ORGULHO DE SER AGRICULTOR

*Ainor Lotério
Começo citando duas frases campestres que traduzem o sentimento de importância e orgulho deste profissional chamado AGRICULTOR:
–“Quem planta e cria tem mais alegria!”
– “Se o campo não planta, a cidade não janta!”
Estas duas frases eu as ouvi da boca de agricultores nas minhas andanças como extensionista rural da ex-Acaresc e agora Epagri, enquanto exercia a profissão de educador, levando não apenas tecnologia, mas trabalhando a organização e o desenvolvimento sustentável do espaço rural.
Não só no mês julho (no qual comemoramos o DIA DO AGRICULTOR), mas em todos os meses, devemos nos lembrar de valorizar aqueles que trabalham de sol a sol edificando a agricultura catarinense e brasileira, sem muitas vezes receberem o valor merecido pelo suor que derramam do seu corpo sobre a terra.
Para entender melhor quem é esse homem do campo, lembro sucintamente um pouco da sua evolução histórica: o momento da passagem do homem caçador para pastor e agricultor nunca ficou muito preciso, mas o certo é que o homem passou a mexer na terra com o objetivo de se alimentar. Surgiu assim a agricultura: a arte de cultivar a terra.
O agricultor já foi chamado de camponês, colono, lavrador, homem rude, essa última acepção muitas vezes usada preconceituosamente. A canção “o colono” (Teixeirinha) retratava isto: “Não ri, seu moço daquele colono, agricultor que ali vai passando, admirado com o movimento, desconfiado lá vai tropeçando”. Mas, o que percebemos hoje é que o homem do campo se fortaleceu e a canção dever ser outra: “Nóis trupica mais não cai. Pode botar fé que desse jeito vai” (Rick e Renner).
A evolução social e as transformações sofridas por essa categoria têm trazido benefícios à produção de alimentos com mais qualidade, o que faz do agricultor um trabalhador, empresário, empreendedor fundamental para o desenvolvimento do Brasil.
Nosso país requer uma agricultura desenvolvida por agricultores (e seus familiares) cada vez mais preparados, hábeis, bem formados, conhecedores das modernas tecnologias, parceiros dos órgãos de pesquisa agropecuária e extensão rural, organizados em cooperativas, sindicatos, associações etc.
A agricultura, antes de ser uma empresa, é o espaço de morada da família do agricultor. Dessa forma, os agricultores do nosso tempo devem ter a consciência voltada para a sustentabilidade de suas ações, estruturando adequadamente suas propriedades não apenas perseguindo uma visão de negócio ou empresa, mas como filosofia de vida. Aí entra a ação forte do engenheiro agrônomo, procurando imprimir um ritmo empreendedor e de respeito às forças que governam o meio ambiente.
Precisamos de produtores e empresários rurais que incentivem seus filhos e filhas a serem agricultores, fazendo a sucessão dentro da propriedade, pois foi da agricultura que os homens e mulheres do campo tiraram o sustento e a formação da família.
O campo necessita de gente que saiba que “se o campo não planta, a cidade não janta!” Gente que tenha ORGULHO DE ASSISTIR O HOMEM DO CAMPO E DE SER AGRICULTOR!
*Ainor Lotério – Engenheiro Agrônomo (CREA-028524-3), Extensionista Rural e Palestrante. Site: www.ainor.com.br; e-mail: contato@ainor.com.br





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