Green Supply Chain Management: desafios e oportunidades para o setor industrial
Prof. Drª. Eng. Prod. Ana Beatriz Jabbour, Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq
Os desafios ambientais estão cada vez mais presentes no dia a dia das empresas. Vários são os fatores que fazem a temática bater à porta das companhias. Dentre eles, está a crescente pressão exercida pelos diferentes públicos interessados, como os governos, consumidores, concorrentes e a grande mídia, que monitoram cada vez mais o desempenho das empresas. Outro fator crucial é a maior preocupação com a mudança climática, que, embora ainda tenha de avançar, vem sendo considerada cada vez mais nos cenários de planejamento dos dirigentes organizacionais.
Para fazer frente a esses desafios, um novo conceito vem se consolidando no mundo empresarial: Green Supply Chain Management. Já é explorado fortemente por pesquisadores europeus, norte-americanos e asiáticos e começa a ser adotado por algumas das melhores empresas do mundo.
Supply Chain Management é a integração de fluxos de materiais, informações, recursos financeiros entre empresas que se articulam para produzir determinado bem ou oferecer um serviço. Nesse sentido, significa a inclusão da preocupação, dos desafios e das oportunidades da questão ambiental nas principais atividades das cadeias de suprimentos, podendo ser aplicado em qualquer setor industrial que tenha como objetivo melhorar seu desempenho em relação ao meio ambiente. Pesquisas indicam que o processo pode melhorar vários aspectos do gerenciamento empresarial, como gestão da qualidade, desempenho financeiro e de mercado, redução de estoques e imagem da empresa, entre outros.
O Green Supply Chain Management, segundo a escola de pensamento asiática, pode ser implementado com as seguintes práticas gerenciais:
Gestão ambiental interna, que diz respeito ao apoio da “alta” administração para que as companhias tenham adequados sistemas de gestão ambiental interna; compras verdes, inserindo critérios ambientais na seleção, desenvolvimento e monitoramento dos fornecedores;
Ecodesign, isso é, a inclusão da preocupação ambiental durante as fases do projeto de desenvolvimento de novos produtos; cooperação com clientes; recuperação de investimentos realizados, para que a companhia se desfaça de ativos não mais úteis, como sucatas, estoques e equipamentos obsoletos e a logística reversa, que está alinhada à nova Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Como se percebe, não se pode instituir plenamente o Green Supply Chain Management sem envolver o setor industrial, os fornecedores e o processo de compras.
Embora sejam necessárias mais pesquisas sobre o conceito no Brasil, pode-se indicar que o processo exigirá do setor industrial o desenvolvimento cada vez mais intenso de equipamentos ecoeficientes, que reduzam drasticamente a utilização de recursos naturais – na produção, no momento da distribuição e quando utilizados nas companhias.
Questões como consumo de energia e água e emissão de gases do efeito estufa serão decisivas. Equipamentos e bens que favoreçam a desmontagem, a reciclagem e a logística reversa serão cada vez mais necessários, o que certamente exigirá treinamento e capacitação em sustentabilidade industrial, ampliando também o conceito de logística integrada, o que por si só tornará a gestão industrial mais complexa.
Softwares inovadores deverão emergir para viabilizar a adoção das práticas. Por exemplo, programas para monitorar pegada hídrica e carbônica e ciclo de vida dos bens fornecidos, garantir a inclusão de critérios ambientais no processo de compras e para selecionar a melhor empresa fornecedora, integrar fabricantes e clientes para o desenvolvimento de produtos ambientalmente melhorados; e ainda serão relevantes, portais e softwares que integrem a legislação ambiental mundial.
O Green Supply Chain Management promete alterar a forma como os dirigentes empresariais pensam suas cadeias de suprimentos, impondo novas oportunidades e desafios ambientais àqueles envolvidos com a produção industrial no século XXI.





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