Caciques Kaingang debatem demarcações de terras indígenas com deputado em SC

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O deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC) recebeu na manhã desta segunda-feira (3/6), em seu escritório em Santa Catarina, a visita de caciques Kaingang de Abelardo Luz do Toldo Imbú e de Ipuaçu da Terra Indígena Xapecó, região oeste catarinense.


Os representantes das comunidades indígenas manifestaram-se contrários as organizações não governamentais (ONGs) que afirmam os representar em Brasília nas audiências com ministérios e demais órgãos do governo. “Quem nos representa e tem este direito são os caciques. Queremos andar com as próprias pernas e as Ongs tomaram conta da Funai”, disse o cacique Kaingang Gentil Belino, referindo-se ao pensamento das duas comunidades que contam juntas com cerca de 6 mil indígenas e representam 52% dos índios do Estado. Na reunião esteve presente o cacique da Toldo Imbu, de Abelardo Luz, Albari dos Santos; de Ipuaçu Marizete Belino e Vilson Poliano, além do advogado Ubiratan de Souza Maia.
 

A conversa com o deputado Colatto deu-se em momento que se organiza uma paralisação nacional nas rodovias brasileiras em 14 de junho para que o governo reveja o processo de demarcações de terras indígenas no país. Colatto é um dos organizadores da mobilização nacional e reforça a necessidade de chamar a atenção para os conflitos que “pegaram fogo” na última semana em regiões com áreas pretendidas à demarcação. “Temos que resolver este problema que virou caso de polícia em muitas regiões”, disse Colatto.
 

Os caciques deixaram claro que não concordam com a forma que se tem encaminhado as ocupações no país, de forma expropriatória, de retirada conflituosa de produtores das suas terras. Segundo eles, é necessário evitar conflitos e fazer com que o governo implante uma política indigenista eficiente, considerando que, no Sul, por exemplo, os índios não são mais coletores e sim produtores e que para isso é necessário o suporte governamental de acordo com as necessidades das comunidades e não de interesses de terceiros. “Somos diferentes, mas não queremos que continuem as confusões como estão acontecendo. Dar terra para o índio e não dar suporte não adianta”, reclama Belino.
 

Colatto falou que a cobrança por uma política indigenista que reconheça o índio de acordo com a época atual tem sido pauta permanente na Câmara dos Deputados. Também comentou sobre o andamento da CPI da Funai e da PEC 215 que submete as demarcações indígenas ao Congresso Nacional.
 

Encaminhamento – Em Brasília, Colatto e demais parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) entregaram estudos que apresentam a situação das ocupações no Brasil. Nos últimos quinze dias, os parlamentares estiveram reunidos duas vezes com o vice-presidente da República, Michel Temer, após cobranças dos parlamentares à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
 

Colatto disse que o governo não pode permitir que a Funai mantenha o projeto de ocupar 25% do território brasileiro. “O povo deverá se mobilizar, pois o índio precisa de política indigenista que atendam sua real situação”, destacou.
 

Atualmente, o Brasil tem 12,7% do território com áreas indígenas para um universo de aproximadamente 817 mil índios. Os 5,2 milhões estabelecimentos rurais do país ocupam 38,8% do Brasil. Segundo o deputado os índios representam 0,43% e a Funai pretende a criação de mais 611 reservas, aumentando ainda mais a área pertencente aos índios, chegando a 24% das terras brasileiras. “Parte destas novas demarcações pretende ser feita em áreas urbanas e de produção rural, que implicará no desalojamento de milhares de pessoas”, ressaltou.

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