Crea Tech aproxima entidades e municípios para transformar demandas em projetos

Programa do Crea-SC capacita associações profissionais para identificar problemas locais, estruturar soluções técnicas e buscar recursos para iniciativas de interesse público
O Crea-SC está aproximando entidades de classe e municípios catarinenses para transformar demandas locais em projetos técnicos. Por meio do Crea Tech, associações profissionais recebem capacitação para identificar problemas das cidades, estruturar propostas e buscar recursos para iniciativas nas áreas da engenharia, agronomia e geociências.
O programa começou a ser apresentado às entidades em maio, durante reunião do Colégio de Entidades Regionais de Santa Catarina, o CDER-SC, em Florianópolis. O lançamento oficial ocorreu no dia 27 daquele mês, em formato on-line, abrindo uma trilha de capacitação que combina encontros presenciais nas regiões do Estado e etapas de acompanhamento à distância.
A lógica do programa começa no município. Em vez de partir de uma solução pronta, a entidade identifica uma necessidade pública, conversa com gestores e profissionais e trabalha na elaboração de uma proposta capaz de responder ao problema. O processo inclui diagnóstico, definição de objetivos e beneficiários, orçamento, cronograma e planejamento da execução.
“Queremos aproximar nossos profissionais das cidades e ajudar a transformar boas ideias em projetos que possam melhorar a vida das pessoas”, afirmou a vice presidente, engª Fernanda Vanonhi, a época do lançamento.

Do problema ao projeto
A capacitação aborda políticas públicas, planejamento municipal, estruturação de projetos, orçamento, captação de recursos e prestação de contas. Também orienta as entidades sobre como se relacionar com prefeituras e outros órgãos públicos para identificar demandas e construir propostas com possibilidade real de implantação.
Instrumentos como Plano Diretor, Plano de Mobilidade, Plano Municipal de Saneamento e Plano Plurianual fazem parte desse trabalho. A orientação é verificar primeiro qual problema precisa ser enfrentado e como ele aparece no planejamento público. Só depois vem a definição da solução técnica.
“A entidade identifica o problema e nós ajudamos a organizar o caminho até chegar a um projeto consistente”, explica a técnica em Segurança do Trabalho Juliana Paula Seabra, coordenadora do Crea Tech e responsável pelo Departamento de Apoio às Entidades de Classe do Crea-SC, o APEC.
A trilha foi dividida em etapas. Nos encontros e checkpoints, as entidades trabalham justificativa, objetivos, público-alvo, área de abrangência, prazo de execução, orçamento, plano de trabalho e documentação. A programação prevê a entrega final dos anteprojetos em 17.11, no EPEC on-line, e em 22.01.27, no EPEC presencial, com a premiação das 3 entidades destaque no CREA TECH.
Oportunidade de financiamento
O Crea Tech também prepara as entidades para oportunidades de financiamento, entre elas o Edital de Chamamento Público nº 1/2026 do Confea. O Conselho Federal reservou R$ 10 milhões para a celebração de parcerias com entidades privadas sem fins lucrativos, conforme as regras do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.
O edital deste ano foi direcionado à elaboração de soluções para problemas concretos das cidades. Segundo o Confea, a entrega principal não é a execução de uma obra, mas a elaboração de um anteprojeto com diagnóstico do problema, solução técnica e indicação dos caminhos necessários para viabilizá-la. A proposta é aproveitar a presença das entidades nos municípios e o conhecimento dos profissionais para apoiar políticas públicas e abrir novas oportunidades de atuação profissional.
Pelas regras apresentadas no Crea Tech, as propostas podem alcançar até R$ 100 mil e têm prazo de 180 dias para execução.
Presença regional
O CDER-SC levou o Crea Tech às oito macrorregiões de Santa Catarina. A programação passou por Lages, Chapecó, Joaçaba, Mafra e Florianópolis e seguiu para Joinville, Blumenau e Criciúma. Os encontros reuniram representantes das entidades de classe e equipes do Conselho para apresentar o programa e orientar a preparação das propostas.
O trabalho regional procura aproveitar a proximidade das associações com profissionais, empresas, prefeituras e comunidades. Para as entidades, a participação pode resultar em maior articulação com órgãos públicos, formação de um banco de projetos e fortalecimento institucional. Para os associados, abre espaço para participação em iniciativas de impacto regional e maior inserção nas discussões sobre desenvolvimento dos municípios.
Santa Catarina tem dez entidades selecionadas no edital do Confea
O resultado final do Edital de Chamamento Público nº 1/2026 colocou dez entidades de Santa Catarina entre as 107 selecionadas em todo o país. A relação oficial divulgada pelo Confea informa as entidades, as notas e a situação de cada proposta, mas não apresenta o nome dos projetos nem os municípios que serão atendidos.
As entidades catarinenses selecionadas são:
Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Planalto Catarinense – AEA.
Município beneficiado — Lages.
Projeto — Parques Drenáveis.
Associação dos Arquitetos e Engenheiros do Extremo Sul Catarinense – AESC
Município beneficiado — Turvo.
Projeto — Creches Sustentáveis.
Associação Brasileira de Engenheiros Civis – Departamento de Santa Catarina – ABENC/SC
Município beneficiado — Tubarão.
Projeto — Projeto de Reforma de um Ginásio.
Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Médio Vale do Itajaí – AEAMVI.
Município beneficiado — Blumenau.
Projeto — Plataforma Inteligente de Automação e Supervisão Integrada do Sistema de Contenção de Enchentes de Blumenau-SC.
Associação dos Engenheiros Agrônomos do Planalto Norte de Santa Catarina – ASSEAPLAN.
Município beneficiado — Irineópolis.
Projeto — Uma Praça.
Associação Catarinense de Engenheiros – ACE.
Município beneficiado — Florianópolis.
Projeto — Engenharia Pública para Atender Pessoas de Baixa Renda.
Centro de Engenheiros e Arquitetos de Joinville – CEAJ.
Município beneficiado — Joinville.
Projeto — Qualidade do Ar Interior e Qualidade de Vida para as Escolas da Rede Municipal de Ensino da Prefeitura Municipal de Joinville.
Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas – ABEE-SC.
Município beneficiado — Palhoça.
Projeto — Avaliação do Risco Elétrico nas Escolas Públicas de Palhoça.
Associação Catarinense de Engenharia de Segurança do Trabalho – ACEST.
Município beneficiado — Florianópolis.
Projeto — Projeto de Contenção Marítima.
Sociedade de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Alto Irani – SEAI.
Município beneficiado — Lajeado Grande.
Projeto — Diagnóstico Técnico da Infraestrutura Municipal.





