Rio Tubarão: projeto de barragens do extinto DNOS está esquecido desde 1978
Todo o projeto executivo do plano de prevenção de cheias do rio Tubarão elaborado pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), em 1978, está abandonado.
O engenheiro civil André Labanowski encontrou a pilha de documentos em um corredor do Departamento Estadual de Infra Estrutura (Deinfra) e resgatou todo o material.
Labanowski esteve nesta segunda-feira (28) na Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos (AREA-TB). Ele, que participou de uma mesa redonda de tratativas técnicas sobre o rio Tubarão e bacia hidrográfica, com vistas a sua participação e da entidade no seminário “37 anos da enchente de 1974”, que acontece em março, esta doando à Area-TB toda a documentação já conseguida do projeto elaborado pelo antigo DNOS sobre as obras de três barragens na região e de retificação do rio Tubarão. O projeto está a 33 anos engavetado. “São cerca de quatro metros de altura de documentos”, lembra.
Obras de prevenção
O projeto contém quatro itens bem detalhados sobre a previsão de construção de três barragens para contenção de cheias: uma em Pedras Grandes, outra acima de Armazém e também em Braço do Norte, além da retificação e dragagem do rio Tubarão até Laguna.
Dos quatro projetos, apenas a retificação e dragagem foram executados pelo DNOS. O conjunto das três barragens teria um custo dez vezes mais que a retificação, com valor hoje estimado entre R$ 200 a R$ 300 milhões cada uma delas.
Preocupação
O engenheiro, que coordena projetos de barragens em Concórdia, mostra-se preocupado com o esquecimento das barragens e com o assoreamento do rio Tubarão que, dos seis metros de profundidade, hoje está apenas com quatro, sem muita capacidade de vazão.
“A capacidade de vazão do rio Tubarão era de 2,1 mil metros cúbicos. Hoje caiu para 1,4 mil metros, perdendo de 30 a 40% da vazão”. ressalta. Com problemas na barra do Camacho, o escoamento das águas do rio Tubarão se torna muito lento. Ele alerta que, com esta vazão, se ocorrer a mesma densidade de volume de água de 1974, os estragos serão muito superiores ao daquele ano.
André Labanowski defende tanto a necessidade urgente de uma dragagem no rio Tubarão em decorrência do seu assoreamento, quanto à construção de três barragens em proporções menores do que as projetadas pelo DNOS.
Segundo ele, é necessário que se faça um novo projeto para se saber da possibilidade de construção nos mesmos locais previstos pelo DNOS ou em outros pontos. “É preciso ter um diagnóstico atualizado e completo de tudo, com imagem de satélite e mapas para se elaborar o projeto. O que não pode é um projeto como este cair no esquecimento e ficar arquivado 33 anos sem possibilidade de retomada”, diz.





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