Tempo de despertar

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*Vitor Litwinczik

O poder aquisitivo é um fator determinante na criação de tendências de mercado e melhoria da qualidade de produtos e serviços, como consequência, em geral, da melhoria na educação e maior acesso à informação. Vejamos o caso da construção civil. Num primeiro momento o importante era a família ter um teto, um lugar para morar. Posteriormente, buscou-se climatizar o ambiente por meio de ventiladores e então ar condicionado. Uma vez que se experimenta algo mais confortável e se tem informação e poder para acessar essas melhorias não se quer voltar a um padrão inferior. É nesse mesmo entendimento que pensamos também em relação a outras formas de conforto, entre eles, o acústico.
 
Em maio de 2008, foi lançada a norma de desempenho de edifícios habitacionais NBR 15575:2008 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho, que definiu 13 exigências dos usuários relativas a segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Sua cobrança, no entanto, seria realizada apenas dois anos depois. Ou seja, a norma ficou disponível por dois anos para ser estudada e para permitir que as construtoras e o mercado a testassem, adequando-se às novas exigências.

Todas as normas da ABNT possuem abrangência nacional e a Caixa Econômica já sinalizou que  pedirá para que as construções sigam o que determina a norma NBR 15575 quando da liberação de novos financiamentos. Mas, o que se tem feito para saber se nossas construções atendem ou não o desempenho acústico pedido?

O problema presente passa por soluções mais complexas do que apenas ensaiar em campo uma laje, ou uma esquadria, ou ainda uma parede e saber se atende ou não a algum índice de desempenho. Os ensaios de desempenho acústico realizados em campo fornecem dados do tipo “atende” ou “não atende” a determinado índice, ou seja, não geram informação suficiente para uma análise crítica do problema. Um ensaio deste tipo não é capaz de informar onde está o ponto fraco ou a virtude de um sistema construtivo. Para obter esse tipo de informação é necessário realizar vários e diferentes testes em diferentes unidades similares para se ter uma massa de dados estatísticos e, então, começar a olhar de forma crítica o que está acontecendo.

A formação de grupos de estudo e análise parece ser o melhor caminho para resolver a questão. Assim, as construtoras disporão de dados técnicos consistentes para interferir e influenciar em discussões de âmbito nacional sobre a normatização na construção civil; e o consumidor terá uma garantia de que seu imóvel atende as exigências mínimas de conforto acústico.

Santa Catarina precisa e deve se unir para entender e atacar efetivamente o problema. Em marçode 2012 a norma entrará em vigor e será cobrada de todos, conhecendo ou não onde estão as virtudes e limitações dos seus processos construtivos. É tempo de despertar e contribuir para o debate sobre o tema do desempenho acústico. Se nada for feito, teremos que invariavelmente nos adequar ao que for definido por quem está estudando o assunto. Precisamos sair da zona de conforto e deixarmos de ser seguidores, para ser participantes. 

Eng. Mecânico Vitor Litwinczik
CREA-SC S1 073221-5
e-mail: vitor@animacustica.com.br

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