Engenheiro Químico e Engenheiro de Alimentos: os profissionais da Cerveja
Autor: Engª Química e Sommelier de Cervejas Fernanda Meybom Machado
E-mail: fmachado@crea-sc.org.br
A cerveja é uma bebida antiga, tão antiga que suas origens remontam a época da pré-história. Provavelmente, não foi a primeira bebida fermentada descoberta pela humanidade, o vinho e o hidromel teriam surgido antes. Porém, a cerveja logo se tornou popular e é considerada por muitos historiadores, a bebida responsável por ajudar a humanidade ao longo do caminho para o mundo moderno. Por muitos anos a produção de cerveja era uma atividade doméstica, de responsabilidade das esposas, e ou realizada apenas nos mosteiros pelos religiosos.
Aos poucos, a cerveja passou a ser um produto de grande interesse comercial, sendo que como consequência, surgiu a necessidade de profissionais que entendessem tecnicamente desse processo para torna-la um produto de qualidade comercialmente viável. Assim, coincidência ou não, criou-se a primeira regulamentação da profissão que se tem notícia, ela ocorreu em Paris no ano de 1514, quando se estabeleceu a exigência de três anos de formação técnica para que alguém pudesse se habilitar a abrir uma cervejaria.
Com o advento da Revolução Industrial por volta do século XVIII, a cerveja passou a ser produzida em grande escala. Impulsionada pelas grandes descobertas da ciência, como máquinas a vapor e de refrigeração, permutadores térmicos e também descobertas na área de leveduras e processos de fermentação, a fabricação de cerveja passou a exigir um profissional com formação ainda mais especializada para realizar todos os processos que envolvem a sua produção.
Neste contexto, o engenheiro químico surgiu, e a primeira menção a esta categoria ocorreu em 1887, quando o inglês George Davis publicou artigos sobre a atuação deste profissional em instalações industriais.
Atualmente, a presença de um profissional engenheiro químico ou engenheiro de alimentos é necessária em todas as fases de um processo cervejeiro. Desde a seleção das matérias-primas, que são basicamente malte, água, lúpulo e levedura (fermento), até o produto no ponto de venda. O processo em si envolve a transformação da cevada em malte – a maltagem, a moagem deste malte preparando-o para a mosturação, a brassagem com adição do lúpulo, a fermentação, a maturação da cerveja, a filtração, a pasteurização, o envase e a distribuição. Ou seja, por todo esse caminho de transformação daqueles 4 ingredientes básicos na cerveja que tomamos, estão presentes várias operações unitárias, fenômenos de transferência de calor e massa, reações químicas e físico-químicas, além de muita biotecnologia para que as leveduras exerçam sua principal função durante a fermentação: transformar os açúcares fermentáveis em etanol e dióxido de carbono.
Os profissionais, engenheiro químico e engenheiro de alimentos, têm o conhecimento de todas estas etapas, pois as mesmas fazem parte de seus currículos de graduação, tornando-os fundamentais nas indústrias cervejeiras. Além da experiência técnica, eles desenvolvem conhecimentos nas áreas de gestão de pessoas e gestão do negócio em si, o que inclui uma visão econômica de todo o empreendimento cervejeiro.
E por fim, os profissionais atuam também no tratamento e a destinação dos resíduos gerados neste processo. Atualmente, a maior produção de resíduo na indústria cervejeira é decorrente da fase de mosturação, quando se separa o mosto do bagaço de malte, que tem como principal destino a fabricação de ração animal. Porém, o desenvolvimento de novas pesquisas se faz necessário, pois o bagaço de malte pode ser uma matéria-prima de considerável valor agregado em outros tipos de processos. Portanto, para um engenheiro químico ou engenheiro de alimentos, a cerveja é uma bebida que não apenas se bebe, mas também se estuda, e muito!




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