarmonia pode ser exemplificada pelas ocupações de áreas inadequadas, áreas propícias a inundações, deslizamentos. É importante ressaltar que não podemos evitar que um fenômeno natural ocorra. Em determinadas regiões, por exemplo, as cheias dos rios sempre ocorreram e sempre vão ocorrer. Mas se o homem ocupa a área do leito do rio, aí é que se da o desastre”, pontua a Mesmo que seja impossível evitar que os fenômenos naturais aconteçam, é possível prevenir os desastres. ”Para evitar que um desastre ocorra é preciso um planejamento da ocupação feita pelo homem, políticas públicas de moradia, educação ambiental, respeito às leis de uso do solo e ambientais.  O conhecimento dos eventos e características do meio ambiente, bem como o histórico de desastres da região, colaboram para se evitar um desastre, e a preparação das comunidades colabora na redução dos prejuízos”, ensina Fabiane.

 

O profissional de Engenharia Sanitária e Ambiental possui um amplo conhecimento para poder passar  orientações e ajudar a população a se prevenir dos desastres. “No Brasil os principais desastres ocorrem ou pela falta ou pelo excesso de chuva. O engenheiro sanitarista e ambiental é um profissional extremamente qualificado para realizar estudos e planejamentos ligados à hidrologia. Mas o papel desse profissional é muito mais amplo. Pode trabalhar no dimensionamento e planejamento da drenagem, evitando desastres por alagamentos, trabalhar a questão dos resíduos sólidos para evitar que causem obstrução do sistema de drenagem, trabalhar a destinação correta dos resíduos líquidos e sólidos que são dispostos inadequadamente em morros e encostas, colaborando para  evitar a ocorrência de erosão e deslizamentos, pode atuar no estudo e monitoramento dos rios, modelagem hidráulica, hidrológica e até mesmo na modelagem de previsão de escorregamentos”, pontua a associada da ACESA.

Quando se fala de prevenção, Santa Catarina se destaca, através de seu sistema de informação usado para alertar a população no caso de fenômenos extremos.  Segundo a Rede Nacional de Mobilização Social (COEP), o estado atua em conformidade com a com a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, instituída em 2012 pelo Ministério da Integração Nacional.  O Plano foi elaborado após os desastres catarinenses de 2008 para orientar as pessoas caso ocorrências similares aconteçam. Além do Plano, também foi elaborado um meticuloso estudo sobre a situação climática do país denominado como Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, que reúne informações de 1991 a 2010. O documento foi elabora em parceria entre Secretaria Nacional de Defesa Civil e o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), disponível no link.

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