Soeaa: uma história de reflexões e contribuições da área tecnológica para o país
Eng. Civ. Marcos Túlio de Melo
Presidente do Confea
Chegamos à 68ª edição da Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa). Um evento que reúne as lideranças profissionais do Sistema Confea/Crea, Mútua e Entidades, além de estudantes da área tecnológica, num espaço de discussões e debates propositivos, cujo objetivo comum é o fortalecimento das nossas profissões e do nosso papel nas discussões de políticas públicas e de construção de uma sociedade justa.
Fazendo um retrospecto histórico das últimas cinco edições – 2006 a 2010, percebemos que muito avançamos no processo de reflexão, tanto interno, com uma visão mais sistêmica das ações administrativas e político-institucionais; quanto externo, com o aprofundamento das discussões das nossas profissões sobre temas diretamente ligados ao desenvolvimento do nosso país, demonstrando a nossa postura proativa em contribuir com a formulação de políticas públicas inovadoras e inclusivas. Muito evoluímos e contribuímos!
Em 2006 a capital alagoana recebeu a 63ª Soeaa. Vista como um divisor de águas na história das nossas Semanas, refletimos sobre o tema central “Pensar o Brasil – Construir o Futuro”. A escolha partiu do alinhamento político-institucional com o projeto recém-lançado com o propósito de viabilizar a “promoção e qualificação do debate sobre políticas públicas”, articulado e organizado com a participação dos profissionais integrados ao Sistema, das suas entidades representativas, da Academia, dos Movimentos Sociais, dos Governos Federal, Estaduais e Municipais e das demais organizações da sociedade civil.
Partimos de uma reflexão alicerçada numa análise de um Brasil – entre 1996 a 2005 ¬– que havia crescido 23,4%, enquanto a economia mundial, no mesmo período, tinha alcançado um crescimento de 45,6%, praticamente o dobro. Diante desse quadro, o desafio da 63ª Soeaa não era somente refletir sobre os padrões para um equilíbrio com relação à inflação, mas, também, com relação ao superávit primário, de forma que o país pudesse pagar as dívidas que tinha. Uma reflexão importante da nossa categoria, já que 70% do PIB brasileiro passam por atividades inerentes à área tecnológica. Assim nos pautamos, com debates propositivos feitos por especialistas que fizeram uma reflexão sobre crescimento e desenvolvimento sustentável que a Nação precisava ter.
Em 2007, no Rio de Janeiro, realizamos a 64ª Soeaa e o 6º Congresso Nacional de Profissionais (CNP) – com a construção de um novo pacto das profissões da área tecnológica –, um encontro importante de dois grandes eventos do nosso Sistema, o último acontecendo a cada três anos. Evoluímos no nosso processo de reflexão com o tema “Pensar o Brasil – Educar e Inovar: Responsabilidade Social”. Nosso propósito era contribuir para o resgate da cultura técnica, perdida pela falta de planejamento e de investimento público nas décadas anteriores. Precisávamos vencer os desafios na área da educação, que já eram, à época, enormes. Enquanto tínhamos a clareza de que cabia ao poder público discutir a qualidade da educação e buscar mecanismos para o incremento de mais investimentos nessa área, também enxergávamos que nossa contribuição enriqueceria sobremaneira a formulação de novas diretrizes e subsidiaria o Governo na formulação de novas políticas públicas para a educação brasileira.
Chegamos ao centro do país, momento em que levamos à capital federal a 65ª Soeaa e a WEC 2008 (World Engineers’ Convention). Nossa visão social no processo de inovação tomaria o debate central com o tema “Engenharia: Inovação com Responsabilidade Social”. Montamos um evento internacional com o propósito de alcançar decisões que pudessem influenciar os rumos do desenvolvimento mundial com sustentabilidade. Vivíamos o fantasma das crises do petróleo e do alimento, que já ameaçava a estabilidade econômica de muitos países.
A partir da reunião de profissionais de vários países, focamos em discussões que permitissem que nossas profissões apresentassem soluções inovadoras, pois também vivíamos (e ainda vivemos) o desafio de modificar o processo produtivo, de forma a alçarmos as Metas do Milênio definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A região Norte recebeu em Manaus, em 2009, a 66ª Soeaa. No encontro o propósito foi o de “Pensar o Brasil no Contexto Mundial: Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Ética”. As questões ambientais afloraram em discussões técnicas, não só pela importância que a região tem para o Planeta, mas pelos impactos das últimas tragédias causadas pelas fortes chuvas em vários estados brasileiros. Evidente a todos, a agenda ambiental, que cresceu em importância nos últimos anos, exigia, e ainda exige, novas tecnologias e novos comportamentos de governos, empresas, organizações não-governamentais, profissionais e consumidores de todo o mundo.
Plástico biodegradável, saneamento público, roupa de poliéster, garrafa de vidro, moradia ecológica, emissão de carbono, desmatamento de floresta fizeram parte da programação. Discutimos e refletimos sobre a situação do planeta Terra, propondo soluções ambientais com o objetivo de realizar um evento que reforçasse a agenda iniciada no Brasil com a Rio-92. Essa reflexão foi consolidada na Carta de Manaus; um documento que teve o propósito de reforçar o posicionamento do Brasil nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas.
Retornamos ao Centro-Oeste em 2010, dessa vez com uma profunda introspecção. Nosso horizonte era 2022 e o tema central foi “Construindo uma Agenda Estratégica para o Sistema Profissional: Desafios, Oportunidades e Visão de Futuro”. Essa reflexão foi oportunizada pela junção da 67ª Soeaa e do 7º Congresso Nacional de Profissionais (CNP) – numa construção coletiva alcançada em 520 eventos realizados país afora. Também nos propusemos a discutir o futuro do país com os candidatos à Presidência da República, momento em que produzimos o documento “Propostas para o Desenvolvimento Sustentável Brasileiro”.
Diferentemente de 2006, nessa Semana já estávamos trabalhando com uma perspectiva de crescimento completamente contrária daquelas das duas décadas perdidas para as nossas profissões. Já no posto de 7ª economia mundial, tínhamos como perspectiva ser a 5ª maior potência econômica nos próximos cinco anos. Nesse novo horizonte de crescimento, necessariamente, nossa reflexão precisava incluir a formação e a valorização profissional; os impactos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da descoberta de petróleo na camada pré-sal; os biomas; o planejamento, o desenvolvimento nacional sustentável, a Copa de 2014 e ainda os desafios, as oportunidades e a visão de futuro para o nosso Sistema Profissional. Um momento em que precisávamos mostrar que a área tecnológica é primordial para o alcance desse crescimento projetado.
Finalmente, em 2011, a nossa Semana chega à região Sul, com Florianópolis, na bela e Santa Catarina recebendo a 68ª edição da Soeaa, com o tema “Pesquisa e Inovação Tecnológica: Conhecimento Profissional a Serviço do Desenvolvimento Sustentável”. Permeando toda a programação, teremos a oportunidade de debater as ações desenvolvidas nos últimos 20 anos na área ambiental, antecipando as discussões para a Conferência Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da ONU, que acontecerá no Rio de Janeiro em 2012.
Nossas reflexões, compromisso ético, conhecimento técnico, a exemplo das últimas edições, sem dúvida, serão consolidadas em contribuições significativas para o Brasil, como fizemos nos últimos 67 anos da Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia. Quero confessar meu orgulho por dirigir um sistema profissional com tanta riqueza de debates. Os desafios são muitos, mas a esperança em um futuro justo e sem desigualdades sociais é maior ainda.
Boa Soeaa a todos!
Eng. Civ. Marcos Túlio de Melo
Presidente do Confea






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