A importância da capacitação e segurança em estabelecimentos comerciais

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Walter Luís Künzel – Engenheiro mecânico – CREA-SC: 102954-3
Marco Aurelio Candia Braga – Engenheiro mecânico – CREA -RJ 86.1.000235D, visto 8980MS – presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Mecânicos Seção Mato Grosso do Sul (ABEMEC-MS)

 


Um inimigo que não pode ser visto e é mortal. Assim podemos definir a unidade de “força” sobre “área” chamada de “pressão”. Esse termo é muito utilizado no meio industrial para inúmeros processos que necessitam de pressões acima da atmosférica ou até mesmo com níveis abaixo, o chamado “vácuo”.


Já o “ar comprimido” é qualquer fluido, que submetido a pressões elevadas, pode ser utilizado para diversos processos, desde limpeza até transporte de materiais. Fluidos submetidos a altas pressões também são utilizados cada vez mais nos estabelecimentos comerciais, onde encontramos profissionais que utilizam elementos sob pressão para várias atividades. Um exemplo comum é a lavagem e pressurização de pneumáticos de carros.


Por observar que neste meio tem ocorrido diversos acidentes, muitos deles fatais, é fundamental que profissionais legalmente habilitados façam inspeções, planos de manutenção preventiva e capacitação dos operadores que estarão diretamente ligados a estes elementos pressurizados.


No dia de 3 fevereiro de 2017, um grave acidente tirou a vida de um jovem trabalhador de 17 anos na cidade de Campo Grande, MS. Colegas de trabalho deste jovem o expuseram a situação que evidencia a total falta de conhecimento dos administradores do estabelecimento em normas de segurança.


O acidente ocorreu quando dois colegas seguraram a vítima e introduziram um bico de ar na cavidade anal do jovem rapaz, que foi encaminhado ao hospital e por 11 dias permaneceu internado vindo a falecer no dia 14 de fevereiro.


Isso evidencia uma grave situação: a necessidade da execução de procedimentos de operação, manutenção e capacitação das pessoas envolvidas com elementos que estão sujeitos a altas pressões. O acidente demonstra claramente o despreparo dos funcionários quanto à segurança no trabalho.


O corpo humano suporta baixas pressões, e quando estão expostos a valores diferentes da atmosférica, são necessários procedimentos de equilíbrio destas pressões, para então o operador passar para outros estágios ou até mesmo retornar ao ambiente normal.


O que aconteceu no caso deste acidente foi anômala ao que o corpo humano suporta. De forma súbita e violenta, o corpo passou a uma elevação da pressão interna muito maior que a pressão externa, rompendo órgãos internos, vindo a óbito. O ar comprimido para ser utilizado nestes processos pode variar de 4 kgf/cm² a 10 kgf/cm², elevadas demais para o corpo, mas necessárias à execução do trabalho desempenhado no local.
Em vista a este acidente, faz-se necessário o seguinte questionamento: o estabelecimento recebeu a avaliação, vistoria, aprovação e treinamento com recolhimento de uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de um profissional da área de engenharia, que pudesse expor os perigos aos administradores, funcionários e clientes?


Atualmente, apenas os profissionais engenheiros mecânicos e engenheiros navais têm habilitação para inspecionar e recomendar intervenções em elementos pressurizados. Estes também podem recomendar procedimentos de segurança e capacitação dos funcionários atendidos os requisitos da Norma Regulamentadora NR-13. Cabe ao conselho profissional e aos agentes fiscais notificarem estes comércios em que sejam evidenciados equipamentos que representem riscos de explosão e de acidentes.


Portanto, não apenas no meio industrial, mas também todos os estabelecimentos comerciais devem atender à legislação atual melhorando as condições de segurança evitando acidentes como estes.


 

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