Investimento agroflorestal de alto rendimento – um diferencial catarinense

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Tema: Silvicultura
Título: Investimento agroflorestal de alto rendimento – um diferencial catarinense
Autores: Eng. Agr. Alex Eckschmidt e Silneiton Favero
Email: alex@greenval.com.br / sil@greenval.com.br
 
 
O oeste de Santa Catarina tem condições ímpares para a silvicultura de alto rendimento. As condições edafoclimáticas, ou seja, as características do solo e do clima, com insolação e pluviosidade excelentes, configuram um contexto ideal para a silvicultura de alta produtividade. O Estado abriga ainda alguns dos maiores compradores de madeira do mercado, facilitando a comercialização, principalmente quando se trata de madeira bem manejada, com alto padrão e certificada, podendo ser facilmente exportada pelos portos catarinenses. Essa configuração deixa Santa Catarina com um dos melhores rendimentos no setor madeireiro do Brasil.
 
O investimento agroflorestal é seguro e de rentabilidade garantida, haja vista o histórico de valorização dos preços da terra e dos produtos da cadeia de valor da madeira, podendo chegar a 29% ao ano. Ocorre que a demanda por madeira é crescente e de setores industriais cada vez mais diversificados, sumamente importantes para a indústria de transformação e a matriz energética industrial. Isso significa que nas próximas décadas a atividade deve valorizar-se ainda mais. Há também a demanda internacional por energia a partir de biomassa – a comunidade europeia regulamentou limites de emissões de CO2 de fontes fósseis.
 
A cadeia de valor da madeira envolve os setores mais óbvios, tais como a indústria moveleira, de embalagens e pallets, papel e celulose e lenha para energia calorífica para um grande número de processos industriais. Mas a madeira passa a ser insumo imprescindível em produtos como tintas e pigmentos. Está presente em toda a cadeia agropecuária porque é usada como fonte de energia para a secagem de grãos, para cogeração nas indústrias de processamento de alimentos, além de estar agregada aos setores têxtil, de metalurgia, cerâmica e no próprio setor elétrico.
 
Na ótica da sustentabilidade, as florestas comerciais ajudam a formar um estoque dinâmico de carbono, já que em sua fase de crescimento absorvem grandes quantidades de CO2, elemento imprescindível ao metabolismo vegetal. Diz-se que o estoque é dinâmico porque para cada talhão que é cortado outros se acharão em pleno crescimento e, portanto, absorvendo carbono. Ademais, o carbono permanecerá fixado nos produtos da madeira. Quando utilizada na geração de energia, substituindo o carvão mineral, a madeira evita novas emissões de gases de efeito estufa à atmosfera. O balanço carbônico é geralmente favorável. Usualmente, um manejo cuidadoso promove alta produtividade e o zelo para com o ecossistema de suporte. É verificado o aumento da biodiversidade local quando uma floresta comercial é implementada respeitando a legislação ambiental (APP – áreas de preservação ambiental e RL – reserva legal), principalmente quando se realiza o projeto em áreas degradadas por pastagens. O aumento de matéria orgânica e a fertilidade do solo são recuperados. Vejamos que Santa Catarina tem atualmente a quarta maior área de florestas plantadas do Brasil, ao passo que as empresas de base florestal no estado preservam em média 53% das áreas de suas propriedades.
 
A silvicultura gera empregos em toda a sua cadeia de produção e comercialização, motivo pelo qual se fala em uma verdadeira cadeia de valor. Além de gerar impostos e resultar em empregos no campo e nas cidades, não há bolhas especulativas no setor silvicultor. Para exemplificar com dados do Anuário Estatístico Florestal Catarinense, são 2.334 indústrias madeireiras e 1.873 indústrias moveleiras que indiretamente dependem da madeira e seus derivados para fabricação de seus produtos, totalizando 4.207 unidades industriais de pequeno, médio e grande portes.
 
Em Santa Catarina, o setor se acha em segundo lugar na formação do PIB, o que se deve à sua inserção em diversas cadeias industriais. São mais de 95 mil empregos formais e uma movimentação financeira anual próxima de R$ 1,65 bilhão. Mas há bastante espaço para o desenvolvimento, pela quantidade de terra que pode ser utilizada, sem competir com outras culturas igualmente importantes para a economia e o desenvolvimento social estadual, e em virtude da expansão tímida do parque florestal registrada em 2012, de 2,2%. 
 
Ou seja, o investimento tem retorno seguro e rentabilidade competitiva com geração de emprego e produção de ativos tangíveis, inserindo o investidor em toda uma cadeia produtiva que transcende o agronegócio, que tem espaço para se expandir e que encontra demandas múltiplas e crescentes. O ciclo da silvicultura é virtuoso, cabe investir nele.
 
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