A IMOBILIDADE E SUAS OPORTUNIDADES INUTEIS, UM BREVE RELATO ILHÉU
Por Adriano Melo (Administrador)
Sou o Feliz triste morador da Capital da Ilha de Santa Catarina. Faço das minhas palavras uma breve reflexão sobre o sufocante caos geral da imobilidade urbana, política, social e o desrespeito instalado em Florianópolis, o crescimento geométrico de população, carros, motos e lanchas. Ricos “os-tentantes¹“ e miseráveis atrás do sonho que nunca existiu. Áreas de preservação invadidas por aventureiros atrás de qualidade de vida. Não sabem eles que ao chegar aqui comprometem a qualidade de vida, o ar bucólico, a cultura, o folclore e o cotidiano de uma gente manezinha educada e que se respeitava. Era a ilha da magia.
Florianópolis. Ilha com três pontes. Uma delas, maravilha da engenharia, toda arcada e ruída, consumindo os recursos dos cofres públicos e agora dos cofres privados também com a lei Rouanet. Quantias quase inimagináveis para um ser comum sendo jogadas fora. Olha só! Desculpem o uso do termo coloquial. Três travessias e apenas uma passarela utilizável. Isso é pensar em mobilidade social urbana? Deixar as passarelas interditadas por mendigos e pseudografiteiros, privando a população e os turistas de fotografarem ou contemplarem o maior cartão postal da capital, a nossa ponte e cofre caixa forte Hercílio Luz? Onde está a mobilidade urbana? Para chegarmos ao continente, temos que ir de ônibus ou de carro. Os cartéis não permitem que sejam feitas as reformas e melhorias nesses espaços culturais por natureza e sociais pelo direito de ir e vir, pelo menos como rege nossa Carta Magna.
Voltando a vocação para ser uma cidade próspera e do futuro, realmente só vocação que nunca foi usada e, pelo que parece, Florianópolis jamais usará suas belezas e atrativos naturais para se desenvolver de forma inteligente. Por que cito inteligente? Porque eco-eficiente e sustentável são palavras da moda e quando saírem dos textos da administração, engenharia e dos marqueteiros, não terão nenhum sentido, nem para propaganda eleitoral. Assim como globalização e glocalização, pois são palavras piegas, como se falava antigamente.
Desenvolvimento sustentável? O que é isso? Prove-me que construir shoppings e hospitais e que arrancar milhões de caranguejos dos mangues dentro de caminhões basculantes é sustentável. Prove-me que os caranguejos foram remanejados para uma reserva onde continuaram a desempenhar sua vital função de desenvolvimento da vida, sem destruir a fauna e a flora do mangue, filtros e maternidades naturais para o mar. Na realidade não em um só local, mas sim em vários locais do mesmo mangue, pois estamos numa ilha.
Esse anseio por qualidade de vida estimula o consumo irracional de pobres que, na ausência de oportunidades, terminam por se amontoar nos morros, trocando o verde das matas e árvores pela terracota dos tijolos empilhados quase sempre a vista e dos ricos os-tentantes, morando a beira-mar, loteando cada área natural da praia como se fosse sua.
Onde está o turismo de contemplação, a forma inteligente e racional de se viver, renovando-se a cada ciclo, dando tempo ao tempo? Não podemos mais viver para o relógio, o ditador da vida.
Florianópolis, 15 de outubro de 2013.
Adm. Adriano Melo
1: Palavra: os-tentantes:
Tem nesse texto dupla interpretação: ostentar: de aparecer e se mostrar;
–tentantes: de tentar ser o que é impossível se tornar.




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