Traficc Calming: Para uma mudança do trânsito nas cidades
Eng. Civil Sidney Carvalho
sidney@versalengenharia.com.br
O reconhecido inchaço da frota de veículos em cidades até então consideradas pequenas e médias vem provocando e acentuando a concorrência desproporcional entre veículos motorizados e os pedestres, aqui representados pelos cidadãos comuns, o idoso, o ciclista, o cadeirante ou qualquer pessoa que busque acessibilidade que possibilite sua locomoção, principalmente aquelas com dificuldades motoras quando acessam uma edificação ou um sistema viário.
O direito de passagem do pedestre está assegurado pelo Código de Trânsito em seu art. 70. “Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código”. A boa prática é o motorista reduzir a velocidade, alertar os demais motoristas de sua iniciativa e parar o seu veículo para o pedestre passar até a conclusão da travessia. Isto deve ocorrer independentemente do fluxo de trânsito, preferencialmente nos locais indicados pela engenharia de tráfego municipal.
Elementos de tranquilização do tráfego, os chamados traffic calming, ultimamente vem sendo muito utilizados e adaptados em cidades que já sofrem o efeito do aumento desenfreado do número de automóveis, tudo para minimizar os efeitos desagradáveis da flagrante desvantagem dos pedestres quanto à preferência no trânsito.
Tratam-se de dispositivos urbanísticos que visam minimizar os efeitos negativos do tráfego de veículos motorizados. Os mais comuns são os chamados “quebra-molas” ou “lombadas”, que agora passam a contar com novas geometrias, formas suaves e sinalização adequada, trazendo mais conforto para ambos os usuários.
Mudanças no traçado de ruas, instalações de barreiras, sinalizações realçadas, iluminação etc., são algumas das demais técnicas combinadas no desenho viário que objetivam educar, reduzir velocidade, assegurar a mobilidade e diminuir acidentes.
Na maioria das cidades catarinenses se veem poucas faixas de pedestres e ainda são tímidos esses dispositivos, senão ausentes e desconhecidos pela maioria da população. Incentivar uma mudança cultural e definitiva em nossa região é necessário e felizmente possível, pois cidades como Florianópolis, Balneário Camboriú e Blumenau são exemplos na adoção desta alternativa, que tem tudo a ver com educação no trânsito, incentivada pelos órgãos competentes e utilizada adequadamente pelos partícipes do sistema viário.





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