O Engenheiro Agrônomo e o Protagonismo no Desenvolvimento Rural

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Por Eng. Agr. Edison A. Gomes de Freitas    (AEASC – Regional – Lages)
edisongfreitas@hotmail.com

Nós, Engenheiros Agrônomos, os profissionais do campo – cognominados “os artífices da multiplicação dos pães” – por Lorenzo Parodi – junto às forças sociais que impulsionam as ações agrárias, somos os agentes legítimos em propor e promover ações públicas e privadas visando assegurar a cadeia produtiva e garantir a prosperidade do produtor rural e a segurança alimentar da população.

Na experiência de muitos anos e décadas, convivendo estreitamente com o rurícola, temos aprendido com ele e sua família, que anseios alimentam esperanças e abrigam no peito para que lhes seja feita justiça econômico-social em sua nobre e árdua atividade. Por exemplo, não podemos aceitar a inexistência de feiras livres no município de Lages, como afirma o Eng. Agr. Humberto Souza, inclusive com o embargo da feira de produtos agroecológicos do Coral que havia aos sábados. É prejuízo geral.

Há que aperfeiçoar-se o sistema político para amparar o setor primário, a nós afeto.

As produções agropecuária, florestal e pesqueira sustentáveis precisam cada vez mais merecer os subsídios – a exemplo do que ocorre com países do hemisfério norte – a ponto de entusiasmar as organizações de produtores e a juventude rural a continuarem com suas atividades, a bem público. Porém, a força política e a capacidade de união deste segmento social ainda são pouco expressivas. Além disso, representa hoje uma minoria de votos e faz dele o elo fraco desta cadeia com tendência ao empobrecimento em detrimento próprio pora o enriquecimento dos segmentos posteriores da cadeia produtiva.

Este é exatamente o cliente do Engenheiro Agrônomo. A sua cultura média é inferior à média social, mas sua intuição, moral e sabedoria natural são superiores e menos suscetíveis à degradação moral, especialmente a agricultura familiar, cliente preferencial dos programas de governo estadual e federal.

O Governador João Raimundo Colombo em recente estada em Lages cobrou a existência de um Projeto Rural consubstanciado para a região serrana catarinense com orçamentação anual. Podemos responder ao governador que estamos dispostos a cumprir com a nossa parte, inclusive com a coordenação, junto aos órgãos competentes para a sua elaboração.

É de notar que a região é a mais conservada do Estado, do ponto de vista do equilíbrio ecológico, tendo, pois a base pronta para as ações necessárias ao plano. Para tanto existe o apoio do CREA através da AEA, conforme declara seu presidente, o Eng. Florestal Nilton Schneider de Souza e ainda corroborado pelo CREA-SC, presidido pelo Eng. Agr. Raul Zucatto.

Zucatto propõe-nos ações técnicas em parceria com programas governamentais para o Desenvolvimento Rural Sustentado. Interessa-nos sobremodo a manutenção de tal equilíbrio ecológico dentro de critérios aprovados pela FATMA e IBAMA. Os aterros sanitários, como refere Romeu Pavan (CL 06.10.11) poderiam inclusive gerar energia útil, como já acontece no Japão e agora na Alemanha.

Somos do parecer que seja dada continuidade ao programa nacional iniciado na gestão passada como Fome Zero, em que, com intermediação de conselho municipal, a produção da Agricultura Familiar era comprada pelo governo través da CONAB e repassada a órgãos assistenciais, atualmente também para a merenda escolar. A Secretaria Municipal da Agricultura de Lages, pelo seu secretário Murilo Ramos Vieira, acertadamente promove o programa. Atualmente 54 produtores entregam seus produtos às escolas municipais, com apoio do Programa Nacional de Incentivo à Agricultura Familiar – PRONAF. Isso garante mercado para os produtos agrícolas regionais, incluindo os perecíveis, dirimindo uma das principais preocupações dos produtores rurais.

Neste contexto citamos recente artigo do colega Humberto Silveira de Souza (CL  04.10.11) por título – Falta de Infraestrutura Prejudica Comercialização de Hortaliças – expressando que a insuficiência de produção prejudica toda uma cadeia produtiva que poderia beneficiar o setor produtivo, o intermediário e o consumidor, gerando mais prosperidade à região. Na intermediação nota-se a falta de uma central de recebimento da produção, deixando os produtores sem referência para a entrega de seus produtos. O Mercado Público, ora em reformas, precisa urgentemente cometer esta finalidade e nós, engenheiros agrônomos estamos vigilantes cobrando do setor público municipal e da AMURES a execução desta importante finalidade.

O entusiasmado colega Eng. Agrônomo Hamilton Webber Xavier – Chicão – que publica semanalmente a página rural no Jornal Correio Lageano e mantém programa rural na rádio Clube – publicou pela EPAGRI, recentemente, o DIAGNÓSTICO AGROSSILVIPASTORIL DOS MUNICÍPIOS PERTENCENTES À ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO SERRANA – AMURES, onde mostra que apenas 7% da área total são cultivadas, sendo 52% ocupada por campo nativo; 18% por florestas e 17% por mata nativa. As principais produções são de bovinos (com quase 500 mil cabeças), milho, feijão, soja, pínus (este com 285 mil ha), pastagens cultivadas, maçã (com mais de 12 mil ha cultivados e cerca de 2 mil produtores.

Entre as conclusões do diagnóstico o autor recomenda ou sugere: Envolvimento de órgãos públicos com instituições e organizações dos produtores formando equipes de trabalho interinstitucionais, com o objetivo comum de buscar o desenvolvimento sustentável com melhor retorno econômico, social e ambiental dos municípios pertencentes a AMURES.

Além desta entram na lista as seguintes instituições: Secretaria de Estado do Desenv. Regional (SDR Lages e São Joaquim); Prefeituras/Secretarias Municipais de Agricultura; Associações/Sindicatos Rurais; Secretaria de Estado de Agricultura e Pesca; EPAGRI; SEBRAE; Ministério de Desenvolvimento Social; Ministério de Desenvolvimento Agrário; Ministério da Pesca e Aquicultura; Ministério Público; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Santa Catarina Rural-SC Rural/Microbacias 3; Federação da Agricultura do Estado de SC/Serv. Nac. de Aprendizagem Rural/FAESC/SENAR; Universidades (CAV, UNIPLAC,FACVESC); CIDASC; SINDIMADEIRA; Banco do Brasil/Cooperativas de Crédito; IBAMA; FATMA; Instit. Fed. de Sta. Catarina-IF/SC; cada uma com atribuições citadas. Acrescentamos o SICREDI e CRESOL.

E entre os planos para execução “da porteira para dentro” indica a viabilização econômica das propriedades rurais através de diferentes fontes de receita com produtos da vocação do produtor regional (carne/leite, grãos, hortigranjeiros, madeira) através de sistemas produtivos/arranjos produtivos agrossilvipastoris e produtores com vocação e inovadores. Da “porteira para fora” há que organizar a produção, comercialização e processamento de produtos, para novos nichos de mercado.

Vamos incentivar – concluindo – a geração e desenvolvimento de produtos de origem registrada como é o caso do queijo serrano, da carne ecológica da raça Crioulo Lageano e suas cruzas, artesanato de couro, vime e outros.

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