Os engenheiros e as universidades
Msc. Guilherme Vazquez Etcheverry
Departamento de Engenharia de Produção e Transportes
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
getcheverry@producao.ufrgs.br
A retração econômica atualmente vivida no Brasil recorda o comportamento anteriormente observado no primeiro ano dos governos antecessores ao atual, onde o controle da inflação e dos gastos públicos foram condições fundamentais para reingressar em um período de retomada da atividade econômica nacional. Neste cenário se espera que o retorno dos investimentos públicos e privados impulsionem o crescimento do PIB e, como consequência, da demanda por engenheiros no mercado de trabalho.
Segundo o IBGE, cerca de 200.000 engenheiros são requeridos pelo mercado de trabalho para cada ponto percentual de crescimento do PIB. Não é difícil prever que ao ingressar em novo ciclo de crescimento econômico as empresas brasileiras venham, como ocorrido em passado recente, novamente a enfrentar dificuldades para contratar engenheiros que satisfaçam suas demandas, seja do ponto de vista da disponibilidade de profissionais assim como pela qualificação e experiência requerida.
Além do país formar menos engenheiros do que necessita e do crescente êxodo de engenheiros para trabalhar em outros países, observa-se que há um número reduzido de profissionais que retornam às universidades na busca de atualização de conhecimentos qualificação no mercado através de cursos de pós-graduação. Pode-se atribuir diferentes razões para o afastamento dos profissionais da universidade. Seja por inércia própria, por dificuldade em conciliar vida profissional com vida acadêmica, pelo quase inexistente incentivo empresarial ou pela baixa valorização da atividade de pesquisa nacional.
Para as empresas, incentivar o retorno de seus engenheiros às universidades visando obter atualização e novas qualificações para seu benefício, se apresenta como uma estratégia promissora para minimizar o risco de escassez futura de profissionais. Um dos principais benefícios decorre da incorporação dos resultados das pesquisas acadêmicas aos seus padrões de trabalho, disponibilizando aos engenheiros novas ferramentas para aumentar a eficiência da gestão de recursos da empresa.
Contudo, o retorno dos profissionais às universidades não é uma prática recorrente na atualidade. Se por um lado os profissionais priorizam o crescimento salarial no início de carreira, pelo lado das empresas os encargos trabalhistas ainda são vistos como obstáculos para implantação de políticas mais arrojadas de formação de seus funcionários.
Nos países desenvolvidos empresas e universidades trabalham juntas, aplicando diretamente novas técnicas e ferramentas para aprimorar a gestão empresarial em todas as áreas do conhecimento. Cabe a empresas e universidades buscar o entendimento para colocar tal iniciativa definitivamente em prática e, ao governo, praticar de forma efetiva uma política de incentivo às empresas parceiras de universidades e de valorização da pesquisa científica no Brasil, criando assim melhores condições de competitividade para as empresas brasileiras quando o esperado próximo ciclo de crescimento vier.






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