Construção civil: cenário impõe planejamento para o setor
Eng. Carlos Alberto Kita Xavier – Presidente do CREA-SC
Apesar dos números favoráveis dos últimos anos na área da construção civil, o contexto socioeconômico atual do país aponta para um momento de reflexão e, mais do que nunca, de planejamento para o setor. As medidas econômicas do governo federal e as denúncias e casos de corrupção ganham espaço nos noticiários e impactam diretamente na economia do país.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um crescimento no setor de apenas 0,5% para este ano em relação a 2014. Prevê ainda, leve queda no emprego e na produção de insumos como cimento e aço. São previsões, mas servem de alerta.
O financiamento imobiliário teve retração no primeiro trimestre deste ano. Até então, este era o segmento de crédito ao consumidor que mais crescia no Brasil. De janeiro a março, foram financiados R$ 24.070 bilhões – 4,62% menos do que o mesmo período de 2014. As novas regras da Caixa Econômica Federal para compra de imóveis, que passaram a valer no início de maio, vão dificultar ainda mais o financiamento de imóveis, com medidas que impactam diretamente na decisão de quem pretende tomar crédito.
Em Santa Catarina, a situação merece atenção. O estado que tem o sétimo maior PIB do país – em torno R$ 160 bilhões – sente a desaceleração do setor e busca estratégias para driblar a crise. A construção civil representa quase 6% do PIB catarinense e é alavancada pelo turismo. Segundo relatório da FIESC, em 2013 a construção civil gerou 20 mil vagas em Santa Catarina, o estado foi o quinto maior com entrada de turistas internacionais e o quinto com maior número de estabelecimentos na área.
O CREA-SC teve um crescimento de 5% no número de Anotação de Responsabilidade Técnica em 2014, terminando o ano com Record de 327,7 mil ARTs. No entanto, o acumulado do primeiro trimestre de 2015, aponta queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. O déficit maior foi nos dois primeiros meses. Já o mês de março reagiu com aumento de 20% em relação a 2014 apontando para um possível equilíbrio.
Apesar das previsões negativas, Santa Catarina liderou a geração de empregos no país nos dois primeiros meses do ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O Estado apresentou saldo positivo de 12.108 postos, enquanto que no Brasil, houve redução de 81.774 postos de trabalho. Foram 119.862 admissões e 107.754 desligamentos no Estado.
Os setores com melhor desempenho no país foram o de serviços (saldo de 52.261 postos), ensino (38.173 empregos gerados) e comércio e administração de imóveis (4.628 postos). Já material de transporte, metalúrgica e mecânica tiveram desempenho negativo.
Por isso, é preciso estar atento às oscilações do mercado visando o planejamento de ações conjuntas que possam retomar e impulsionar o crescimento do setor. Só em Santa Catarina são mais de 56 mil profissionais registrados no CREA-SC e 13,5 mil empresas, a grande maioria ligadas às atividades e projetos na área da construção civil.
A história mostra que as situações de crise trazem mudanças e a mobilização de diferentes setores da sociedade. Fica evidente a importância da participação dos profissionais do Sistema no sentido de propor ações para superar as atuais dificuldades. Não tenho dúvidas, que a força e a representatividade do setor da construção civil e da engenharia catarinense, aliadas ao dinamismo, criatividade e empreendedorismo dos profissionais de todo o estado, irão superar os desafios impostos pelo atual cenário.






Deixe uma resposta
Quer entrar na discussão?Sinta-se livre para contribuir!