Desenvolvendo produtos com foco na inovação

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Diego de Castro Fettermann
Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas
Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC
d.fettermann@ufsc.br

A retração econômica verificada nos últimos anos no Brasil tem empurrado para baixo o número de novos projetos de desenvolvimento de produtos e processos pela indústria nacional. Os dados mais recentes divulgados pela Pesquisa de Inovação (PINTEC) realizada pelo IBGE indicaram uma redução de 38,1% para 35,6% na quantidade das empresas que implementaram produtos ou processos novos ou bastante aprimorados.
Além disso, ainda se verifica uma predominância dos investimentos em P&D focados no desenvolvimento de melhorias nos processos industriais em detrimento da melhoria dos produtos. A principal justificativa para este comportamento é a redução dos investimentos e o corte nos gastos das empresas.

Mesmo diante dessa necessidade, uma forma diferente de tratar o problema é o aprimoramento da metodologia de desenvolvimento de novos produtos das empresas. Um processo otimizado permite a criação de produtos mais inovadores e com maior probabilidade de sucesso, ao mesmo tempo em que consome uma menor quantidade de recursos.

Um estudo do MIT indica que 77% do tempo de trabalho realizado durante o desenvolvimento de um novo produto nas indústrias americanas é desperdício, e que poderia ser evitado. Esse dado ressalta a oportunidade de implementação de mudanças para a redução de custos, ao mesmo tempo em que os indicadores de inovação são melhorados.

Da mesma forma que os processos de fabricação são estruturados e capacitados para atender a produção de altos volumes de produtos com qualidade e economia de recursos, as tecnologias de desenvolvimento de produtos devem ser aprimoradas para apresentar soluções direcionadas à inovação e aumento da competitividade da empresa, atendendo às reais necessidades dos clientes, com economia de recursos e aumento de lucratividade.

Essa estruturação passa por um estudo sobre as pessoas envolvidas e as atividades exercidas, procurando investigar os problemas enfrentados no desenvolvimento e os desperdícios que podem ser evitados. A partir daí são identificadas e implementadas alternativas mais eficientes de gerenciamento e realização das atividades, de forma que se alcance os resultados esperados mais rapidamente e com menor consumo de recursos.

No entanto, a principal contribuição permanece na mudança da visão das empresas nacionais em relação ao seu desenvolvimento de produto. Enquanto o processo de manufatura é constantemente acompanhado, com sua qualidade controlada e os tempos de processamento monitorados, o de desenvolvimento de produtos ainda é realizado de forma empírica. É preciso estender o foco das empresas para além do processo de fabricação e incorporar o desenvolvimento de novos produtos. Talvez seja essa a oportunidade para aumento da competitividade e redução de custos tão buscada pela indústria nacional.

 

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