Inovar para competir e sobreviver

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Por Rui Luiz Gonçalves

Inovação e sustentabilidade. Palavras mágicas dos tempos atuais e que a cada ano que passa ganham mais importância dentro do cenário econômico mundial. No Brasil ainda são dados os primeiros passos. Precisamos que nosso expressivo crescimento econômico dos últimos anos passe a ser balizado também pela geração de valor por meio da inovação tecnológica de ponta. Só assim este crescimento poderá ser sustentável – sem acabar com nossas principais riquezas naturais e fugindo do modelo de economia baseado em commodities, com pouco valor agregado.

A inovação valoriza as pessoas, que podem aqui no país desenvolver suas competências e manter nossas indústrias e economias competitivas, gerando valor a produtos e serviços ao agregar conhecimento. E é neste quesito que o país tem muito a ganhar, pela capacidade criativa e de superação de adversidades dos brasileiros.

Mesmo com toda a expectativa de crescimento nos próximos anos por conta de grandes eventos que receberemos, bem como a mudança de poder e dos protagonistas da economia mundial, o Brasil ainda precisa avançar muito no item educação – da básica, passando pela tecnológica, até chegar no ensino superior. No segmento tecnológico, formamos poucos engenheiros, profissionais de desenvolvimento na área de software e hardware, programadores. Isso faz com que a cada ano o déficit no Brasil se amplie.

O governo precisa fazer valer seu papel: criar políticas públicas que estimulem a formação e a retenção de talentos com alta qualificação. Precisa usar o poder de compra do Estado para estimular a criação e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e de classe mundial, assim como fazem todas as economias desenvolvidas do mundo.

Outro componente fundamental que o país precisa avançar para evitar gargalos de crescimento é o distanciamento das empresas, universidades e instituições de pesquisa. É preciso promover e desenvolver ações estruturantes para que possamos desatar estes nós que ainda dificultam esta aproximação.

Grande parte dos nossos mestres e doutores no Brasil, assim que qualificados, são incentivados a seguirem suas pesquisas no ambiente acadêmico ou no setor público, principalmente por conta dos bons salários e pela falta de uma cultura de pesquisa nas empresas. É preciso entender e criar mecanismos para que essa legião de pesquisadores possa contribuir com o desenvolvimento tecnológico e, principalmente, com a cultura da inovação junto a empresas de base tecnológica e de segmentos inovadores da indústria tradicional.

Precisamos tornar simbiótica esta relação universidade empresa, pois somente assim poderemos garantir a sobrevivência de ambas: os bancos acadêmicos se manterem atuais na sua função de ensinar e pesquisar e as empresas terem a inovação como centro de sua atuação.

Como representantes de entidades, temos a função essencial de incentivar e estimular a inovação de forma aberta. Precisamos ser o meio de campo e um grande muro de lamentações de todos os atores deste universo: a indústria tradicional, apresentando suas demandas de inovação tecnológica, as empresas de base tecnológica, alinhando seus produtos às necessidades do mercado, e as universidades, como agentes de pesquisa e berço do empreendedorismo inovador, trazendo soluções aos problemas da sociedade e das empresas.

Estas ações, de forma organizada e cooperada – governo, empresas e universidades -, irão representar, em pouco tempo, um grande salto econômico e social. No caminho da inovação, unidas, buscando a aproximação com seus mercados alvos, com a regulação e incentivo do governo e a aproximação das universidades, as empresas nacionais irão rumar para um futuro ainda mais próspero – e inovador, é claro.

Presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE)
presidente@acate.com.br

 

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