Alguns aspectos do desenvolvimento gerencial no Brasil

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Prof. Eng. Mecânico Flavio Alberto Haussen
 
haussen@portoweb.com.br
 

 
 
No início do século passado a indústria dos Estados Unidos desenvolveu o “fordismo”, sistema que substituiu o artesanato e viabilizou a produção em massa.  Em sua forma inicial o “fordismo puro” foi fundamental para o país alcançar a supremacia mundial no final da década de 50.  O sistema serviu como modelo para a reconstrução industrial da Europa após a Segunda Guerra.
 
Nas décadas de 60 e 70, o imenso sucesso do sistema retardou a compreensão das idéias de pensadores como Deming, Juran e outros. Ao longo desse período ocorreram modificações e o sistema foi se transformando no chamado “fordismo maduro” extremamente complexo. Essa crescente complexidade estimulou a utilização indiscriminada dos novos sistemas de informação e controle, muitos dos quais ainda não suficientemente testados.  Inúmeras dessas iniciativas resultaram em insucessos e em enormes prejuízos.
 
A crise do petróleo (1973) marcou o início de uma nova etapa na história da indústria. A chegada ao mercado norte-americano de produtos japoneses, econômicos e confiáveis se transformou em um grande desafio.  O Japão havia sido devastado no final da 2ª Guerra e os Estados Unidos apoiaram sua recuperação e intercâmbio empresarial. A vocação para grandes volumes do modelo americano, aliada à falta de recursos financeiros e limitações do mercado local obrigou, no entanto, a busca de novas soluções.  As fábricas precisavam ser flexíveis e adequadas a pequenos volumes. Criou-se no Japão ambiente receptivo para ouvir os pesquisadores ocidentais.  A engenharia industrial já desenvolvida no ocidente e a disposição de esforço comunitário dos japoneses possibilitaram conectar planejamento e produção que haviam sido separadas no sistema ocidental.  A atividade industrial passou a ser vista como um sistema integrado e não como o somatório de eventos distintos logicamente coordenados. Desenvolveu-se, então, um sistema que buscou a simplicidade e que viria a ser conhecido como “toyotismo” ou “Sistema Enxuto”.
 
No Brasil a industrialização foi intensificada no final da década de 50 e ocorreu através da importação do modelo industrial norte-americano já então o “fordismo maduro”.  País sem tradição industrial, com recursos e mercado limitados, a industrialização se caracterizou por improvisações em seu desenvolvimento.  O processo foi afetado por sucessivas crises econômicas e, de forma traumática, pela inflação ao longo de décadas. Ganhos de produtividade e melhorias porventura obtidas eram sistematicamente obscurecidos por estes fatores externos.
 
A capacidade de improvisação, que viabilizou a industrialização brasileira, trouxe consigo uma dificuldade de definir padrões, estimulou a informalidade e não incentivou a disciplina.  Como conseqüência, os sistemas desenvolvidos eram freqüentemente frágeis e imprecisos.
 
Na década de 90, o controle da inflação e a abertura do mercado para importações provocaram uma profunda modificação.  Acentuou-se o processo de globalização.  Algumas iniciativas de aprimoramento gerencial já estavam em andamento, mas se constituíam em atividades isoladas e não em um sistema de gerenciamento.  A partir de então, novos investimentos de multinacionais juntamente com seus fornecedores, estimularam a utilização de sistemas atualizados.  Estes novos modelos, fortemente influenciados pelo “toyotismo” hoje permeiam em maior ou menor grau todas as atividades de criação de bens e serviços.  Apresentam como característica comum a criação de valor através da eliminação permanente de perdas.
 
A implantação dessas novas formas de administração envolve alterações de comportamento e atitudes das pessoas em todos os níveis da organização. Mudanças culturais são processos que exigem tempo e persistência.  Cada empresa apresenta características próprias e a habilidade na criação destes novos contextos se constitui em um dos maiores desafios gerenciais da atualidade. É ponto de partida para a busca da competitividade. 

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