A qualidade melhorou, e a produtividade?
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Flavio Alberto Haussen
Haussen Consultoria Empresarial
haussen@portoweb.com.br
Nas últimas décadas temos presenciado uma sensível evolução em termos de qualidade no Brasil. Um exemplo muito simples é a evolução dos postos de gasolina nas cidades e estradas. Os locais desorganizados, onde graxa e sujeira se misturavam com pneus e ferramentas jogadas pelos cantos, se transformaram, em sua grande maioria, em lugares limpos, iluminados e, em geral, com pessoal treinado. Esta metamorfose reflete uma mudança que ocorreu em inúmeros outros produtos e atividades. Muito foi publicado a este respeito e os resultados são evidentes. Iniciativas como o Programa Nacional de Qualidade e Produtividade sem dúvida colaboraram em muito para esta verdadeira revolução.
Mas e a produtividade? O que aconteceu? Um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta para um crescimento reduzido dos indicadores de produtividade desde o final da década de 1970. A produção teria aumentado devido à absorção de pessoas e não pela produtividade. E este modelo se esgotou. Dentro deste quadro, a perspectiva é que a partir de agora o crescimento esteja dependente da melhoria da produtividade.
As justificativas são várias; infraestrutura, burocracia, sistema tributário, educação etc.. Mas independente disto, no entanto, existe um ponto em comum: a forma como instituições são administradas. Não se trata de trabalhar mais. No Brasil o número de horas trabalhadas não é maior nem menor do que em outros países. Estamos dentro da média. Trata-se de um fenômeno de gerenciamento, cabendo então uma análise para localizar os desperdícios no sistema. E é um mar de desperdícios. Basta que seja contabilizado o que se perde na produção de grãos desde a colheita nos campos até os portos ou indústrias.
A identificação das perdas é indispensável e sua eliminação apresenta resultados significativos, facilmente mensuráveis pelos sistemas contábeis. As empresas se tornam ágeis. Existe, no entanto, outro prejuízo, este maior e dificilmente detectado e contabilizado. Trata-se do dano causado pela quebra do fluxo provocado pelos desperdícios e que dão origem a um ambiente de desestímulo, a sensação de que “as coisas não andam” e que “nada funciona”. Esta é a verdadeira razão porque o combate às perdas é imprescindível. As empresas que percebem isto caminham para alta eficiência. Cabe aos administradores se conscientizarem e então liderar o combate a este mal que permeia nossa cultura.
Neste aspecto, os sistemas chamados “enxutos” de eliminação do que não agrega valor ao produto, seja qual for, são importantes. Metodologias utilizadas na indústria foram desenvolvidas especialmente com este fim e utilizam inúmeros instrumentos objetivando eliminar desperdícios ao longo dos processos. Estes procedimentos permitem identificar e eliminar as perdas além de melhorar sistematicamente o que realmente agrega valor. A utilização destas metodologias já vem sendo empregada com sucesso nos mais variados setores da economia. Trata-se de trabalhar melhor. Os novos instrumentos potencializam a utilização máxima de recursos e a busca de uma evolução permanente. A intenção é trabalhar bem, sem erros e sem desperdícios.
Esta busca será um dos temas a serem debatidos nos próximos anos. Deve haver, no entanto, bom senso na ânsia de evoluir. A tentação de partir para soluções simplistas sobrecarregando os que realizam o trabalho no fim da cadeia, pode criar um sistema perverso penalizando quem trabalha de forma acentuada. Em muitos setores, apesar da baixa produtividade, já são encontradas situações de sobrecarga física e também mental (síndrome de burnout). É fácil cruzar esta barreira. A primeira preocupação deve ser sempre com a segurança e a preservação da saúde dos que trabalham.
Cabe às pessoas que gerenciam os recursos a busca de conhecimento através de uma adequada atualização profissional, para transitar por este labirinto de oportunidades. Esta caminhada oportunizará uma melhor integração internacional, colaborando para o desenvolvimento do país como um todo.





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