Aquecimento versus Resfriamento

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O primeiro painel temático da 68ª Soeaa teve como tema as discussões sobre a Conferência Rio +20 – Pesquisa e Inovação no Enfrentamento do Aquecimento Global. O professor Neilton Fidelis da Silva, colaborador da COPPE e assessor técnico do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas foi o âncora dos debates. Segundo ele, o aquecimento global contempla múltiplas facetas, sendo o mundo completamente assimétrico nessa questão. De acordo com ele, 48% de toda produção de energia ficam nos 32 países membros da OCDE. "A América Latina participa dessa produção com menos de 5%. A assimetria é muito grande", ressaltou.

Para o professor, o problema é que a sociedade segue uma lógica de consumo perdulário e não necessariamente as fontes renováveis conseguirão atender a essa demanda. Referindo-se ao relatório do IPCC, disse ser importante questionar se as promessas de que as fontes renováveis resolvem tudo são reais. "Isso me preocupa um pouco", afirmou. Segundo ele, hoje as fontes renováveis são menos de 12% no mundo e muito por conta das hidrelétricas no Brasil e no mundo. "Então, não vejo como substituir em pouco tempo uma
matriz que é tão dependente de combustíveis fósseis". Além disso, sobre o seu custo de produção, destacou que é preciso conhecer a região e o seu nível de desenvolvimento, inclusive para não haver nova colonização pelo uso de tecnologia. "É preciso que ela seja produzida no local", disse.

Ao concluir, afirmou: "se aceitarmos a tese de que existe mesmo um aquecimento do planeta e que ele se deve às atividades humanas, a ideia que eu queria passar é que teremos de mudar os processos de conversão de energia e a forma de pautar o nosso pensamento".

Destruir para construir?

Eloy Casagrande, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, ressaltou que, especificamente no âmbito da construção civil, existem vários problemas no ciclo da construção convencional: emissão de gases, alto custo de manutenção e elevada quantidade de resíduos com baixo índice de reciclagem. Segundo ele, a madeira é o único material realmente renovável na construção civil. E, apesar de defender o seu uso, disse que existe no Brasil um grande problema: "quase 90% da madeira é ilegal, independentemente do controle que se tenha".

O principal problema das emissões está no modelo construtivo adotado como padrão. "Uma casa de interesse popular de 40m² emite, em média, 10 toneladas de carbono", lembrou. "Então, infelizmente, o modelo atual é destruir para construir. Temos de reverter esse processo".

Nesse contexto, em sua avaliação, a inovação tecnológica, com as três dimensões da sustentabilidade na construção – ecológica, econômica e cultural e social – é a única saída para sair dessa situação. Por fim, após apresentar vários projetos ecoeficientes no Brasil e no mundo, disse: "o mercado quem faz são os profissionais e os consumidores estão aí para serem educados".

Eu amo CO2!

Com 42 anos de experiência na área, o diretor do Departamento de Clima da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion, disse provar que, enquanto todo mundo afirma que vai haver um aquecimento global, daqui 20 anos haverá um resfriamento global.

Segundo Molion, nos últimos 10 mil anos, tivemos pelo menos quatro períodos mais quentes que hoje.  Ele afirmou que o CO2 não controla o clima global. Mais que isso, o que é emitido pelo homem é ínfimo. Conforme os dados apresentados, 200 bilhões de toneladas de carbono são emitidas por ano por fluxos naturais, sendo que as emissões pelo homem representam apenas 3%.

O professor explicou que o efeito estufa nunca foi provado cientificamente e que grandes falácias circulam na mídia. Uma delas é a de que o nível do mar vai subir. "O IPCC é modesto e fala que vai subir 60cm; por sua vez, Al Gore fala que vai aumentar 6 metros". Numa crítica a ele, afirmou que Al Gore gastou 9 bilhões de dólares numa mansão ao nível do mar. "Quem acredita que o nível do mar vai subir seis metros gastaria tanto dinheiro numa mansão nesse local?", contesta.

Molion afirmou ainda que a Terra sofrerá um resfriamento. "Nos próximos 20 anos o sol vai estar no mínimo de atividade e o oceano vai esfriar". Isso é explicado pelos dados extraídos de cerca de 3,2 mil boias inteligentes espalhadas pelos oceanos e que, via satélite, apresentam esses números.

O meteorologista lembrou ainda que eventos extremos sempre acontecem, independentemente das emissões pelo homem. "O CO2 não controla o clima. Ele não é o vilão. É o gás da vida, utilizado para a fertilização das plantas".  E concluiu: "tudo que nossos colegas falaram é muito bem vindo, mas não pode ser feito com base nessas falácias. A conservação ambiental tem de ser feita independentemente do aquecimento ou do resfriamento global". E, de forma bem humorada encerrou: "Eu amo CO2".

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