Solução definitiva para os dejetos da Suinocultura
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o comércio de fertilizantes está em torno de 20 milhões de toneladas ao ano. Porém, as nossas produções de adubo químico mantêm-se as mesmas há anos, com aproximadamente 7,5 milhões de toneladas. Por outro lado os produtores de produtos orgânicos passaram a ter uma regulamentação com a implementação da Comissão Nacional de Produção Orgânica, uma ação clara de que o MAPA está apoiando a produção de orgânicos que tem como premissa não utilizar fertilizantes químicos.
Outro dado interessante fornecido pelo MAPA, é que haverá maior incremento da produção agropecuária do que expansão de área na próxima década, obviamente devido ao aumento do uso da tecnologia e consequentemente a utilização de mais adubo nas lavouras.
A partir destes dados podemos concluir que, a produção de adubo orgânico pode ser uma alternativa para que nosso país seja menos dependente da importação de fertilizantes químicos, ainda mais se as previsões de aumento de produção se confirmarem.
Além disso, a regulamentação e o incentivo à produção orgânica favorecerão iniciativas que visem à produção de adubo orgânico de qualidade. Isto poderá ser uma alternativa benéfica para a suinocultura em nosso Estado, pois devido à alta densidade animal, existe um grande potencial para produção de adubo orgânico a partir dos dejetos suínos.
A necessidade do aumento de escala de produção na suinocultura vem de encontro à legislação ambiental que exige área suficiente para disposição final do resíduo (dejeto), que está limitado a no máximo 50 m3 por ha, dependendo da necessidade nutricional da cultura a ser implantada e do potencial fertilizante do solo a ser adubado organicamente. Esta dicotomia impede a expansão da suinocultura catarinense, considerada a melhor do país, pois a estrutura fundiária nas áreas de maior concentração suinícola é caracterizada, na sua maioria, por pequenas propriedades rurais.
A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) tem apoiado a busca de alternativas para atenuar e solucionar os problemas ambientais causados pelos dejetos de suínos. Os principais resultados esperados com a implantação destes sistemas de tratamento de dejetos, são os ambientais, visando principalmente reduzir o potencial de poluição dos dejetos oriundos da atividade suinícola, já que a legislação ambiental tem pressionado este setor produtivo. Entre estas alternativas podemos destacar as câmaras de compostagem, sistema de tratamento desenvolvido em parceria entre ACCS a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC) e a LPC Empresa de Tecnologia Ambiental. Estas câmaras consistem em um processo de transformação de materiais grosseiros, como palhada, maravalha e/ou cama de aviário e dejetos de suínos, em materiais orgânicos possíveis de ser utilizados na agricultura. Este processo envolve transformações extremamente complexas de natureza bioquímica, promovidas por milhões de microorganismos.
Como vantagem principal do sistema, podemos destacar a transformação do dejeto líquido em adubo sólido, minimizando o risco ambiental e viabilizando o transporte deste adubo para áreas carentes de matéria orgânica, podendo até mesmo ser comercializado.
Outra vantagem deste sistema de tratamento de dejetos de suínos são as reduções do nível de odor desagradável e da presença de moscas nas propriedades, além de que, dependendo das metodologias e da escala, poderão gerar crédito de carbono sendo, portanto, mais uma fonte de renda para o nosso suinocultor.
Desta maneira, aquilo que hoje é um custo na atividade, o armazenamento e distribuição dos dejetos, passará a ser uma fonte de renda e uma solução ambiental para uma atividade de grande valor social e econômico em Santa Catarina. Isto se confirmando, poderemos no futuro dizer que a suinocultura catarinense fez de um limão uma limonada, pois quem diria que o maior vilão da cadeia produtiva da suinocultura, o dejeto produzido pela atividade, poderá torna-se fonte de renda para o suinocultor.
Eng. Agrônomo Felipe Penter – CREA-SC S1 032859-8




Deixe uma resposta
Quer entrar na discussão?Sinta-se livre para contribuir!