A ética do aluno
Ética é uma disciplina de índole científica, pertencente ao ramo das humanidades, que tem por fim pesquisar, investigar e explicar o porquê da existência de determinados comportamentos morais vigentes nos grupamentos que formam as comunidades humanas.
Os comportamentos morais podem ser analisados de forma objetiva; os comportamentos éticos são eminentemente subjetivos e individuais – impossível falar em ética “coletiva”. Os coletivos não são dotados de racionalidade; diz-se que as massas são amorfas e ignorantes. Por outro lado, um comportamento verdadeiramente ético exige reflexão e introspecção, próprias de seres racionais, que, nos seus íntimos, analisam situações e definem as condutas mais adequadas a cada uma delas.
O exercício de atividades profissionais regulamentadas está sujeito a princípios éticos. No Brasil, a fiscalização dessas profissões é feita por entidades especiais denominadas Ordens ou Conselhos. Tais entes possuem natureza pública, apesar de não estarem sujeitos à supervisão ou controle do Estado; são geridos de forma autônoma pelos próprios profissionais que os constituem.
No caso das profissões de Engenharia, Agronomia, Geografia, Geologia e Meteorologia, bem como as das áreas de tecnologia e de nível médio que lhes são afins, a fiscalização da ética profissional é procedida pelos Creas – Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia, com base em Resolução publicada pelo Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia.
O disciplinamento ético dessas profissões deve começar na base, ou seja, nas faculdades e universidades que formam os futuros profissionais. Muitas escolas se preocupam com essa formação e incluem nos seus currículos disciplinas ligadas à apresentação de conceitos éticos e morais relacionados com o exercício profissional.
Algumas universidades possuem seus próprios códigos de ética, com preceitos que devem ser seguidos por professores, alunos e servidores. Quanto aos alunos, a par de respeitarem esses códigos de conduta, é necessário que compreendam as implicações negativas que podem advir da prática de comportamentos antiéticos durante sua passagem pelos bancos escolares.
O ato de “colar”, infelizmente tão arraigado na nossa cultura, além de ser antiético, prejudicando os demais colegas, traz prejuízos ao próprio aluno e, principalmente, à escola, que não terá parâmetros efetivos para avaliar de forma eficiente a qualidade do ensino que fornece. Essa prática é duplamente enganosa: ilude os mestres, que acreditam estar fazendo um bom trabalho; e o próprio aluno, que pensa obter vantagem inexistente – é uma forma de autoengano.
Sendo a escola uma representação em escala menor da própria sociedade, os comportamentos éticos e morais vigentes nesta devem ser reproduzidos naquela, o que inclui o justo tratamento que se deve dispensar a todos os seres humanos, evitando provocar-lhes dor e sofrimento. Com isso, a verdadeira ética repudia os trotes violentos e as humilhações que são impostas aos calouros pelos veteranos.
A ética é um constructo, uma práxis, uma vivência, que não se aprende apenas nos livros, mas com a própria existência e condição humanas.
Viver eticamente é fazer o bem e evitar o mal. Alunos éticos provavelmente serão profissionais éticos. O inverso, infelizmente, também é verdadeiro.
CLAUDE PASTEUR DE ANDRADE FARIA
Engenheiro Eletricista e Advogado – Procurador Chefe do Crea-SC





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